terça-feira, novembro 18, 2008

QUERO UMA GOTA DE COLÍRIO

Quero uma gota de colírio;
uma gota apenas.
Quero a gota aliviadora
que alivia a dor.
E a gente adora
porque mandou a dor embora...

Quero uma gota de colírio;
somente uma.
Em meu olho não cabe espuma,
não cabe pluma.
Não cabe mais que uma gota
de colírio que meu ser arruma...

Quero uma gota de colírio.
Somente uma é suficiente.
O excedente
pode mudar de plano,
chegar ao nariz por engano,
e entrar na corrente sangüínea...

Quero uma gota de colírio;
uma gota apenas.
E esta instilação
tem que ser suave, serena,
pois estou à busca de vida plena
que me acalme o coração...

Quero uma gota de colírio;
aquela que basta.
Não quero sentir gosto ruim na boca
e nem na garganta.
Quero uma alma que canta
e um coração que se encanta
com a paz...

Quero uma gota de colírio.
Colírio para os olhos.
Para os olhos da alma
uma gota apenas basta!
É uma gota de paz, uma gota de amor.
Gota poli-eficiente.
É a gota do sangue de Jesus
derramado na cruz,
para que eu possa caminhar
olhando para Cristo.

Nova Friburgo, 10 de Fevereiro de 2007 (17h37min).

EXAMES

Consultar.
Fazer jejum.
Dormir.
Acordar.
Defecar.
Urinar.
(estes dois últimos,
não necessariamente
nesta ordem).
Potes de prontidão.
Tomar o táxi.
Sobre a mesa
do doutor
os potes.
Encaminhamento
para o laboratório.
Picada.
Sangue.
Careta.
Ausência.
(o enfermeiro
saiu da sala).
As fezes
e a urina
já foram.
Prontuário.
Aguardar resultados.
Pegar
no dia aprazado.
Ler e não entender.
Voltar ao médico.
Análise.
Silêncio.
Olhos nos olhos...
Fazer tudo de novo.
Deu tudo errado.
Porque a saúde pública no Brasil
está uma merda!

Nova Friburgo, 16 de Janeiro de 2007 (9h18min).

SISIFUTRICA

O que sustenta
a enorme pedra
é um barro vermelho
cujo amálgama
são os arbustos, as árvores
e a geografia do entorno:
o menino colheu os morangos silvestres;
o boi pastou o capim gordura;
o micro-empresário transformou os eucaliptos
em dois ou três caminhões de lenha;
as águas da chuva se encarregaram
de levar o barro vermelho...

A pedra soltou-se,
rolou
e está vindo aí!


Nova Friburgo, 13 de Janeiro de 2007 (10h40min).

quinta-feira, outubro 16, 2008

MOMENTOS

I
As chuvas pararam
e agora a água
densa e barrenta
rola apressada
no leito do rio.
Rola a água
rolam os galhos
arrancados à força
mesmo com o choro das árvores.
Rola a vida
porque as pedras polidas
na insistência das chuvas
são mais que seixos largados no chão:
são indicadores de que a vida precisa
seguir seu rumo...

II
Um cachorro passa
com a focinheira incômoda.
Guarda breve distância
do dono que caminha atrás.
O menino apressado
caminha à frente.
Não desprega os olhos
do pitt-bull:
tem medo de uma surpresa
desagradável.
As enchentes baixaram o moral
de muita gente.
Foi o presente de Ano Novo
pra quem só viu barranco
dar o arranque
dessa corrida maluca
pela sobrevivência.
A população foi pega de surpresa
pela chuva torrencial.

III
As folhas
das árvores
verdes,
viçosas,
baloiçam
ao vento...
Em seus galhos
um amarelo
canário da terra
(magrelo
de tão belo)
solta o canto
que não emperra.
Por que canta
o canário
à beira do rio?

IV
O canto do pássaro livre
após chuvas de verão
insiste em proclamar paz
e até celebração.
O trinado estridente
ecoa nos ares uns sons...
E do meio das folhagens verdes
o amarelo pássaro voa
espalhando pelo éter
sua canção de esperança.
Só agora percebo o céu
de um azul dantesco.
E no firmamento o sol
que assume seu esplendor!


Nova Friburgo, 13 de Janeiro de 2007 (10h15min).

AUTO-CRÍTICA

mudei
se já é público e notório:
não sei!
pequenas coisas estou fazendo.
outras,
parei!
começo o ano com novo ânimo.
estou cheio
de boas intenções.
quero viver o melhor
e purificar-me!
mas tem um saco
de lixo
abandonado no portão
de minha casa.

Nova Friburgo, 13 de Janeiro de 2007 (10h35min).

ORAÇÃO DA FAMÍLIA

Senhor!
Que a chaleira sempre apite
Uma água fervendo;
Enquanto houver um amigo
Para tomar um café preto com a gente.

Que a brisa do vento
Sempre encontre uma janela aberta
Para atravessar toda a casa e espalhar
O perfume da esposa após o banho da noite.

Que haja sempre brinquedos
Espalhados pelos corredores
A indicar que filhos, netos e bisnetos
(ou ainda alguma criança amiga)
Povoam nosso lar de irreverência infantil.

Que o forno tenha a chance de ser
Aquecido de tempos em tempos
Para produzir uma gostosa broa de milho,
Fruto da criatividade culinária
De quem tem junto um sorriso para oferecer fora do pires.

Que haja sempre um sofá,
Mesmo que velho e recoberto de um pano rejuvenescedor,
Para abrigar nossos corpos e nossas vozes
Em um diálogo franco e criativo,
Tendo a televisão desligada.

Que a falta de água do verão
Não impeça de se produzir beijos molhados
E se dar abraços apertados
Multiplicando afeto por todas as estações.

E que, acima de tudo, haja sempre canções
A serem entoadas por corações agradecidos
Pela vida e pelo amor
Que começou em ti e que tocou os que
Simplesmente acreditaram no Eterno.

Amém!

Rio de Janeiro, 11 de Janeiro de 2007 (15h43min).

VOCÊ

você
que a gente não vê
mas que percebe
que passa emoção
de um coração
um tanto em febre
que corre apressada
feito lebre
e deixa um rastro
um antepasto
de amor...
só você
que quando em chama
coração que ama
me faz luzir
que acende o sonho
e projeta a vida
desfaz ferida
e põe sorriso
e mais que isso
alegra os dias
com as poesias
acende a noite
com os archotes
de um novo amor
você é luz
na escuridão
é eu partindo
no mar revolto
dessa paixão
aguardando pra breve
a sua volta.

Niterói, 07 de Janeiro de 2007 (7h05min).

NOVA FRIBURGO

Estas chuvas arrasadoras sobre a cidade;
estas águas avassaladoras sobre mim.
O canteiro ficou sem rosas
e os entulhos da correnteza
procuram se esconder pelos cantos de muros
de uma rua de lama ressequida.

O sol desponta novamente no horizonte
e a esperança volta a brilhar
nos olhos tristes de um povo sofredor.
O transbordar do Bengalas.
A enxurrada do Rio Grande.
O aguaceiro que arrasou o Jardinlândia e o Jardim Califórnia.
E o povo triste, beirando encostas de morros
que ainda vão despencar...

Ah, minha Nova Friburgo!
Quantas chances ainda hás de almejar
para realmente te fazeres nova?
Quem governa não pensa no povo,
não pensa no pobre...
Fica arrumando praças no centro da cidade,
erguendo monumentos aos mortos,
pra riquinho se contentar
e turista se divertir.

Enquanto isso...
as obras que não foram feitas;
as encostas que não foram cuidadas;
a dragagem do rio que não se completou;
os ciclopes e muros de contenção que deixaram de ser construídos;
a urbanização não implementada,
neste caos da civilização friburguense;
vão providenciando novos mortos, às dezenas,
numa cidade que tinha tudo para ser feliz...

E estes mortos sequer saberão
que se gastou dinheiro em mais uma pracinha
ou se ergueu novos monumentos
para os pombos defecarem em cima...

Niterói, 07 de Janeiro de 2007 (6h10min).

SAUDADE

Saudade é um buraco vazio
que fica pedindo insistentemente
pra ser preenchido.
É uma vontade de voltar
a andar por onde já se caminhou,
e sentir outra vez cheiros
que a memória
teima em não esquecer.
Saudade é um estado de êxtase
profundo na ausência do ser amado.
Saudade era o mundo virtual do amor
antes da invenção da Internet.

Niterói, 06 de Janeiro de 2007 (19h15min).

O MICRO

Meu micro fez greve
É grave a greve do micro.
Meu micro não escreve
Não escreve e pago mico.

O teclado desconfigurado
Embaralha a poesia.
Um coração enamorado
Não rima com apatia.

Meu micro fez greve
Ele estava démodé.
Mandei logo pro conserto
Comprei outro HD.

Meu micro agora escreve
Tudo o que coração pede.
Ela acabou com a greve
E obedece ao mouse pad.

Niterói, 06 de Janeiro de 2007 (6h15min).

CHUVA BAILARINA

Claro dia de sol,
calor de quarenta graus.
Chuva chega mansamente
e eu sorrindo contente.

O meu caminho molhado
de pingos grossos de chuva.
Minha vista se faz turva,
meu coração enamorado.

Chamo a paixão pra uma dança
com esta chuva bailarina.
Vou dançando até a esquina
Encharcado de festança.

Em minha chuva de verão
sob quente sol de paixão.
Serpenteia vida-serpentina
nesta doce chuva bailarina.

Niterói, 06 de Janeiro de 2007 (5h45min).

LUZ POÉTICA

eu queria de mim
um horizonte.
vaga luz
brilhando
no Oceano
das palavras:
frases/flashes
a clarear
a noite.

eu queria
iluminação.
e o som da poesia
preenchendo o dia
e a mensagem
como açoite
afastando a noite.

queria a construção
de um poema épico
que fosse a elaboração
do sentimento humano.
queria a visita do arcano
invadindo o espaço
da criação
do pensar
com sinais de futuro.

a luz é a
ponte/passarela
por onde transita
o homem do futuro
para chegar à esperança.
enquanto isso,
se faz bonança
no espectro de aquarela
que se desenha
nas entrelinhas do texto.

a luz irradia
sons e cores.
e meu coração se
enche de amores,
pois a luz do meu dia
fez nascer a poesia

Niterói, 05 de Janeiro de 2007 (6h50min).

segunda-feira, outubro 06, 2008

GÊNESE POÉTICA

No princípio era um papel branco,
uma caneta de tinta azul turquesa
e uma mente vazia
neste caos original da poesia.

Os olhos que aquela mente conduzia
se fixavam tão somente
na mesa de madeira envelhecida
onde também repousavam
uns cotovelos desanimados.

E nesse princípio criou o poeta
o cenário e a motivação.
E passaram diante de seus olhos
(não se faz poesia sem imaginação):
crianças brincando alvoroçadamente;
pássaros voando livremente;
rosas desabrochando alegremente...

E as trevas que havia sobre a
face do abismo poético
foram afugentadas pela inspiração;
que passou a pairar
sobre o mar dos sonhos
quando ela chegou:
a eloqüente Musa do Amor.
E disse (quando a viu) o poeta:
- Haja poesia!
E houve poesia...

Niterói, 05 de Janeiro de 2007 (7h).

ANTI-EMOÇÃO

diz pra mim:
de que adiantou
aquele sorriso,
aquele abraço,
aquele beijo?

se após
só restou
de sua aparição:
um fantasma,
uma máscara,
assombração?

restou
um vazio,
um nada,
(quanto vale isso?)
e minha alma
enamorada...

Niterói, 05 de Janeiro de 2007 (6h35min).

PONTO ENIGMÁTICO

Vai.
Anda logo.
Vai avante.
A rua está livre:
Nenhum carro
Nenhum transeunte.
Só, ao final (lá longe),
Onde a rua faz curva
Ao sabor do vento,
Farfalhando folhas,
Indicando direção
De árvores buliçosas:
Um ponto.
Que será?
Ponto escuro
Em minhas vistas cansadas.

Forço a vista,
Faço a revista,
Mas não adianta.
O ponto persiste
Em afastar-se
De meu entendimento

Meu ser se espanta
Com o mistério.
E eu vou.
Sim, vou.
Vou logo.
Vou avante.
A rua continua livre:
Passa apenas um carro,
Ligeiro,
E desaparece.

