terça-feira, abril 24, 2018

FORMOSURA


A Suêmia Bilé
 
És suave e formoso como a vida, meu Cristo.
Teu olhar é sereno como a paz.
Teus pés caminham firmes e carregam esperança.

E as gentes se juntam à tua passagem
à espera da bênção de tuas mãos erguidas.

As gaitas e flautas cantam, exultantes:

            Falam do brilho do teu olhar
            que apresenta a Estrela da Manhã.
            És suave e formoso como a paz
            que a gente sonha ainda em vida.

            Meu Cristo formoso como a vida
            e suave suave como a paz...
            Há tanta coisa que eu queria dizer
            me faltam notas nesta escala...

É por ti que louva, o que tem fôlego, exultante.
E as tuas mensagens edificantes demonstram:

            Há tantas bem-aventuranças nesta vida
            que a gente vive só por te encontrar...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
28/03/2018 (04h30min).

CÂNTICOS ESPIRITUAIS


A Suzana Soares
 
Os cânticos espirituais alegram o templo,
também podem doer na alma e coração.

Suaves, profundos, agitados ou densos
conduzem o povo em profunda adoração.
Infundem alegria e esperança nos fiéis;
o Cronos se dissipa em cada canção.

Quem canta se entrega, descansa, se apega
na fé que seu Deus é mais do que tudo.
Os cânticos espirituais ecoam a refrega
da alma que quer ter paz sobretudo.

E o culto é suave como a noite estrelada.
                        Os cânticos espirituais...
falam desse intenso amor por meu Deus.
E a expressão do meu ser, a face enamorada
se abre para o divino e os favores seus
ao som que me leva seguro nessa estrada.

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
16/03/2018 (05h50min).

MI-MI-DÓ!


O aluno, ao piano, sente as teclas, mi-mi-dó.
São cinco notas esparsadas de um sonho musical.

Mi-mi-dó, caro aprendiz,
volto logo ao meu passado;
ecoam do piano recordações.
Era desse jeito que eu me assentava
junto ao velho harmônio de Igreja
com meu pai do lado
o método Anna Magdalena Bach à frente
e o campo de pelada na cabeça.

O templo vazio: eu, meu pai
e o harmônio de pedaleira.
O vento passa pelas janelas abertas,
o clima é ameno, mas há uma certa tensão no ar...

Mi-mi-dó, menino que me
faz viajar no tempo,
ao passado, em um certo templo.
São cinco notas da partitura à minha frente;
que repete: Mi-mi-dó.
E segue: Ré-mi-fá-sol-mi...
Dóóóóóóó!

O dedo cravado no Dó é meu choro.
Não serei músico,
nem, tampouco, jogador de futebol,
mas o que se puder aprender
na infância da vida
(reflito eu agora)
se levará para o futuro
e será alimento para as expressões
e os distintivos de personalidade.
Música alegre, santa partitura,
que compõe a minha Broadway pessoal!

São cinco gemidos que saem do meu peito na súplica?

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
15/03/2018 (05h32min).

quinta-feira, março 15, 2018

GERMINAÇÃO

O coro infantil vai participar
ouço o som da bandinha rítmica.

O culto está festivo, brilha intensa luz.
Ardem os corações –
é como se caminhássemos Emaús...

Toda a comunidade está envolta:
transcendência onírica e harmônica.

As famílias transbordam uma tal felicidade,
a paz do Cristo que reina gigante.
Velhos, jovens, crianças
ultrapassando os portões da experiência,
destravando a consciência estéril
e alcançando o esplendor da glória.

O canto congregacional faz o recorte do mundo
é como se estivéssemos numa redoma de paz
onde não somos atingidos pelas setas
que insistem em vir em nossa direção;
somos protegidos pelo acampamento de Deus.

Não há mais fé nos corações rebeldes
que cruzam o tênue limite da fidelidade.
Não há mais Deus na ânsia dos cultos
que satisfazem o corpo e não a alma
onde se silencia a voz do Espírito...
Não há mais Deus nas músicas gospel
que tocam nas rádios e grudam no céu da boca...

E agora? Deus trabalha no silêncio
com os disponíveis e os de fé –
e há sempre um remanescente fiel.
Bate forte o coração de fé e o fruto já é visto,
pulsa intenso o amor e a germinação
vai ter consequência.

Cristo é crucificado novamente nos templos sem Deus.

Os jornais noticiam a violência do pecado.

Mas há um cultivo silencioso que movimenta as manhãs.
Ecoa nos púlpitos bíblicos a Palavra Viva.

Sobe aos céus a adoração de um povo
que trabalha junto com o Pai
e junto dela crescem os brotos da multiplicação.