Passa um transeunte.
Apenas um.
E ele vai também
Caminhando.
Rua a fora.
Depois que ele
Passa e,
Quase se disfarça,
Em ponto também...
No fim do meu ver,
Decido caminhar.
Meus passos
São mais rápidos
Que a minha visão.
E quando,
Na minha pressa,
O ponto móvel
Volta a ser alguém
(E o ponto
Enigmático
Passa a ser algo)
Vem o susto.

O ponto perdido,
Distante,
Do fim da rua,
Era uma caçamba.
E o ser que
Caminha desespero
Nas ruas da cidade
Encontrou na
Rua de minha casa
Rua de minha vida
Uma caçamba de lixo
Para garimpar comida.

Vomito.

E volto correndo
Para casa
Tropeçando paralelepípedos.

Niterói, 04/01/2007 (8h15min).

SE

se
meu coração
soubesse
pelo menos
que Neruda
me ensinaria
metáforas
faria poesia
e serviria
mandrágoras
para minha
mulher
gestar o
infinito mar
das palavras
verdes...

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (21h40min).

O QUE SOU

o que sou
agora
no exato instante
do meu pensar
não será mais
o que serei
quando o
sol se por

distante
opaco
sem um frêmito
nas mãos ou no olhar
sou apenas
o encontro
de águas
que correm para o mar

o que sou
o que serei
agora
amanhã
só saberei
quando a porta
da casa se trancar
atrás de mim
e desnudar-me
silente
para um banho frio

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (21h35min).

ESTRADA

eu queria de mim
um pouco de estrada
pés que caminham esperanças
a passos largos
e um vento batendo brisas
esvoaçando risos
e o desalinho do cabelo
denunciando a caminhada

enquanto isso
o chão se faz possível
e o equilíbrio é conquistado

no fundo do cenário
um horizonte azul de luz
e o sonho é céu
e o futuro uma nação
e a estrada não acaba aqui

é preciso sapatos novos
para chegar do outro lado
resolvo, então, jogar fora
as meias velhas
e partir em busca de uns...

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (20h05min).

2007

dada a partida
meus olhos fitos
nas letras
serpenteiam palavras
mas a contagem do ano
é feita de números
que representam dias
e o primeiro dia
está acabando
prenhe de poesia:
estão nascendo as crias
da longa gestação de 2006

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (21h45min).

sexta-feira, outubro 03, 2008

MANHÃ REBELDE

Procuro um algo que ainda não sei
por entre esta manhã que ainda não vi
por entre um frio que neblina faces,
chamusca lábios,
arde esperanças...

A manhã se rebela contra a existência:
manhã soturna,
noturna,
que ainda se esconde,
por detrás dos montes.
Manhã que teima em não acordar.

Do sol não há vestígios.
Como também não se vê o clarão
desta louca obsessão,
desejo de existir.
Procuro razão
e no ir e vir da manhã sem sol
improviso um canto
à beira-monte.
E o vento uivando
por entre pedras e árvores
faz chacoalhar o mundo
de uma melodia triste
enquanto assentado sobre o feno
dou um grito profundo
com o dedo em riste
a sonhar com um dia ameno.

Nova Friburgo, 31 de Dezembro de 2006 (9h52min).

BEIRA RIO

Instante incômodo.
Onde a chuva torrencial
prenuncia possível mal.
O rio é semimorto,
semi-rio,
semi-vida.
Não são águas que correm:
escorre lodo,
lama,
esgoto.
O aguaceiro arruaceiro
desbanca a margem:
barranco,
ultraje,
de um rio sem barco.
É chuva,
é lama,
é ser que se inflama,
na expectativa do
transbordamento.
Minha vida esguia
se encolhe.
Filete agudo,
serpentiforme,
quase uma enguia,
no meio do roldão pesado
do rio descontrolado...

Nova Friburgo, 31 de Dezembro de 2006 (9h42min).

AUSÊNCIA ANUNCIADA

saiba que o horizonte
é um nada.
saiba também que é nada
o amor amante.
e é nada o instante
da sua presença:
fugidia presença
de uma ausência anunciada.
por todos os meus versos,
dispersos versos
que me atacam os nervos,
sei que tenho um encontro marcado
com o vazio de tua ausência:
e nele encontro a morte do prazer.

Nova Friburgo, 31 de Dezembro de 2006 (9h35min).

AMAR

Amar.
A gente ama e vive perguntando:
o que é?
A gente se dá
e vive dessa febre de amar.
E a gente nem sempre entende...
A gente só sabe amar; só sabe dar.

Amar.
Amar é doar.
E a gente se entrega e percebe que o outro é feliz por isso.
E a gente compartilha e percebe que parte da gente
voa em direção ao outro que é objeto da nossa paixão.

Amar é esperar!
É ter paciência na espera dos efeitos sobre o outro.
A gente investe e supõe que o investimento
trará dividendos em forma de mais amor.

Amar é crer!
É confiar que o amor devotado
será correspondido.
Que a reciprocidade será a chance
de perceber que amar valeu a pena.

E sempre vale a pena quando o amor
é a tinta que escorre da terna pena
do poeta-tinteiro...

Amar é sonho.
Quem ainda não viajou nos devaneios
desse Universo chamado amor?
desse mundo chamado paixão?
desse tesouro que se guarda no cofre
do coração, mas que se apresenta
cotidianamente na epiderme do corpo
amado que caminha sol
pelas avenidas da vida?

Amar. A sensação mais doce que
a existência pode produzir no paladar da vida!

Nova Friburgo, 21 de Dezembro de 2006 (12h45min).

O SONHO

A rua de minha infância
tinha pedras.
E eu caminhava esperanças
nas pedras de minhas andanças.

Meus sonhos depositei
nos altos.
Nos altos montes verdes
da Serra de pedras-paredes.

Da rua eu via o monte;
pisava o chão.
O chão do meu sonho Brasil:
um cristal que se partiu.

Tentei escrever uma história
nos céus.
Céus de um azul tristonho
aniquilador de sonho.

Minha pipa serpenteava
bem alegre.
Escrevi no horizonte: futuro.
Mas do sonho o monte era um muro...

Minha casa ficava na rua
da esperança.
Esperança que se perdeu na chuva
deixando-me com a vista turva.

A rua ainda continua por lá
e a casa.
A casa de onde ainda se vê o monte.
Só o sonho que secou como a fonte...

Nova Friburgo, 20 de Dezembro de 2006 (12h15min).

VAGANTES BRUMAS

Do ser e a incompreensão da vida.
Episódicas brumas de uma lida;
Vagantes experiências do saber.
Não ser!
E a incompreendida existência
Faz vagar o ser em sua sobrevivência
Diante dos muros humanos...

Não fosse a vida matéria-prima do ser
Seria escultura inerte na praça,
Por onde passa,
A vida que segue resoluta seu destino.

O granito pigmentado já não é o ser.
Refulge o brilho de uma pele angustiante
Nas duras conseqüências de um mundo
Que já não é o seu.
Há limites!
Os limites da matéria transformada;
Limites do ocaso a que estivera largado na praça,
Onde os pombos borrifam dejetos
Sobre o crânio desprotegido,
Os ombros desbotados,
A pele artificial do mármore ignominioso.

E ele que pensava – quando em vida –
A imortalidade...
E ele que imaginava a continuidade
Do sonho.
Das palavras que não seriam aprisionadas nos livros...
Das idéias que alçariam vôos mais longínquos
Nas cabeças dos jovens sonhadores...
Das transformações que homens de livros são
Capazes de oferecer à Sociedade.

Mas o registro da história lhe reservou
Apenas uma escultura marmórea,
Um brilho efêmero,
E uns tantos pombos grasnando
Nos contornos da imitação de quem fora.

Os tempos eram outros.
Seus ideais não sobreviveram
À avalanche de reflexões do mundo plural.

Ficou apenas a constatação:
- Existiu e pensou algo.
Resignou-se.
Isso não era pouco!

Mas os pombos continuavam a incomodá-lo...

Rio de Janeiro, 11 de Dezembro de 2006 (14h50min).

SONETO DO CENTENÁRIO

A Nilson Gomes Godoy

Nesta data tão festiva de comemorar centenário
Os batistas fluminenses se revestem de alegria.
Houvesse sino repicante a dobrar no campanário
Uma canção de louvor logo pronto ecoaria...

Num momento pioneiro, uma associação nascente
Reuniu as igrejas batistas para sua cooperação.
E assim nesta acolhida, aquecendo coração crente
A história se consolida com o surgir da Convenção.

Pra construir esta história que começou em Aperibé
Foi preciso assim reunir vários homens visionários
Que colocaram seu tijolo neste belo edifício de fé.

E os crentes nas igrejas se fizeram missionários
Deste Deus da Convenção, o seu firme fundamento
E como herança recebida: O Deus de todo momento!

Aperibé, 07 de Dezembro de 2006 (20h50min).

quarta-feira, outubro 01, 2008

O QUE É COMO O AMOR?

A Nathália e Élcio Jr.

Vês a menina de Tom Jobim, assim cheia de graça?
Que caminha leve na rua e suave passeia na praça?
Ela pode ser muito bela, ser garota linda até!
Desfilando limusine, caminhando por aí a pé.
Mas ela com toda beleza, mesmo sendo uma flor.
Ainda assim não pode ser comparada ao amor!

Vês no jardim uma rosa, botão novo a desabrochar?
Há ali sonho de pétalas, brilhando sob a luz do luar...
Sinta o perfume cheiroso, inale bem seu aroma.
Deixe aos olhos o encanto da mistura de cada cor.
Há suavidade nas pétalas e estilo em sua forma,
Ainda assim não se pode relacioná-la ao amor!

Vês na árvore um pássaro, esplêndido em seu cantar?
O seu trinado é vibrante, bem capaz de emocionar...
O canto do pássaro livre, na casa que Deus lhe deu,
Habitando a natureza recheada de fruta e sabor...
Ele canta sem espanto, o canto que é todo seu.
Mesmo o pássaro livre ainda não é como o amor!

Vês a criança sorrindo, vivendo a simplicidade?
É a criança que abençoa com sua paz cada cidade.
Ela apresenta ao mundo seu lindo universo de luz.
A criança quando sorri faz lembrar o bom Jesus.
Pode a criança ingênua, apaziguar qualquer dor?
Ainda assim seu sorriso, não se compara ao amor!

Mas que é então o amor? A que ele se compara?
Se a garota mais linda e a flor de espécie rara;
Se o pássaro cantante, mesmo a criança mais doce;
São pobres como modelo para o amor demonstrar?
O amor é um sentimento que Jesus ao mundo trouxe
Quem o guarda em seu peito pode amor extravasar!

Por isso somente a Deus, que é o AMOR: bem supremo!
Pode então ser comparado o amor de uma forma sã:
O amor desliza suave como num lago o barco a remo.
O amor é brisa serena como orvalho de linda manhã.
Diz quem ama de coração: “Vivo a vida e não temo!”
Só Deus é demonstração do amor de hoje e amanhã.


Nova Friburgo, 29 de Novembro de 2006 (19h48min).

POEMA DO MAR

Que belo é o mar
O mar.
O mar.
O mar.
A gente se perde
No horizonte das águas
Do mar...

Tão belo é amar.
Amar.
Amar.
Amar.
A gente se acha
No horizonte das águas
Do amar...


Niterói, 28 de Novembro de 2006 (11h30min).
Na travessia das barcas Niterói X Rio de Janeiro.

NO AZUL DO MAR

A Katia Cardoso Soares

Eu te encontrei
No azul do mar.
E foi neste olhar
Que eu te achei
Pra não mais deixar...
Pra não mais sofrer
Para sempre amar
E poder dizer
Quão lindo é o mar
Tão lindo o olhar
Tão belo o amor.
Amor...
Poder sonhar
E poder viver
Pra também dizer
Junto ao coração
Vendo o azul do mar:
Pra sempre e sempre
Eu vou te amar!

Niterói, 28 de Novembro de 2006 (11h35min).
Na travessia das barcas Niterói X Rio de Janeiro.

quinta-feira, setembro 11, 2008

SONETO DO CAMINHO

Disse o poeta em sua feliz canção:
O caminho se faz na caminhada.
É preciso ouvir a voz do coração
E seguir em harmoniosa toada...

O caminho pode ser duro, árduo e fugaz.
Mas (que importa?) se folhas cobrem o chão?
Haverá sempre um tapete para a paz
Enquanto houver a quem chamar de irmão.

Ah, caminho meu, caminho íngreme, difícil.
Caminho que se descobre a cada passo dado.
E o que era obstáculo vai se fazendo possível.

E a gente vai vivendo do caminho enamorado
Pisando sobre folhas, entre flores da estrada,
Neste caminho da vida, nesta breve caminhada.

Nova Friburgo, 27 de Novembro de 2006 (11h26min).

EU, QUE SEI POUCO DE AMAR

Eu, que sei pouco de amar,
que sei quase nada de cheiro de flor
e que desconheço a poesia das rosas...
Só sei que as pedras são duras e lisas
e correm serenas nos rios da vida.

Eu, que sei pouco de amar,
que nem sei ao certo se a casa do amor:
se encontra nas urbes ou numas palhoças...
Só sei que as águas deságuam das fontes
e o Sol após dia se esconde nos montes.

Eu, que sei pouco de amar,
que não descortino da saudade sua dor
e sonho acordado em tardes morosas...
Só sei que o vento que bate nas frontes
é solene ventilar de corações amantes.

Eu, que sei pouco de amar,
mas guardo coração liberto de rancor
e vivo minha vida em noites chorosas...
Só sei que o perdurar da noite triste
é sinônimo singelo que o amor existe.

Eu, que sei pouco de amar,
que apenas sei reconhecer o valor
de doces palavras: ternas, amorosas...
Só sei que esperança é última que morre
E afugenta a lágrima que de mim escorre.

Nova Friburgo, 28 de Outubro de 2006 (15h50min).

AMAR SE VIVE AMANDO

Amar se vive amando
Há mar de ir singrando
Amor estanca o pranto
No mar do acalanto.
Nas fortes águas do amor
Rega-se e banha-se a dor
São respingos de alegria
Na vida que já morria.

Amar se vive amando
Do mesmo ar respirando.
Acalentando os sonhos
De tempos já antanhos.
Flana-se nas asas do amor
Perfumes de uma só flor...
Amor sem explicação
Simples gesto do coração.

Amar é ir navegando
Qual nau nos mares da vida.
É transpor ondas remando
Utopia desimpedida.
Só não transpõe este mar
De amar a vida sorrindo
Aquele que não tem um lar:
Mulher e filhos reunindo.

Se amar se vive amando
Em vida de fazer gosto.
Quero meu mar ir singrando
Sem abandonar o meu posto.
E se um dia a vida naufragar
E tiver que ir para o além.
Ainda assim hei de amar
A quem sempre me quis bem.

Nova Friburgo, 28 de Outubro de 2006 (15h50min).

VIDA QUE VALE A PENA

A Karina de Almeida Borges em seus 15 anos.

Qual vida que vale a pena, que não parece tormento?
Que não escorre entrededos e nem é só de momento?
É vida que se vive plena, que não se vive incerta.
É vida de muitos enredos e de emoção desperta.

Qual vida com atitude e sem nenhum dissabor?
Que não se perde chorando e não escapa o amor?
É vida em plenitude, que se vive com respeito.
É nau sempre singrando em percurso de raro efeito.

Qual vida que se aproveita, que se vive intensamente?
Que não se perde na estrada, nem se faz inconveniente?
É vida que não se rejeita, que se encontra só em Jesus.
Que torna alegre a jornada, transformada pela Cruz!

Nova Friburgo, 27 de Outubro de 2006 (21h45min).

OS LIMITES DA EXISTÊNCIA

Ao Pr. Ebenézer Soares Ferreira em seus 80 anos.

“Os anos de nossa vida chega a setenta,
ou a oitenta para os que têm mais vigor”
(Sl 90.10, NVI).

Deixou Deus pelo salmista um limite de idade
Um tempo de existência para a jornada terrena.
E a gente vai vivendo com toda a intensidade
Esta vida tão sublime que com Cristo vale a pena.

E vive com alegria sem supor chegar aos setenta
Numa vida bem sadia expulsando qualquer dor.
Mas logo lá chegando é um pulo para os oitenta
E nesta fase só chega, aquele que tem mais vigor.

Viver com Cristo é bom; morrer com ele é lucro.
Enquanto Deus permitir é preciso testemunhar,
Viver com veracidade, impedir o simulacro.

E bradar com toda a voz, bem do alto da montanha
Da vida que se alcançou aprendendo a Deus amar:
- Com Deus a vida é boa, é uma bênção tamanha!

Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2006 (14h45min).

DA ORAÇÃO PARA O SONO

Pai, perdoa todos aqueles
Que não tendo tempo pra ti
Não param para sentir
Tua presença de amor.
Não desfrutam da comunhão,
Pois incapazes de ouvir
O vibrar do coração
Que genuflexo em clamor
Reverbera uma oração.

Pai, perdoa os sem tempo
Que não reservam momento
Para elevar uma prece.
Não são capazes da calma,
Do ouvir a doce voz d’alma,
Que neste mundo padece.
Apenas na noite infinda:
Bem-vinda a paz e o abandono
Da oração para o sono.

Que balbucia este ser
Cansado de um dia árduo
Trazendo ainda seu fardo
Não sabe o que vai fazer?
Se nem ao menos oração
Este pobre e triste coração
Não consegue concatenar...
Da oração para o sono
É alguém que vive sem dono
Não aprendeu a te amar.

Mas se este ser inquieto
Deixar por Deus ser desperto
Buscando uma vida sã.
Será livre do peso do corpo
Deixará de ser alguém morto
Perdido em jornada tão vã.
E da oração para o sono
Fará a ponte pro sonho
De ter um novo amanhã.

Nova Friburgo, 15 de Outubro de 2006 (10h05min).

O DIA DA VINDA DO SENHOR

(Malaquias 3.1-5)

O povo distante, vivendo em pecado.
Estando afastado da graça infinda.
Talvez, até tu, também sintas deslocado:
“Mas quem suportará o dia da sua vinda?”

Deus, porém, deseja fazer-te uma visita.
Provar-te no fogo, lavar-te com sabão.
Começando em tua casa, caso tu permitas.
Preparando-te de fato, para a vera adoração.

Na vinda do Senhor, sua justiça implacável:
Contra os pervertedores do sentido do culto
E da família, os detratores, que a tornam instável.

Contra os que desonram a palavra, o estulto.
Os que fazem injustiça, perseguindo o oprimido.
Antes da Vinda do Senhor, arrepende-te e sê remido.

Niterói, 23 de Julho de 2006 (21h).

domingo, setembro 07, 2008

QUE SÃO QUINZE ANOS?

A Juliana Soares Valério

Que são quinze anos de uma vida
Se estes são os primeiros vividos?
Se apenas o início de uma jornada
Sem saber ainda em que vai dar?
São somente quinze anos de uma lida
Expectativas e sonhos resumidos
Da longa caminhada desta estrada
Que apenas se está a começar...

Na vida que são quinze anos?
Sendo eles os primeiros desta história
Sendo anos de infância e formação
Preparo de tempo que não se sabe quanto?
É o tempo de sonhos e tantos planos
Primeiros passos de uma trajetória
Construída com lágrimas e oração
Um pouco de dor e algum pranto.

Se quinze são os anos da infância
E da juventude que alegre vem brotar.
São anos de esperança, nenhuma ânsia,
Apenas um coração livre a sonhar.
Mas se quinze são os anos da maturidade
Ou mesmo sofridos anos de uma velhice.
Passam rápido e já não se tem idade
Para experimentos e qualquer parvoíce.

Por isto, enquanto estás na juventude
Vivendo estas quinze primaveras.
Tome logo uma grande atitude
Que na vida te ajudará deveras:
Acima de todas as coisas, ame a Deus!
Como a ti mesmo, ame ao próximo!
Viva em paz com todos os teus
E da Sabedoria extraia o máximo.

Cachoeiras de Macacu, 07/07/2006(10h50min).

VIAGEM DA CRIANÇA

VIAGEM DA CRIANÇA
(Dois passageiros numa viagem para São Paulo)


Primeiro (era uma criança) – Você tá indo para onde?
Segundo (um rapaz) – Para São Paulo.
Primeiro – Você vai para a casa da minha avó?
Segundo (responde sorrindo) – Não!
Primeiro – Por quê?
Segundo – Ah, São Paulo é muito grande!
Primeiro – Não é não! São Paulo é do tamanho da casa da minha avó...
Segundo (soltando o riso espontâneo) – Sim, e o coração de sua avó é maior ainda, onde cabe todo mundo!

E o jovem afagou a cabeça do menino e sorriu gostoso...

Nova Friburgo, 13/06/2006 (19h02min).

VEM CÁ!

Vem cá, Josué Ebenézer,
o que queres da vida?
Vi uma criança sorrindo hoje –
responde o poeta –
e ela apenas olhava um patinho na lagoa...

Eu já não vejo mais patinhos
e já nem sei se as lagoas ainda existem.
Estou pagando o pato –
mesmo que hoje se paguem micos –
de ser um homem do Século XXI.

Onde o sol? Onde a lua?
Onde os reflexos dos raios na lagoa?
A água secou e meus sonhos já
não podem mais ser regados de amor.

Vem cá, Josué Ebenézer.
Mergulhe fundo no Oceano da vida.
Há um mar e um horizonte
que podem te levar para bem mais longe...

E o poeta que há dentro de mim
tão somente responde:
- Tenho medo de morrer afogado!

Nova Friburgo, 13/06/2006 (18h55min).

NÃO QUERO MORRER!

Pátria de meus sonhos,
minha terra, meu povo.
Quero-a liberta e alegre,
quero-o como um renovo...
Mas não quero morrer!

E Che Guevara repete com dor:
- Não quero morrer!

De que adianta um herói morto?
Herói que ainda fala,
que ainda clama,
enquanto a razão se cala
posto que é chama...
Que um dia foi brasa,
um dia foi fogo,
já foi carvão,
já aqueceu,
hoje morreu...

Nova Friburgo, 13/06/2006 (19h06min).

SONETO DE OURO

A Manoel Teixeira e Eulália (Bodas de Ouro)

Qual segredo existe para um longo casamento,
Casamento que segue e logo bodas alcança?
É amar e viver em paz, na vida cada momento
Abastecido de fé e de suprema esperança...

União com amor sincero é esta que vale ouro;
Que vale a vida terrena e nela toda a existência.
Mas só tem esta riqueza e junta este tesouro
Aquele que presto investe nesta sua permanência.

Por isto neste dia lindo, de ver brilho no olhar
As “Bodas de Ouro” atraindo uma nobre multidão
Que junto ao casal benquisto vem alegre celebrar.

Traga singelos presentes, de mui grato coração:
Orações a Deus o Pai, e estas flores espirituais,
Lembranças, recordações e também um sonho a mais...

Nova Friburgo, 20 de Maio de 2006 (12h15m).

quinta-feira, setembro 04, 2008

MENINA DO SOL NASCENTE

Menina do sol nascente
És bela como o meio dia.
Quero te encontrar no poente
Fazendo a minha alegria.

Acordo pensando em ti.
Pensando, eu passo o dia.
Deito-me e estás aqui
Presente nesta euforia.

Tu brilhas como o sol
Na intensa luz do fulgor
Que chega com o arrebol.

E traz contigo o amor,
Um suave perfume de rosa
Em face linda e charmosa.

Nova Friburgo, 17/05/2006(3h55m).

SE PUDESSE VOLTAR AOS MEUS QUINZE ANOS

A Tamara Rentes Rocha

Se pudesse voltar aos meus quinze anos
Os dias tão belos do raiar da juventude -
Um tempo de sonhos e de muitos planos -
Por certo tomaria uma outra atitude.

Eu ouviria a suave voz do coração
E procuraria crescer pela ciência.
Mas de uma coisa não abriria mão:
Seguir os conselhos da experiência!

Com certeza, se aos quinze pudesse voltar
Projetaria com esmero um novo futuro
Buscando a Deus em primeiro lugar.

Então minha vida não ficaria no escuro
Tendo Cristo ao lado iria caminhando
Com sua luz meus passos todos clareando.

Rio das Ostras, 13/05/2006(11h15m).

MAMÃE

Não existe palavra mais doce
E pronunciamento mais suave
Que dizer “mamãe” como se fosse
O bater das asas de uma ave.

Não existe afeto mais belo
Nem relacionamento mais veraz
Entre filho e mãe, e este anelo
Todo ser no mundo é capaz.

É que existe nas mães, aura divina,
Presença viva de uma paz angelical
Que ao filho grato move e domina.

Emanação que nos filhos expulsa o mal,
Promove o riso, o canto e o louvor,
Pois quem tem mãe experimenta amor!