A fé floresce na vida dos que creem,
a boca dos discípulos é o megafone de Deus,
os corações são a lavoura renovada do Espírito.

Prorrompem orações de gratidão no culto;
na algazarra luminosa do coro infantil;
na retumbante paz que incendeia os corações;
na chama viva da fé que comove;
na ardente expectativa de uma natureza
que geme com dores de parto;
na adoração do culto dos que
não se dobraram ao Baal da modernidade;
na recompensa dos que acreditaram na semeadura,
e agora vivem a iminência da colheita
ante a visível aprovação de Deus –
em campos que germinam o verde da esperança...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
10/03/2018 (04h54min).

NO CULTO

Não ouço mais o suave louvor de teus lábios,
amigo, nem vejo a determinação dos teus braços
a se erguerem firmes na emoção da adoração.

Só vejo os lábios cerrados
e o rosto apagado sem expressão.

Percebo apenas as cinzas,
silêncio e cinzas,
monturos inexpressivos onde já houve fogo.

(Tua presença é destoante em meio ao crepito do Altar
espectro insignificante na fotocélula divina
em que os movimentos das almas que o rodeiam
denunciam sua passividade mórbida...)

Meu triste irmão, sei que estás
derrotado como um campo de várzea,
onde não há bola rolando,
nem há alegria de petizada eufórica:
esta algazarra recreativa da família.

Enquanto todos transitam na adoração
teu corpo inerte, expõe a paralisia da alma.

De que te servem: qualquer gesto meu,
a percepção do que sofres, e até
o encontro de olhares no culto;
se te desvias para o nada,
para o disfarce inútil do caos?

E o que dizer de um abraço,
de uma oração breve ou longa
de uma palavra boa, canção que entoa,
meus lábios para ti?
Se esta tua vida oblonga
pobre irmão – está a diminuir?

És pura inadequação no culto
teu estado é o primeiro; o do pecado.
Sintas ao menos que te amo
e que todo o meu ser é contrição...

Não vejo a Estrela da Manhã em teus olhos,
nem lágrimas furtivas de arrependimento;
mas a secura e frieza do mármore,
lápide mortuária do vazio sem Deus,
em que a luz do Sol foi embora
e escrito está em letras garrafais:
AQUELE QUE MORREU ANTES DA HORA!

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
08/03/2018 (05h44min).

sexta-feira, março 09, 2018

CHUVAS DE BÊNÇÃOS E CRISTO

Cristo e chuvas de bênçãos, experimentação da fé,
enchimento do Espírito, chuvas de bênçãos e Cristo.

As janelas dos céus se abrem e os incontáveis pingos
fazem brilhar a Luz do mundo nas gentes e em mim.

Iluminam-se as chuvas e derrama-se o Cristo,
chove a Luz do mundo em raios promissores.

Cristo e chuvas de bênçãos, a maior abastança,
chuvas de bênçãos e Cristo, o Celeiro de Deus.

O meu desejo da alma é provar de Deus,
dessedentar-me nas chuvas de bênçãos
pra ficar cheio de Luz por dentro...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
07/03/2018 (05h55min).

quinta-feira, março 08, 2018

SIMPLESMENTE MULHER!

                                A Katia Cardoso Soares
Estava por descerrar o pano
da apoteose da Criação,
quando Deus idealizou seu gran finale.
Boa era a natureza, bom o sol, boa a lua.
Bons eram os animais,
até o homem e tudo mais.
Mas, muito bom só seria
o que estava para acontecer:
no auge da criatividade e da inspiração
Deus fez a mulher!
Para que um dia a ti dedicado,
mulher, se teus são os dias;
tuas, as horas; tuas, nossas vidas
aos teus pés vividas?
Tu, mulher, és indispensável!
Impensável é o mundo sem ti!
Impagável é o mundo contigo!
És dona do mundo.
E sob teus encantos se curvam
todos os poderosos,
se mudam todas as resoluções, e se
revogam as disposições em contrário.
Tu povoas o imaginário,
fazes parte do ideário
de tantos quantos ainda
não te alcançaram.
Mulher!
Tu és mãe, irmã, és esposa e filha.
Tu estás por todo o lado dando
brilho e balanço à vida.
Ocupa teu lugar!
Sê aquilo para que nasceste!
Conquista teus sonhos
e teus poemas!
Canta com teu sorriso
e com teu olhar tua existência!
Deixa brilhar no véu de teus
cabelos um manto de estrelas!
Preenche os áridos e disformes
espaços do mundo
com tua forma e teus
contornos encantatórios.
Sê tu! Sê mulher!
Se até Deus escolheu uma mulher
para fazer seu Filho chegar ao mundo,
reconhece o teu valor:

Sê tu mesma! Sê mulher!