Nova Friburgo, 12/05/2006 (11h38m).

DIA DAS MÃES

Mãe, não precisas de um dia, em bem sei
Nem mesmo de qualquer comemoração.
Precisas saber que sempre te amarei
E que é teu este meu grato coração.

Não precisas de movimento e até festa
Nem mesmo flores ou algum presente.
Precisas do respeito que não se contesta
E da fiel palavra que nunca mente.

Por isso mãe, neste dia que te criaram:
Vim trazer-te com sorrisos uma flor,
Vim trazer-te um beijo e também afeto.

E dos olhos que lágrimas por mim minaram
Se tenha a visão, nestas pétalas, do grande amor
E neste beijo o sumiço de qualquer deserto.

Nova Friburgo, 12/05/2006 (11h20m).

SONETO DA AMIZADE

A Lindomar Ferreira da Silva

Amizade é um sentimento
Mais forte que a razão.
Não surge de momento
É cultivado no coração.

Ser amigo é algo forte
Mais forte que o próprio ser.
Foi visitado pela sorte
Quem tem amigo em seu viver.

O amigo se faz presente
Na vida por pura amizade
E o que faz a gente sente.

O amigo interesse tem:
Ora e ajuda com lealdade
E só nos resta dizer “amém!”

Rio Bonito, 28 de Março de 2006 (10h10m).

CONSELHO FISCAL

A Marcos Lopes

Olho onipresente a vasculhar
Balanços, papéis e relatórios.
Instituições que precisa sanear
Das contas, valores, nada irrisórios.

Há medo e receio no fiscalizado
Prenúncios de erros descobertos.
Acertos são logo amparados
E pareceres não ficam abertos.

Não é fácil sobre o outro falar
Opinião abalizada a emitir
A instituição precisa caminhar.

Em seara que a gente não plantou
As ações não podem transigir,
Pois o sonho o vento não levou.

Rio Bonito, 28 de Março de 2006 (09h50m).

SOMBRAS NOS OLHARES

O momento é tenso.
Todos ouvem o preletor
E a gravidade do assunto
Faz convergir para o tema todas as atenções...

Os olhares são múltiplos:
Olhares duros,
Olhares tensos,
Olhares perscrutadores
Em busca de respostas nem sempre possíveis.

Havia sombras nos olhares.
Sombras de dúvida.
Inquietantes sombras que pairavam no ar,
Provenientes das angústias
De corações feridos.

Até que o orador esgotou o relatório
Acerca dos problemas financeiros, e disse:
“A criança foi amparada.
Hoje ela tem um novo lar!”

E todos sorriram.
Sorriram com o brilho do olhar.
E o sol se abriu...

Rio Bonito, 27 de Março de 2006 (16h38m).

REGRAS

A Vanderlei Batista Marins

Regras, normas e códigos.
Leis, preceitos e mais.
Inscritos n’alma ou pórticos
Sob aplausos ou mesmo ais.

Regras parlamentares.
Disciplinas para conduta.
Regras pra lamentares
Se a vida é dissoluta.

Assim a vida continua
Em sociedade e civilização
Que diante da lei fica nua.

E a voz diz: “É proibido proibir”
Essa é a voz da emoção,
Por isso é preciso resistir.

Rio Bonito, 27 de Março de 2006 (18h45m).

MIRACEMA

A Francisco Jucá

Minha querida e tão bela cidade
Lugar em que nasci, terra natal.
Dos sonhos singelos da mocidade
Que sonha, que ri, que vence o mal.

Miracema, Miracema, cidade linda.
De um povo ordeiro que busca o amanhã.
No coração o sonho não finda,
Pois há esperança em cada manhã.

Vou cantar Miracema, louvar o seu povo.
Pisar neste solo, colher sua riqueza.
Sentir com vigor brotar o renovo.

És cidade acolhedora, cidade tão bela.
Miracema, Miracema, de tanta beleza.
Em vida de sombras tu és aquarela!

Rio Bonito, 27 de Março de 2006 (17h15m).

quarta-feira, setembro 03, 2008

POSSE DE PASTOR

A Igreja Batista Central de Nova Friburgo

De um lado gratidão; de outro, expectativa.
Engraçado: é posse de novo pastor aqui.
Ninguém fez esta nem outra estimativa.
Mas há júbilo de alegria lá; lágrimas ali.

Que dúbio este sentimento que se vive:
Uma Igreja perde o seu pastor amado
E outra grande emoção revive:
Um novo pastor vai usar seu cajado!

Mas Deus que é soberano em suas ações
Está sobre todos e sobre tudo neste momento.
Espargindo graça e favor nos corações.

E se apresenta com seu Espírito, suave vento.
A apaziguar corações que estão em brasa.
E ao que chamara Deus o faz sentir em casa...

Nova Friburgo, 18 de Março de 2006 (21h10m).

Ser igreja

A PIB de Lumiar

Ser Igreja neste tempo presente –
Dias difíceis de esfacelamento –
Não é fácil! Mas a Bíblia não mente:
Onde o Espírito chega há ajuntamento.

Igreja é povo, é gente de Deus,
Coração que se abre para o novo.
Tem a missão de pregar os céus
E preparar a esposa para o noivo.

Que os crentes reunidos como Igreja
Abracem sua missão e vivam por fé,
Dessa forma vencerão toda a peleja.

E a Igreja caminhando, firmada em Jesus,
Prosseguindo alegre, celebrando de pé,
Vive e proclama a mensagem da cruz.

Lumiar, 11/02/2006 (22h20m).

Soneto da Esperança

Um suave som se fez ouvir à porta
E eu rápido fui logo atender.
Ouvi uma voz que julgava morta
E cuja ausência me fazia sofrer.

Então sorriso se fez esboço em meu rosto
E algo em mim de novo vi renascer.
Alguém julgou estar tomado de mosto
De tanta alegria que dava pra perceber.

Se a esperança é a última que morre
Há sempre a chance de vê-la a vida voltar
Sem precisar encher a cara de porre.

A esperança refaz o jeito de amar
E quando chega tudo se faz diferente
Emprestando viço a pobre vida da gente.

Guarani, 29/01/2006(07h45m).

MARESSA

A Maressa de Paula Nascimento em seus 15 anos.

Maressa rima com mar e beleza.
Aproveite essas ondas, Maressa
e navegue segura no mar que se anuncia.
Mas, se da vida as vagas forem procelosas,
tu podes naufragar ou tornar venturosas
todas as esperanças dessa travessia.

Basta tomar a atitude
de em tua juventude
convidar Jesus para habitar.
E ele que é a única esperança
em ti promoverá bonança
para tua alma descansar.

Maressa, no mar de tua vida
afaste toda tristeza
e também qualquer pobreza
seja de espírito ou coração.
E flutuando nas asas do Espírito
nestas nuvens que deságuam em mar
segure de Deus a mão.

Por isso, Maressa, já que teu nome combina -
com riqueza e com beleza - vê se não desafina
e torne-te essa princesa que Deus de ti quer fazer.
E a ele buscando intensamente
e a Palavra meditando na mente
te fará ter grande certeza de nos céus com o Pai viver.

Nova Friburgo, 14 de Janeiro de 2006 (21h05m).

MINISTÉRIO

A Dálcio da Silva Oliveira em seus 25 anos de Ministério Pastoral

É Deus quem chama e a gente só ouve
E a voz insiste nesse tom a nos chamar.
E em dado momento, porque isso a Deus aprouve
A gente responde: “Sim, Deus, pode comigo contar!”

E inicia um ministério com sonhos no coração
Embalados pelo amor a esse Deus que nos chamou.
Então, ao pecador perdido, por suas almas tendo paixão
Como teve o Filho de Deus que ao mundo tanto amou.

Mas Deus diz em Sua Palavra, que quem quer o episcopado
Uma excelente Obra esse alguém assim deseja
E porque foi Deus quem disse meu coração acredita.

E quando me sinto fraco e um tanto abandonado
O que meu corpo quer, o que meu corpo almeja
É em Deus descansar e vencer toda desdita.

Cordeiro, 07 de Janeiro de 2006 (21h10m).

SONETO DO AMOR ETERNO

“Com amor eterno te amei e com benignidade te atrai” (Jr 32.1).

Com eterno amor te amei não te espantes
Se o humano coração vazio se achar...
Amo-te criatura por todos os instantes
Da conjugação serena desse jeito de amar!

Amo-te no princípio, na jornada e ao fim
Estou presente nos momentos todos de tua vida
O meu Filho é a prova do amor que há em mim
Amor que em ti só espera por guarida...

Amo-te com amor sublime, incondicional.
Tenho amor que em mim faz parte da essência
E é capaz de dar força pra vencer todo o mal.

E de um amor tão nobre e com tal permanência
Nada haverá para ti por grande e colossal
Senão meu grande amor em tua existência.

Nova Friburgo, 02 de Janeiro de 2006 (07h24m).

segunda-feira, agosto 04, 2008

SONETO A LUCAS SOARES

Quantos sonhos, meu filho, teu coração abriga
Lucas, querido, filho primeiro do amor...
Se em teus pensamentos há emoções e há briga
Lute e vença sempre tendo a Deus por Senhor!

Cante o canto da esperança, do sonho de futuro
Deixe no ar as notas soltas da paixão...
Exerça a fé mesmo que um salto no escuro.
Nos braços de Deus descansa teu coração.

E se densas trevas te toldarem a vista
Nesta curta caminhada pelo mundo cruel
Volte ao Caminho e sempre nele insista.

No vento os prazeres são folhas de papel
Mas faças da Verdade sua grande conquista
Mirando a eternidade, parta em busca do céu.

Nova Friburgo, 02 de Janeiro de 2006 (07h47m).

CRIANÇA

Linda criança de uns olhos vivos
De súplicas ingentes no olhar.
Vi-te passar por entre mendigos
No calçadão à beira-mar.
À beira-vida, quase um sopro
Quase esvaindo em desespero.
Brincando ingênua sem ter abrigo
Correndo riscos e até perigo
De acidente e atropelo.

Vi-te criança de pele clara
Roupas rasgadas, pés no chão.
Cabelos ruivos em desalinho
Mãos estendidas pedindo pão.
E meu coração descompassado
Nos passos teus no calçadão
Quis logo ser recompensado
Por decidir estender-te a mão.

Mas logo atrás de ti vieram
Uns homens sujos e mau olhar.
Carrancas graves e as mulheres
Semi-nuas a acompanhar.
E triste a vida e triste o sonho
E quão medonho é o meu pensar:
Que é o homem? meu Deus
Que é o homem? para dele lembrar...

E eu com medo e muito aflito
Recolho a mão, guardo a carteira
Meu coração que estava contrito
Murcha e silente pensa besteira.
Pensa em pânico, num arrastão,
Os homens monstros sobre mim
E nesta visão uma multidão
Me massacrando até o fim!

Corro entre carros, bem apressado,
Busco um abrigo e segurança.
Amar neste mundo é complicado
Meu coração só quer bonança.
Pulo num táxi ainda andando
Quero sumir da Zona Sul.
Vejo a criança ao longe chorando
Disfarço o olhar no céu azul...

Disfarço a vida, revejo os sonhos.
Encaro a luta do dia a dia.
Meus compromissos são tamanhos
Não sei se volto à alegria.
De outra vez te encontrar.
O fato é que em mim persiste
E fixa firme e não desiste
A ingente súplica de teu olhar...

Nova Friburgo, 02 de Janeiro de 2006 (08h21m).

SANTIDADE




Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2006 (08:15m).

NO MINISTÉRIO

A Dejalmir Waldhelm

Porque Deus te chamou,
preparado estás para o novo desafio.
E ao teu lado está aquele
que quando a vida estava por um fio,
no madeiro,
disse ao Pai:

- ESTÁ CONSUMADO!

Talvez te sintas como Jesus:
Não podes voltar atrás.
É a posse!
E o povo está presente;
e o coral celebrando;
e as atenções voltadas para teu rosto brilhante,
resplandecente de júbilo e paz.

É grande a responsabilidade.
Mas teu coração está pleno de confiança
e prenhe de uma esperança
que só se deixa por ela fecundar
quem tem o Espírito de Deus.

Por isso, pastor,
neste Culto de Posse:
Que o sonho não esqueça,
que tua mão se esforce
e que o coração aqueça,
com a bênção do Cristo.
E no meio das lutas,
nas batalhas da vida
vividas aqui.
Sintas o toque suave
dessa mão tão querida
de Deus sobre ti.

E a inspiração não te falte.
E porção dobrada do Espírito
sobre ti repouse.
E tenhas sempre a unção.
E no cotidiano do ministério
sintas paz no coração.

Nova Friburgo, 26 de Novembro de 2005 (21h).

MEUS QUINZE ANOS

A Ivoneara Pereira

Cantou o poeta famoso
a saudade tida da aurora da vida.
Não posso cantar de saudade
pois sendo ainda moça
não fiz qualquer despedida
que me faça recordar o passado.

Em minha vida e meu corpo
não tem definição a saudade.
Sei cantar de felicidade
da infância que ainda cheira perto
e do futuro que por certo
do passado trará recordação.

Canto estes anos que Deus
neste dia festivo me concedeu
para meu coração embevecer.
Canto os encantos floridos
nestes meus dias vividos
meus quinze anos agradecer.

Nova Friburgo, 08 de Outubro de 2005. (17h44m).

IGREJA BATISTA DO PRADO

Às minhas ovelhas queridas
no Jubileu de Prata da Igreja.


Um dia o Pai tomou uma decisão:
Sobre seu Filho fundaria a Igreja.
Ao mundo o enviou com a missão
De contra o mal vencer a peleja.

Um dia o Pai também decidiu
No Prado uma Igreja estabelecer.
E nesta cidade mais forte se ouviu
As Novas que anunciam um reviver.

Mas uma verdade continua imutável:
Ninguém pode por outro fundamento
Além do que já está posto e é Jesus.

E sobre esta certeza inabalável
A Batista do Prado, neste momento,
Celebra seu Jubileu junto à cruz!

Nova Friburgo, 14 de Setembro de 2005. (21h20m).

SEREI FIEL AO CHAMADO

A Alex Cordeiro

A voz veio suave e terna
E meu coração ouviu-a firme.
Voz de autoridade paterna
Convocando para ir-me.

A voz veio resoluta
E ecoou por todo canto;
E em mim provocou luta
E despertou o pranto.

Ao ouvir a voz de Deus
Dentro de mim e do meu lado
Travou-se batalha imensa.

Até que meu ser respondeu:
- Serei fiel ao chamado!
E reinou uma paz intensa...

Nova Friburgo, 10 de Setembro de 2005. (20h40m).

terça-feira, julho 29, 2008

Decepção!

Eu nem sei que horas são.
Eu só sei que agora dói meu coração.
Eu nem sei mais dizer o que é fé.
Só sei que em minha vida
a esperança e a alegria deram marcha a ré...

Como a planta germina na terra e precisa
do carinho do solo envolvendo-a
(para neste aconchego subsistir e vingar...).
Meu coração germinado de amor
viu a terra de seu solo desmoronar
e as rachaduras da frustração,
como frestas de decepção,
erodirem a semente que estava ali para frutificar.

A seiva maldita do escárnio, da zombaria,
da maledicência e da calúnia
se infiltra célere nas brechas diabólicas
de homens que de Deus só tem a Criação.
Profissionais da fé que manipulam sistemas e coisas,
gentes e consciências, para seus fins espúrios de
encherem a aljava de setas satânicas
para diabólicas conquistas.

Ah, meu Deus! Até quando assistiremos inertes
as profundezas do inferno abalarem a igreja?
Até quando in nomine Dei será desculpa
para falsários se apropriarem do seu Reino,
salafrários se infiltrarem nos corredores eclesiásticos
e cuspirem sua peçonha mortífera no rosto de
inocentes criaturas que só querem
uma oportunidade de serviço cristão?

Tem misericórdia do povo que se chama pelo seu nome
e cuida deste escrevente que está morrendo
por dentro e precisa neste instante do Cristo Sofredor
para lhe ajudar a atravessar este Vale de Sombra da Morte.

Nova Friburgo, 15 de Julho de 2005. (4h50m).

Ai, Meu Filho!

Antes que tenhas que chorar por um filho,
lamentar seus descaminhos e a dor do sofrer,
lamuriar a todo instante, sem ao menos saber
se terás de volta a paz do filho retornado ao lar...
Digas para ti mesmo: - Meu filho quero te amar!

Antes que tenhas de perder as noites de um sono
que não conciliastes, e curtir a dor do abandono
por quem tanto amaste. E na noite, o sonho,
se transformar em pesadelo medonho:
Na escura noite da solidão do amor...

E antes ainda, que já sem esperanças,
nos teus olhos as lágrimas secarem
e teus sonhos murcharem
e antes que teu mundo seja despovoado de crianças
faça a ti mesmo um favor!

Erga os olhos para ver ao teu redor
e enxerga teu filho clamando tua ajuda,
e pedindo teu carinho, e implorando teu amor.
Não te faças de pessoa cega, surda e muda
aos sinais vitais de socorro do menor...

Nova Friburgo, 30 de Maio de 2005. (6h39m).

O QUE FALTA AINDA

O que falta ainda
para concluir minha jornada;
dar por encerrada
minha trajetória de ovelha muda e tosquiada?

O rebanho do Pastor
não é negociado na Bolsa de Valores.
Nem corações sofredores
são medidos e pesados pela dor!

As ovelhas desse rebanho
não são números nas estatísticas
nem se prestam a intenções cabalísticas
de quem queira fazer crescer seu tamanho.

Não é um rebanho fechado,
o aprisco nunca fica lacrado,
como a impedir a entrada de mais alguém!
O Pastor do rebanho não trata a ninguém com desdém...

O mundo está difícil
eivado de tanto vício
e tomado por transgressão.
No rebanho do Pastor nos tornamos irmãos!

O que falta ainda -
para deixar de ser ovelha -
é de Deus perceber a centelha
que transporta da terra ao céu em estrada linda!

As ovelhas da Terra
como Elias subirão no renovo
em carruagens construídas com fogo
para a posse das delícias que o Céu encerra...

Nova Friburgo, 03 de Maio de 2005 (6h52m).

SAUDADES

Quando choro ao te ver partindo,
uma dor no meu ser sentindo
achando que já não resta mais nada.

Percebo que sentirei saudade de tua vida,
mesmo que não consiga fazer despedida
e que te tornes só pessoa imaginada.

É que tua presença foi mais que existência:
Foi luz divina, irradiação de inteligência,
num mundo árido, absorto em trevas.

Buscarei luz no meio dessa escuridão,
me sentirei só, mesmo em meio à multidão,
mas seguirei para onde tu me levas.

Pois a saudade é mais forte que tudo,
e põe palavras de amor em coração mudo
e canções de esperança no reino da solidão.

Sentir-me-ei mais forte neste novo dia,
quando pleno de lembranças, santa utopia,
lembrar de ti, recordar, e encontrar razão!

Nova Friburgo, 02 de Maio de 2005. (7h30m).

LÁGRIMAS

A J. J. Soares Filho

Quando você se foi
havia em cima da mesa um jarro
e dentro uma rosa branca que murchava.

E eu olhava a rosa
se despetalando a cada dia útil;
e me sentia inútil enquanto a rosa olhava.

Sobre aquela mesa,
de uma fórmica marrom cruel,
as pétalas caíram todas ao redor do vaso.

Apenas uma ficou,
presa a haste como um papel,
onde a vida não mais escreveria pelo atraso.

E em cada pétala caída
vi esvair-se um pouco de minha vida
num sonho que ia transformando-se em dor.

Já não o teria mais perto.
No leito, seu ser exaurindo-se desperto,
em olhos inquietos que ainda transmitiam calor.

Percebi que as pétalas
(largadas na mesa e ao vento)
eram lágrimas perfumadas do meu coração.

Até que a última - da haste
soltou-se - e trouxe naquele momento
a lágrima mais quente da triste separação.

Nova Friburgo, 02 de Maio de 2005 (7h55m).

VERSOS SOLTOS

A Katia Cardoso Soares

Katia! Minha querida,
paixão da minha vida,
desejo de meu coração!

Sonho sempre com você,
anseio logo lhe ver,
tocá-la com minha mão!

Quero senti-la bem perto,
amá-la muito, decerto:
Isto é desejo intenso!

Não fico sequer um segundo
- você domina meu mundo -
sem pensar em tudo que penso!

Amá-la por horas a fio...
Nosso calor espantar o frio
debaixo de um cobertor!

Tocando sua pele suave
voar bem leve, qual ave:
Nos sonhos de nosso amor!

Katia! Você me faz delirar
seu corpo na febre de amar
convida a desejo e paixão!

Por isso, mesmo longe estando
sua lembrança me confortando
reina paz em meu coração!

São Fidélis, 29 de Abril de 2005 (23h15m).

JUBILEU DE OURO

A Igreja Batista em Santa Maria Madalena

Hoje se contam, completos, exatos:
Cinqüenta anos de um dia especial.
Juntamos da história eventos e fatos
e não esquecemos da Igreja o natal.

Em Madalena, uma Igreja Batista
surgiu como obra e fruto da fé.
Na Bíblia Sagrada mantendo a vista
com gente humilde se pondo de pé.

Mas, Senhor, a história não acabou!
Cinqüenta é apenas um belo começo
de algo que ainda não se realizou...

E a vida da Igreja no altar de Deus
crendo no Cristo que pagou o preço
futuro de glória terá para os seus.

Santa Maria Madalena, 24 de abril de 2005 (11h40m).

FLOR BELA

A Florbela Espanca

Tu és a flor que o jardim da poesia apresentou
para eternamente amar e amar perdidamente.
Teu amor não é feito de palavras que vento levou
ou que águas correntes, abissais, afastou da gente.

És a primeira flor da primavera, quando o sol reluz.
E que um passante atraído, pelo amor envolvido,
no jardim da vida colheu pra si - mesmo sem fazer jus -,
para reter hoje e sempre teu perfume esquecido.

Tua volúpia me encanta, quando meu ego estanca.
Este jeito de amar sem amar: Fazer poesia!
No frasco do pensamento reterei teu sentimento.

E sempre que a nuvem sombria, em uma noite fria,
me atravessar o andar. Inalarei do amor sete gotas,
vestir-me-ei de frases marotas, e por-me-ei a amar...

Nova Friburgo, 10 de Abril de 2005. (13h45m).

quinta-feira, julho 10, 2008

O HOMEM DO QUADRO CHOROU

A sala era ampla e de muitas cadeiras.
O espaço nobre e as paredes cobertas de quadros:
Gente antiga, de semblante sério!
De parecença importante para o povo daquele lugar.
As molduras bonitas e as fotos enormes
emprestavam ao ambiente uma certa intimidade
- algo como se alguém nos olhasse de perto –
trazendo do passado a companhia de uma gente séria
que contrastava com as cadeiras vazias do lugar.
Será que aqueles homens dos quadros já se assentaram nestas cadeiras?

Alguns quadros eram pinturas:
Óleo sobre tela que custara a pose do retratado e o tempo e a arte do retratista.
Outros, fotos ampliadas aumentando a imponência dos modelos.
Tudo corroborava para que o ambiente ficasse carregado
de uma solenidade invasiva que me deixava atordoado.

Mas, de repente, o tom ficou ainda mais monocórdio:
Uma chuva torrencial cai e o barulho da água despencando do firmamento
faz do ambiente um lugar ainda mais
prenhe de recordação e memória.

À minha frente, um quadro com grande foto,
de homem grave e sério, trazia um vidro protetor.
E o vidro semi-embaçado pela poeira do tempo
reluzia tímido, refletindo a luz artificial do enorme salão.
E o homem do quadro sorria amarelo há pelo menos uns
cinqüenta anos, preso que estava na moldura daquele quadro
que também tinha vidro e tinha contornos definidos que impunham limites.

O moço, de bigode fino e ralo, espremia-se torto atrás do vidro sujo e frio.

Enquanto isso a chuva caía!
E o clima fazia-se frio e cada vez mais triste.

Até que as águas da chuva invadem a sala:
Pelas janelas. Pelo forro. Pelo lambri despencado do teto antigo.
Pelas paredes. E por onde mais houvesse uma fresta
de velhice que pudesse deixar passar águas incontroláveis.

Quando olho para o quadro de minha reflexão,
as águas escorrem pelo vidro que protege a foto da intempérie,
mas não impedem o homem do quadro de chorar...

Era como se o moço do quadro chorasse
o choro terminal de uma vida,
há tanto tempo represado naquele olhar distante e vazio!

Eram hipotéticas lágrimas de libertação
num convulsivo choro hipnótico
da fantasia de olhar a vida inteira
(vida de quadro em parede geralmente só começa com a morte do dono do rosto)
através das quatro paredes de uma sala fechada no tempo
e distante da vida que viceja lá fora, onde canta o sabiá...

O homem do quadro chorou - com a chuva daquela tarde -
o seu olhar perdido em direção ao infinito do não-existir.
E as lágrimas do moço do quadro de vidro -
na sala antiga da cidade velha -,
vertiam a esperança de tantos vivos que nem sequer retratos serão
nas carteiras dos entes queridos que dinheiro não têm para guardar!

Santa Maria Madalena, 26 de Março de 2005. (9h15m).

TRÍPTICO DA VIDA

1

Se existe dom supremo, só pode vir de Deus.
E que nome ele recebe, senão algo sublime?
Amor! É o próprio Deus vendo os filhos seus
que foram alvo na Terra da ação que redime.

Esse dom sublime, em suprema excelência,
amor que brota de Deus e logo dele emana.
Pois só nele tal sentimento é parte da essência
que na terra aos homens une e todos irmana.

Ah, amor! Vens de Deus e para onde vais agora?
Se não ficas em mim, sinto o moer de uma dor.
Se não ficares comigo, Deus presente da aurora

ao por do sol de uma vida que se abre em flor!
Amor, amor! Sentirei longo pesar e, abatido,
prosseguirei meu caminhar, triste e sofrido...

2

Por que? Por que estás abatida ó minha alma
e é triste o teu caminhar na face desta Terra?
Se o coração pede alívio e também a calma
em Deus encontras bálsamo que dor encerra.

Exercita-te naquela - que de todas as expressões
que o homem pode fazer -, o leva a se pôr em pé!
E que acende uma chama, brasa nos corações.
E que atende pelo nome; singelo nome de fé!

A fé é um remédio que levanta qualquer enfermo.
É força a animar o corpo e o coração cansado.
Que traz para o caminho o que se acha no ermo

e faz do oprimido um ser novo, revigorado.
A fé é alimento para sempre e todo instante
e na vida do crente se faz presença constante.

3

Além do amor e da fé, de que precisa o homem?
Que sentimento necessita para atravessar a vida?
Se os dias são frios, duros, áridos e já consomem
o que ele tem de melhor que é o motor de partida?

Então não fiques parado, esperando acontecer.
Quem sabe faz o tempo, faz a hora, e o momento.
A vida é pra ser vivida, tu nascestes para crescer.
A esperança é o motor que te põe em movimento.

Porque tens sonhos, caminhas; a estrada está aberta!
E a esperança que aninhas não está pra ti deserta.
É um oásis de vida, com sombra, água e amor.

Por isso desperta e prossiga com garra no coração.
Saboreie da árvore o fruto que tu vistes como flor.
E ao que achares no caminho, chame logo de irmão.

Nova Friburgo, 12 de Março de 2005. (7h34m)

CÉU DE ASFALTO

A noite era fria. Chuvosa.
Procurei por você –
nem precisava.
Estava do meu lado.

Queria achar o céu –
não podia.
A chuva caia
e o céu não estava disponível...

Ao volante do carro,
concentração redobrada,
Pára-brisas disparando célere,
ao ritmo de meu coração apaixonado.

Seu perfume impregna minhas narinas
no carro de vidros fechados
a proteger da chuva intensa.

Penso em você!

E na busca do céu de meus sonhos
contemplo o céu de asfalto.
Céu negro do asfalto novo molhado
e de pingos grossos de chuva salpicado...

O farol alto incide sobre a chuva
e acende a imaginação...

O céu de asfalto está repleto
de miríades de estrelas fugazes
de gotas de chuva formadas.

Olho para o lado:
Você está a sorrir!
Completo meu sonho...
Você é a lua que ilumina minhas noites
nas muitas viagens da vida!

Santa Maria Madalena, 24 de Março de 2005. (21h35m).

POÉTICA

Não sei viver sem poesia
e mesmo se soubesse; não viveria.
A ausência de poesia
é o desaprender da vida.
E a gente se emburrece,
quando vê que a poesia fenece.

E mesmo se quisesse driblar a palavra,
esquecer o ritmo, ignorar a métrica,
fazer pouco caso da rima
e até das letras perder o rumo...

Quando no jardim da semântica passando,
das flores tiver um ramo nas mãos;
e quando no Oceano dos sentimentos
na canoa o remo a guiar sobre os desvãos.

Então, saberei que a poesia em mim sobrevive
e que por ela tenho a chance
de contar os meus dias, lindos dias,
para além de mim mesmo,
na ânsia de alcançar coração sábio!

Itaboraí, 10 de Março de 2005. (19h20m).

O AMOR DE PATRÍCIA

A notícia se espalhou por toda a cidade:
_ “Você soube da morte da dentista?”
_ “Que morte cruel, que barbaridade!”
E todos falando, a notícia espalhando...
A comoção foi geral!

No dia seguinte - o povo ávido por novidades -,
se acotovela nas bancas de jornais
em busca do folhetim.

A edição se esgota rápido.
Há disputas e brigas por um exemplar.
Todos querem saber das últimas
e ter novidades para contar.
A manchete estampada no jornal
dá conta do que aconteceu:
“Crime bárbaro choca a cidade”.
“Dentista é assassinada com
requintes de crueldade e sadismo.”
E todos lêem boquiabertos
acerca daquele triste desfecho.
De toda a história e seu abismo
os jornais apresentam apenas trecho,
de um amor impossível:
_ Morreu,
porque ao amor de outro
não correspondeu...

Meu Deus!
Quanta ignorância desse pobre rapaz,
que andou na vida errante,
não sabendo que era capaz
de fazer do sofrimento
a negação do sentimento.
Ao amor não correspondido
o seu triste ser sofrido
respondeu com a morte!

Deus, ensina-nos de novo a amar!
Ensina-nos pelo teu filho,
que neste mundo, andarilho,
compartiu a aura do amor.
Ensina e mostra pra gente
que o amor não é egoísta,
não busca interesse próprio,
o amor é sim altruísta
e sustenta qualquer solilóquio.

O amor de Patrícia foi sepultado com ela.
De quem era ele, o amor que era dela,
já não o sabemos, nem mais saberemos.
O que era segredo de coração
virou também segredo de caixão.

Era jovem, um futuro pela frente,
seguindo a carreira como profissional.
Mas de repente, não mais que de repente,
sua vida se estanca pelas forças do mal.

Meu Deus, o amor de Patrícia morreu com ela
e com ela foi-se o sonho de futuro!
E a cidade chocada submerge ao perdê-la
num abismo cruel e muito escuro!

Mas se ela morreu, porque alguém a queria
e a esse amor insistente ela não correspondia
ao ponto do meliante o amor em crime mudar
e o ódio da rejeição sua vida transtornar.

Faz-nos lembrar neste instante
de seu Filho que ao mundo amou.
Que para toda a humanidade
amor incondicional devotou.
Pois quando éramos pecadores
tomados por nossas dores
na cruz ele padeceu.
Seu Filho amado, o Cristo,
por nós que nunca tinha visto
amargo fel ele sorveu.
Da via crucis, ao Calvário
preenchendo o imaginário
solitário caminhou.
As dores por nós sofreu,
da coroa os espinhos,
a zombaria e o escárnio,
da multidão os caminhos,
ele todos percorreu.
E quando ao Gólgota chegando,
no madeiro crucificado,
tendo o seu lado vazado,
e nas mãos o perfurar dos cravos;
o Senhor fez-se servo e escravo,
pois a todos estava amando.
Jesus Cristo padeceu
Jesus Cristo agonizou
e por todos nós morreu!

Meu Deus!
Diante do ódio do mundo,
da não-valorização da vida,
dos valores invertidos,
dos costumes pervertidos,
dessa falta de amar...

Mostra-me teu Cristo sereno,
pregoeiro do dom supremo,
o amor que é essência de ti.
E em nossa alma inquieta
a fé em Cristo em nós desperta
para vencer a caminhada aqui!

Nova Friburgo, 11 de março de 2005. (6h33m).

quarta-feira, julho 02, 2008

CANTO DA VIDA

De insuspeitado canto é a vida,
formoso como céu de entardecer...
Tons rosas de um céu que deu guarida
à noite que chegando co’as estrelas,
o amor em mim faz renascer
em forma de alegria e canções belas.

Enquanto assisto ao sol em seu poente,
no colo do horizonte a reclinar.
Por sobre a montanha verdejante
o pensamento põe-se a viajar...
Mas esse amor agora em mim nascente
propõe abandonar o ser errante.

Então, prossigo a vida escutando
o canto de amor a ecoar...
O pranto logo vou abandonando
não há razão pra vida não gozar.
O vento traz canções de uma Quimera
ao tempo propõe ele doce espera!

Rio de Janeiro, 10 de Março de 2005. (11h20m).

Deus Olhou Para Você

Num dia Deus olhou e logo te viu
Seus olhos viram lágrimas nos teus.
E o coração de Deus se enterneceu.
Num belo dia Deus olhou e te encontrou
Seus olhos viram nos teus uma lágrima.
E o coração de Deus se acendeu.
Perdida ovelha, dracma que se foi.

Ao teu encontro Deus mandou Jesus
No horizonte abriu novo caminho
Em tua vida acendeu uma Luz
E retirou das rosas o espinho.

Então Deus disse: Se queres paz!
Então Deus perguntou: Por que não trazes, teu coração?
Eu quero tanto te amar.
Eu quero encorajar-te e poderei ajudar-te.
Mas preciso, enfim, tocar tua mão!

Deus percebeu no teu olhar um brilho
Uma esperança, em meio a tua dor.
E Deus quis fazer de ti um filho.
Por adoção, em Cristo, prova de amor.

E Deus te disse: Se queres paz!
E Deus te disse: Então me traz teu coração.
Eu quero tanto te amar.
Eu quero encorajar-te e poderei ajudar-te.
Mas preciso, mesmo, tocar tua mão!

(Quantos não sabem que o Filho de Deus
É o filho do amor que ele ao mundo deu)

Não sabem que em Cristo o perdido se acha;
a ovelha volta ao rebanho.
Não sabem que em Cristo o aflito se acalma:
A lágrima seca e o sorriso volta ao rosto.
Pelo amor de seu Filho
(Amoroso Filho de Deus)

El Shaday (Todo-poderoso Deus)
El Elyon (Deus Altíssimo)
Adonai (Supremo Deus dos céus)
Emanuel (Deus conosco, amém!)

Nova Friburgo, 08 de março de 2005. (10h04m).

TAL É A VIDA

Como o tempo assovia canções tocando epidermes sensíveis,
como a pedra endurece relações criando barreiras visíveis,
tal é a vida impregnada de contornos, causando transtornos,
provocando retornos neste ir e vir sem saber ao certo onde ir...

O tempo é marcado não só pelo relógio, mas pelos eventos:
A vida é um fuxico só, enfeixado de muitos acontecimentos.
E a gente vai caminhando escutando as canções que o tempo
nos apresenta sem cerimônia ao sabor da regência do vento.

E enquanto as canções que o tempo, pelo vento, nos faz chegar
vão acostumando nossos ouvidos a estas novas canções de ninar.
Nosso ânimo se esboroa, fenece, e nem sequer revolta aparece.
Nossa vida enfraquece e já nem temos forças pra fazer uma prece.

Somos anestesiados pelo homem moderno que ama o vil metal,
de modo que desaprendemos a amar e optamos pela via do mal.
O Bem foi desarticulado e as relações humanas se fizeram áridas.
Há muito barulho de Rock’n Roll e quase não se ecoam as árias.

Por isso, corações empedernidos tomaram o lugar dos sensíveis
e as projeções do amar, ser feliz, ajudar, fizeram-se invisíveis.
E da pedra que fez os corações duros e duros os sentimentos
se construiu um Muro de Vergonha carregado de sofrimentos.

Tal é a vida de quem entrou neste sistema-mundo e já sem forças
não consegue lutar para criar sua identidade e sofre nestas forcas.
A barreira criada pelos muros de pedra dos corações sem amor
exige dedicação de alpinista do sentimento para expulsar sua dor.

Mas, ainda bem, que é possível reconhecer da vida o ciclo mítico
de nascer-viver-morrer-renascer e não se acostumar ao paralítico.
Pois, como o homem é a esperança que se vê no sorriso de criança;
assim a vida é o homem em sua andança fluindo da paz a bonança!

Nova Friburgo, 04 de Março de 2005. (6h40m).

terça-feira, junho 17, 2008

PALAVRAS VIVAS

O poeta precisa ser um porta-voz de seu povo
falando aquilo que o outro não soube exprimir.
O poeta necessita do cascalho extrair ouro
se poesia pura almejar do coração construir.

Mas as palavras do poeta precisam ser vivas
e também expressar sentimentos de dor.
Tal qual jardineiro cuida das sempre-vivas
e das rosas extrai suaves canções de amor.

E como Adão, na primitiva ânsia do saber
pelos desígnios divinos nomeou cada ser,
o poeta vai dando nome aos sentimentos
e extraindo das coisas seus pensamentos.

Coisas antigas, objetos parados no tempo.
Coisas novas, recriações da própria vida.
O poeta vai transformando num momento
em canções de uma pátria desconhecida.

Poesia é o fluxo do poeta em sua respiração:
Ele aspira o existente, devolve como presente.
As palavras circulam nas veias da inspiração
e o poeta sorri ante os poemas de sua mente.

Nova Friburgo, 04 de Março de 2005. (7h16m)

A ROSA

A Katia Cardoso Soares

E a Natureza deu umas para serem cor,
e outras para serem forma,
e outras para serem perfume,
e outras para serem beleza plástica,
mas só você para ser ROSA.
Você consegue reunir em si tudo isso e muito mais...

Nova Friburgo, 04 de Março de 2005. (13h28m).

MORTE EM OURO PRETO

O viajante do tempo entrou na cidade ao sabor do Vento.
Buscava encontrar o sonho no elo perdido da história.
Mas sobre as vias de pedras encontrou histórias de gentes
E não suportou a solidão de não ser um real emergente.

Coçou cabeça e fixou os olhos nos trabalhadores das minas.
Viu as mucamas carregadas de trapos e bebês pretos-minas.
O viajante não queria o ouro das gerais; buscava outro brilho.
Ele estava à busca da mente, do estudo, do saber. Neste trilho...

Da pátria mãe gentil que no passado buscava célere
para fazer de sua pesquisa das raízes alguém célebre.
Mas o viajante se deteve nos templos, encontrou a fé.
E ali entendeu a razão do país enfim se por de pé.

Viu no esmero dos detalhes, na expressão do barroco.
O conteúdo de uma gente sofrida: Algo que não era oco.
Por isso, o viajante voltou ao presente trazendo consigo.
Algo mais que a cultura. Trouxe a história e um abrigo.

E depois da viagem, quando chegou de volta ao seu tempo
sonhou com seu futuro e de seu povo ao sabor do Vento.
Mas estando ali no futuro - ao voltar a olhar o passado -,
presenciou um corpo, nas pedras da via pública, abandonado...

Nova Friburgo, 03 de Março de 2005. (7h35m).

sexta-feira, junho 13, 2008

A GENTE SOFRE DE EXISTIR

Como a grama rasteira que se corta sempre
que se esfarela sempre no bolor do tempo
e nem gramínea consegue ser constante
a gente segue pelo mundo e vai errante.
A gente sofre o ser e neste ser sofrido
num constante devir, de vir e ir sentido,
a gente vai rasgando as folhas do tempo
e vai espalhando escrituras pelo vento
se esquecendo do que foi ou que tem sido.
Da vida os dias lentos vão sendo vividos.

A gente vai andando e a vida vem atrás.
A gente caminhando em busca de uma paz.
O mundo atropelando e a gente somente
querendo ser gente no espaço da mente.
E a gente postergando o direito de ser
somente delirando na arte de sofrer,
semente construindo da vida um sentido,
um roto movimento de esperança pelo ar,
vontade de não-ser, não-sofrer, e só amar.
Mas como? Se reverbera uma falta de raiz,
que fixe a juventude neste imenso país.

E a gente sofrendo o direito da existência,
com vontade enorme de pedir clemência,
querendo despedir-se, dar adeus ao que já foi
e assumir a sandice de uma vida que não é,
de uma vida que não diz a que veio neste mundo.
Há uma falta de razão, de um sentido profundo,
de um moto que esclareça da vida o viver,
de um sopro de esperança que apague o sofrer.
Pois no centro da existência, do jeito que a vida é,
falta Deus, falta Razão, falta ao Homem uma Fé!

Nova Friburgo, 02 de Março de 2005. (8h33m).

O POSLÚDIO COMEÇOU

Os dedos passeiam teclas
brancas. As pretas saltitam.
A música ecoa monocromática
e os ouvidos paralisam-se.
Os corpos se levantam.
Os pés caminham.
Os movimentos da congregação
voltam-se para a porta do Santuário.
A vontade impõe a vontade.
A mente assusta a mente.
A música chama a rua
e a rua chama a casa.
Obscuro desejo: Onde o preenchimento?

E há um vazio de passos
firmes na busca do Vazio!
Tudo premeditado; só perigo.
O culto acabou e a vida começa agora.
O toque dos dedos nas teclas da emoção
carrega consigo o fundo musical da ausência.
Deixa-se o espaço do sacro para adentrar
o mundo lá de fora, onde não há portas:
Só as escâncaras da ânsia e da audácia
da vida por si mesma e sem trapaça.

Não há súplica nem clamor:
As orações ficaram pra trás.
O que perturba um pouco é
essa consciência do Indizível
e a percepção de que parte de nós mesmos
ficou assentada naquele banco de Igreja;
comunitário banco de bem-estar.
Não há lógica em nenhum ato.
Só fé! E quando o último crente
põe-se de pé e sai do recinto,
o piano ecoa a nota derradeira
de um poslúdio de culto que é
só o começo de não sei o que.

Nova Friburgo, 28 de Fevereiro de 2005. (8h33m).

POIESIS VITAE

Inalava o perfume
de todas as flores que encontrava.
Quando morreu, as rosas brancas
do caixão eram artificiais.
Mas ninguém percebeu,
pois sua vida continuava a exalar poesia.

Nova Friburgo, 18 de fevereiro de 2005. (14h51m).

domingo, junho 01, 2008

E DEUS CRIOU A FAMÍLIA

No princípio criou Deus o homem.
Mas, que era o homem sem alguém do seu lado?
Então Deus criou a mulher
e lhe deu o homem por namorado...

Deus fez o homem e lhe deu autoridade
para sujeitar toda a Terra.
Mas sem conhecimento tudo emperra.
Então, Deus deu-lhe poder e deu-lhe inteligência,
e deu-lhe condição de manipular a ciência,
mas não a condição de Criação.
Foi por isso que Ele próprio criou a mulher
e libertando o homem do sofrimento,
instituiu logo o casamento:
- O homem já não estava só!

E Deus deu ao casal a condição de procriar:
E tiveram filhos e filhas.
Surgia, então, a família nuclear,
aquela que por gerações tem sido o
modelo de família que governa
as relações parentais no mundo.
E era para valer a verdade,
por toda a eternidade,
de que o que Deus uniu
o homem não ia separar.

Mas eis que veio a Serpente e,
de repente, não mais que repentinamente,
tornou o homem um demente
ao introduzir o pecado no mundo.
E o Ser tornou-se imundo
e surgiu a inveja e surgiu a vergonha
e por causa dessa peçonha
o homem fugiu de Deus
e aconteceu o primeiro homicídio
e o irmão matou o irmão
e Caim riscou Abel da face da Terra
e surgiu a preguiça e surgiu a cobiça
e os filhos de Deus começaram a achar,
depois que desviaram-se do velho Pomar,
as filhas dos homens mais bonitas...

Então o casamento estremeceu
e os relacionamentos se esfriaram
e o amor congelou
e o pecado tratou de romper laços
e surgiram os embaraços
e a família soçobrou!

Mas Deus também tinha outro plano
algo mais profundo e também humano:
Era seu Filho Jesus.
Ele veio ao mundo, Verbo encarnado,
e encontrou o casamento frustrado;
relacionamentos desfeitos,
sobressaindo-se os defeitos
dos casais e sua união.

Jesus encontrou separação,
a praga do divórcio,
e abominou este negócio
de casamento não dar certo
por que tem alguém mais interessante por perto.
Jesus viu que tudo era resultante -
e isto ficou marcante -
na sua análise do fato
da presença do pecado.
Percebeu a abominável paixão
semente lançada pelo Inimigo
nas terras férteis do coração.
No princípio não era assim
e disso Jesus tinha certeza
mas Moisés permitiu o repúdio
e este foi outro dilúvio
a apagar o fogo do amor.
Pois o homem de dura cerviz
por não vencer a tentação
passou a fazer o que quis
pela dureza do coração.

Mas o Mestre na mensagem da cruz
apregoando a reconciliação,
possibilitou ao homem a volta
para Deus e sua comunhão.
E o Cristo na cruz exposto
anuncia aos casais deste mundo,
anuncia as famílias do Bem,
a todo o que está disposto
a buscar uma pátria de Além,
a viver sentimento profundo
de um homem que não é uma ilha:
- Toque os braços abertos na cruz,
sinta o abraço, o afago que conduz
sua vida e a de sua família
para um tempo de restauração.
Deus criou a família por certo
para ser uma bênção bem perto
abandone qualquer maldição.

Nova Friburgo, 17 de fevereiro de 2005. (10h11m)

TUA MÃO EM MINHA MÃO

Pai, não fostes apenas um pai, fostes irmão
quando naquele dia triste, cinzento até,
atravessando eu, o vale de sombras a pé
pude sentir o afago de tua mão em minha mão.

Pai, não fostes apenas um pai, fostes amigo
quando precisando de conforto ao coração
descobri poder contar mais uma vez contigo
no instante sublime de tua mão em minha mão.

Pai, não fostes apenas um pai, mas conselheiro
no momento em que chafurdado pela emoção
antes que palavras pronunciasses, tu primeiro
repousastes bem suave tua mão em minha mão.

Pai, não fostes apenas um pai, mas professor
ensinando os nobres caminhos da educação.
Quiseras os filhos sábios, mais que um doutor.
Sentia isso no vibrar de tua mão em minha mão.

Pai, não fostes apenas um pai, mas corregedor
mostrando a disciplina num olhar de reprovação.
Mas com carinho mostravas que o fazia por amor
até quando sentia o peso de tua mão em minha mão.

Pai, não fostes apenas um pai, fostes pastor
guiando-nos na senda do Calvário, à salvação.
Querias os filhos todos nos caminhos do Senhor
para onde me conduzia tua mão em minha mão.

Pai, não fostes apenas um pai, mas um cristão.
orando, lendo a Bíblia, ensinando na Palavra.
E a família reunida na fé que o amor destrava
seguia unida e eu sentia tua mão em minha mão.

Nova Friburgo, 13 de fevereiro de 2005. (15h47m).

À PROCURA DA POESIA

A Israel Belo de Azevedo

Imaginei compor um lindo poema
que a cada geração fosse descoberto
poesia a fluir em cada fonema
e a Lira sempre ficando por perto.
Mas surge, de início, dúvida cruel
toma conta do meu ser ali pensante:
Seria de grandes formas, até o céu?
Ou sonetto, canção curta, de instante?

Se eu escolhesse uma poética teatral
o heroísmo levando a uma epopéia
não sei se a conduziria até o final...
Seria sombra da Eneida e Odisséia!
Posso escolher também fazer um romance
na origem mítica da poesia.
Mas com que palavras darei a nuance
de idílio, égloga ou rebeldia?

Talvez fizesse um discurso poético
semelhante ao Zaratustra de Nietzche.
Mas meu projeto far-se-ia patético
ao transformar-se em um mero pastiche.
Voei, então, até a hinódia cristã,
buscando ali uma linguagem hínica.
Uma prece, salmo, longe da res pagã
que mostre do coração sua mímica.

Mas a Lira cobrava-me algo mais forte;
toda a musicalidade de um Rimbaud.
Deixei fluir sentimentos até de morte,
pra não divagar como se fora um robô.
Compus canções, baladas, também um lai,
refletindo a vida e os seus mistérios.
Liberei a alma de tudo que a trai,
buscando poesia em sonhos etéreos.

Mas ainda assim não achei o que queria.
Revirei mundo; fui ao baú da vovó!
Não é qualquer verso que se faz poesia:
Virelai, vilancete, pantume e rondó.
Então, aprofundei-me no barroquismo,
me fiz burlesco, busquei preciosidade.
Não preciso, nesta altura, de eufemismo:
Foi no grotesco que vi diversidade!

Descobri da poesia o lúdico:
os palíndromos e tantas holorimas.
Fiz-me artista, tornei-me até um músico
de acrósticos, anagramas, outras rimas.
Quando triste, compunha bela elegia
refletindo uma alma tão queixosa.
Descrevendo esta grave melancolia
que singrava como nau lamuriosa.

Mas no dia em que queria me vingar
usava a sátira como meu espeto.
Com a máscara do ridículo debruar
toda a arte do jocoso e do panfleto.
Porém, quando silente e um tanto só,
sentindo a tarde que em mim singela cai,
buscava provérbios sem pejo nem dó
na linguagem gnômica, pura, do haikai.

Tudo à procura da Musa em vida,
a Poesia que me fizesse feliz.
Da tristeza, presto, fazer despedida.
Viver a vida assim, como sempre quis.
A questão era: Como afastar o mal?
Longo o pensar? Não pode ser odelette!
Do Renascimento trouxe o madrigal,
o bobo da corte e um canivete.

Cansado da paródia e do sofisma
vi que a poesia não é unívoca.
E antes que tivesse um aneurisma
abandonei minha vida equívoca.
Poesia faz rir, é faceciosa
e pode trazer em si filosofia.
Se é sátira pode ser contenciosa,
e assim servir até de galhofaria.

Desse jeito fui descobrir o sublime,
o gênero nobre por excelência.
O lirismo que o coração exprime;
amor mostrando sua plenipotência.
A ode e sua origem musical
evocando a metafísica visão.
Sopro de Musa et coetera e tal
que tanto bem faz ao pobre coração.

Então desandei a cantar as minhas odes,
imaginando as de Píndaro e mais.
Fiz-me arauto de tão lindos acordes
outorga da vida, do amor e muita paz.
Fiz-me Lautréamont e mesmo um Claudel
em odes belas e estrofes simétricas.
Subi paredes do pensamento no papel,
dos latinos esconjurei as tétricas.

Mas os gregos antigos me perseguiam
Com seu estilo, erudição, entusiasmo.
E as liberdades da Musa me seguiam:
Da Musa, as liberdades e seu quiasmo.
Foi na ode que encontrei meu acalanto,
como Saint-John Perse construí poemas
Então, nela estanquei todo o meu pranto,
tornando-me autor de lindos grafemas.

Nova Friburgo,
(iniciei as 7h05m de 30/01/05
e terminei as 6h54m de 31/01/05).

sexta-feira, maio 30, 2008

A Noite do Poeta

Poeta. Toma teu violão e vai para as esquinas do coração.
Dedilha as cordas suavemente e deixa os acordes ricochetearem na alma.
Que cortejo é este que segue cabisbaixo atrás do teu som?
Estás triste. Tua canção é triste. O som é mórbido.
Parece que os passarinhos que bicavam as sementes
que punhas no ninho, cresceram e voaram para bem longe.
O ninho ficou vazio de ovos, vazio de vozes, vazio de cantos.
Mas, poeta, a noite passa...
E o sol que irradia no centro do Universo de tua vida voltará a brilhar.
Por isso, poeta, de dentro de tua dor extraia forças.
E volta a cantar a Canção do Poeta.
A Canção da Noite do Poeta.

Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2005 (12h50m).

Herança

Deixarei, pelo trânsito entre vós:
algumas marcas, alguns cheiros, alguns pensamentos.
E versos soltos tentando impregnar
o ar, o ar, o ar (eco-ar)
de poesia.
Tentarei repassar uma idéia, uma fé, um sentimento.
E também uma voz tonitruante
que se fixe na memória dos que me amem. (Amém!)
E Ruben Alves e Gióia Júnior.
E todo o sentimento do mundo,
e poemas em feitio de oração...
E sob os céus do meu Brasil
cantarei no meu coração:
Jesus, a alegria dos homens!
E haverá cheiro de gente nos meus versos,
e perfume de rosas em minhas palavras,
e gosto amargo de sangue na boca calada.
E eu indo embora, deixando a trajetória
da vida para entrar na História.
É a despedida!
E a poesia,
e a poesia,
e a poesia
ficando como herança.
E você trazendo na lembrança
o fio de esperança
que a poesia o fez prenhe.

Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2005. (22h).

Chamavam-me...

Chamavam-me de Josué.
Josué Perequeté.
E diziam coisas...
Coisas assim:
“Josué Perequeté
tira bicho do pé
pra cumê cum café!”

E eu não gostava da brincadeira daquela gente
que fazia rima fácil com o meu nome...

Chamavam-me Zué.
E de Zué em Zué
ficavam zoando
e eu só escutando...

Mas um dia dei um tapa na cara de um garoto
que não quis parar quando pedi.
Aí tudo terminou.



Silêncio total.



Sepulcral.



Desde então me fiz ouvido, respeitado.
Mas precisei do uso da força.

Aquilo não foi bom!
E eu, incomodado, procurei o rapaz, dias depois,
pra pedir-lhe perdão.

Cantavam Josué...
E a música que cantavam -
protagonizando-me -, dizia:
“Josué era filho de Num
trabalhava por dois e comia por um!”

Eu entrava na adolescência
e apenas sorria entrelábios tímidos.

Neste tempo, se cantava na Igreja
uma musiqueta assim:
“Senhor o meu desejo é servir-te em meu viver!”
E a turminha criou uma adaptação sonora:
“Senhor o meu deJosué, amá-lo em meu viver!”

E eu simplesmente comecei
a flertar as menininhas da Igreja...

Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2005. (6h50m).

NOVA FRIBURGO

A cidade.
A serra que não é dela.
A subida e a descida nas fraldas dos Órgãos,
antiga Morro Queimado.
Os alemães, os suíços.
E o vagão de trem que apodreceu
no pátio da Prefeitura e apagou uma era.
Episódica era é certo,
mas que desembestou num vazio
de futuro que ainda não sabe por que não aconteceu.

Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2005. (5h13m)

No Templo Antigo

Entre no Templo do Século XVIII
e esqueça que existe um mundo cá fora.
Na tábua dura do banco trabalhado
descanse suas preocupações.
Faça uma oração longa
e depois acorde leve num mundo de paz.

Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2005. (15h57m).

quinta-feira, maio 22, 2008

Janelas da Alma

Os olhos são as janelas da alma
onde o Ser se debruça,
ao cair da tarde modorrenta,
no pensar - sobre o dia que está indo -,
se valeu a pena.

Os olhos são os filtros da existência
por onde, na incidência de luzes,
somos feitos cativos de uma visão:
- Se a visão é pra dentro, pode ser Ética.
- Se a visão é pra fora, pode ser Estética.

Os olhos são as molduras da Arte
que nosso Ser inquieto insiste em ver nos objetos.
E por essa moldura que temos e somos
ressaltamos o Belo, em seus contornos e cores,
ou empobrecemos a Vida.

Os olhos são as janelas da alma.
E há ali uma moça casadoira
espargindo sorrisos de neve em olhos luzentes
na expectativa de viver seu Romance.

Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2005. (8h38m).

PARA ATRAVESSAR UM VALE DE SOMBRAS

Quando sombras diversas esgueiram sobre sua vida
E não sabes o que fazer nem mesmo o que pensar.
E estas sombras se avolumam crescendo em você
Tornando-o impotente com vontade de desanimar.
Lembre-se que para atravessar um vale de sombras
É preciso crer na existência de um Deus que está
Em todos os lugares onde transita um coração em dor.

Quando as sombras se avolumando, você medo sentir
Inseguro diante das dores, do vazio e seus temores.
E não sabendo ao certo por onde começar; pra onde ir.
E desejando bem perto alguém que lhe faça favores.
Lembre-se que para atravessar um vale de sombras
É preciso vestir as sandálias da humildade. Estando só,
Neste vale sofrido, aguardar um Deus que de ti tem dó.

Quando as sombras cobrirem o resto de luz que havia
E a noite escura e cruel com suas trevas cobrir seu dia.
E não tendo mais forças nem esperanças interiores
Porém, desejando ajuda para espantar os dissabores.
Lembre-se que para atravessar um vale de sombras
É preciso descansar com confiança num Deus que é amor
E abandonando o desespero, aguardar humilde seu favor!

Nova Friburgo, 16/01/2005 (7h59m).

REDE BALANÇANDO

Nesta rede que embala
Meu pesado corpo de sonhar
Sinto o frescor da manhã
Que eriça meus pelos
E pelos caminhos da paixão
Flecha meu coração:
Cupido livre a beira-mar.

Rio das Ostras, 15/01/2005 (7h45m).

QUANDO TIVERES

Quando tiveres que passar um vale...
De sombra, de morte ou de dor!
Quando os vales em tua vida
Se multiplicarem, e o pavor,
Rondar o teu corpo trêmulo
E não souberes como sair...

Quando nos vales de insegurança,
De incerteza e de incredulidade estiveres,
E indagares soturno se vale
A pena esse sacrifício
De viver tomado de vício,
O vício da dor e do penar.
E sofreres a angústia da dor primacial
Desse antropos original
Que carregas dentro de ti.

Lembra-te que o vale expõe a montanha
Que está a tua frente.
E junto também te propõe a escalada da fé,
Num ousado projeto de decisão...

Queres sair do vale? Então subas a montanha!
E se não agüentares a subida
Chama, se precisar clama, que te acompanha,
Teu amigo fiel, Jesus de Nazaré!

Rio das Ostras, 15/01/2005 (6h55m).

ESCUTA

Escuta, minha amada,
O cantar do rouxinol.
Escuta, na madrugada,
Nos primeiros raios do sol.
Escuta em nova jornada
O que tenho a lhe dizer.

Escuta e amplia o som
Para repercutir a outros
Esse algo que é tão bom
E que tenho a lhe dizer.

O vento agita as folhas
Fazendo os movimentos
Dos pássaros cujo canto
Paralisados no encanto
De seu corpo seminu
Banhado nas águas da fama,
Deixaram de fazer!

Não sei em que cama
Há de repousar seu ego
Este ego inflado de si.
Mas o mundo é mal
E o tênue fio de esperança
De seu corpo ainda criança
Rompe-se como cristal...
Enquanto o violino do céu
Toca Schumann e Ravel.

Rio das Ostras, 15/01/2005 (7h25m).

BOM DIA!

O chilreio rouco da cambaxirra
Na madrugada desse lugar de sol.
É um convite louco para amar você
No canto sem perfume de sua voz,
Que me diz: - Bom Dia!

Rio das Ostras, 15/01/2005 (7h35m).

A BEIR(A)MAR

Nos arrulhos dos pombos, que se arriscam por aqui,
nas ariscas lembranças, em outras águas banhadas,
nas ondas que vêm e que vão e que indo, se não voltarem,
outras vagas virão, outros sons e o mar e o amar...
E o cheiro no ar, desse mar, desse sal, desse mal,
que me sofre e me arde por fora. Os olhos ardentes,
clementes. E me arde por dentro, essa febre que freme,
esse amor de gente num corpo pedinte. Um calor.
Uma chama de amor e o sol dessa tarde que arde
e flui por dentro e por fora esse mar que me faz amar...

E a hora não passa, embora a desgraça não tarde,
não falhe e não fale e não diga, esse amor por intriga.
Mas o sol, esse sol que é chama também a consome
e um nome lhe vem a lembrança e a bonança lhe invade.
E esse amar lhe abre um sonho, um pensar.
E o sorrir neste rosto, bem posto, no gosto do verão...
Emoção, coração e o balanço das ondas que quebram
na praia. Você transitando leveza, não foge da raia.
Desfila e se esfalfa, deslizando beleza, flanando no ar.
Nesta sede de amar e da água que banha os sonhos.
Nesta seda do meu pensamento em mares tamanhos...
Seu corpo! Há mar! Entre sonhos e fronhas e banhos de amar.

Você neste ar dos meus pensamentos suave flutua.
Meus pés nestas luas fazendo do espaço viagem.
Dos planetas distantes, minhas ruas.
E você neste sol, neste atol, neste chão da paixão
que se eleva por sobre as areias do tempo e o vento
que bate e expande meu sonhar e abate a desilusão.
Junto às areias da praia e às águas do mar, perdi meu coração.
E ali estamos nós, nossos corpos, nossas vidas,
nas areias da praia e nas águas do mar.
Nossos corpos expostos, este jeito de ser, este jeito de olhar.
Nos expomos para o mundo, num gozo profundo,
como alguém que está:
Diante de Eros em êxtase fecundo
e o cheiro no ar:
Quase amando. Quase. A beir(a)mar!

Rio das Ostras, 15/01/2005 (7h58m).