quarta-feira, junho 13, 2018

CANÇÃO DE FIM DE MAIO

Como és linda, manhã de maio, manhã de oração.
Linda como os crentes que carregam uma fé no andar.
O verdureiro da esquina testemunharia: são lindos!
A manhã, os crentes e o bom-dia da passarada.

Maio. Inverno próximo. A luz da aurora rompe a serração.
Se esta igreja fosse minha, ela não seria mais...
Não mandaria tapetar, não mandaria ladrilhar.
A igreja aguarda a eternidade de ruas de ouro.
É bom que ela seja – e continue sendo – de Deus.

Neste maio de muito vento, poucas flores, tantos amores
reencontrei o puro gosto da comunhão
quero dar vida aos simples grafemas
tecer laços com muitos poemas
para fortalecer teu jeito, igreja-herdade
de Deus “coluna e firmeza da verdade!”

Quero ter nos lábios uma canção...        Igreja
deixa eu ser feliz...               Adoração.
Os dias passam como um conto ligeiro,
como uma erva, como um vapor,
mas só o Amor, só o Amor é verdadeiro...

                        Se esta Igreja fosse minha,
                        eu nada iria acrescentar...
                        É bom que ela seja de Deus
                        é ela que nos pode orientar.

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
28/05/2018 (04h49min).

quarta-feira, maio 30, 2018

VIGILIAZINHA


Vigiliazinha, os crentes estão indo para o templo,
cada qual tem sua luz própria.

Comércios sem vida espichados nas calçadas
portas de aço frias fechadas aos olhos.

Os crentes vão com a sua luz pessoal
e as ruas se acendem momentaneamente.

(É como as nuvens de fogo de Deus iluminando o deserto!)

Passos solitários disputam a calçada com os crentes
o notívago não tira as mãos do bolso nem para receber o folheto.

É urbana a brisa fria no rosto e tem cheiros vários
o sereno molha a face mas não esfria o coração.

Desta vez os crentes oraram caminhando pelas ruas da cidade
foi uma andança abençoada pela madrugada.

Como os pastores, que na vigília da noite guardavam seus rebanhos,
os crentes guardam a cidade com suas orações móveis.

O Cristo estava vivo naqueles corações adoradores
que faziam vigiliazinha de fé em caminhada.

Mas não era tempo ainda do galo cantar
embora se escutasse o ladrar dos cães...

(Estes faziam sua vigília como melhores amigos
de uns homens tristemente pecadores...)

O notívago voltou depois de ter chutado umas portas
e ouriçado uns moradores de rua ébrios.

Desta vez não resistiu ao enxergar a luz dos crentes:
estendeu as mãos para receber as Boas Novas.

A madrugada está ao meio de uma vigiliazinha
e a um passo de acontecimento luminoso.

Os crentes entram no templo à meia luz
entoam o paulino Cântico de Vitória.

Nos céus as estrelas choram lágrimas de emoção
ante a Luz maior que as originou.

Brilha o mais puro Amor que a humanidade jamais viu.
No templo, à beira rio; nos templos, à beira coração...

É o maior refletor não convencional
de Luz, de Paz, de Amor e de Esperança.

Vigiliazinha.
            Templo. Templos.
Os crentes cuidam da cidade, apresentando-a a Deus.
O Espírito Santo habita em cada vida.

Templo iluminado, corações ardentes!
Uma madrugada se passou e o povo de Deus louva.
A vigiliazinha trouxe paz para a cidade
trouxe harmonia para os corações em fé.

O galo já pode cantar. É sua hora e sua vez.
Já é quase manhã e a vigilância espiritual não cessa
quando entra no templo o notívago sem nome
que encontrou Deus, no caminho,
e está ali presente com um coração ardente...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
27/05/2018 (06h05min).

VIDA ESTAGNADA


O Espírito, soprando, faz a narrativa de uma vida vazia.

Coração de pedra,
a vida é um vulto disforme.

Ó cântico novo!

Vem da congregação – todo harmonia – hino de paz.

Momento de pedra.

Mutismo disfarçado
igreja
tão carismática...
Adora, esquecida do mundo, adora adora,
insensível
onde o rosto visível
do Onipotente?

Nem um desafino,
nem um batismo:
vazio vazio.

Ágape morto,
cadeiras vazias
cálices cheios.

(Vida estagnada...)

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
27/05/2018 (05h06min).

LOUVAÇÃO DA ORAÇÃO SILENCIOSA


No Culto, a Oração Silenciosa...

O pastor conduzia o momento de contrição
                                                era em maio:
o frio já começava na serra,
tão serrana era minha vida no silêncio dessa oração

(como o mês das mães me lembra o bebê que não vingou!)

Eu carregaria para sempre comigo essa lembrança
e as copiosas lágrimas,
                        dos cultos passados com Deus.

Guardo o perfume das primaveras, e o dos talcos e loções para bebê
o vento serrano balança minhas orações.

Ainda há lágrimas interiores, agora em olhos secos!

Minha vida ficou presa no passado
de um pecado não confessado.
Minha vida está suspensa por um fio de oração.

Como o pastor foi sábio naqueles momentos de oração silenciosa...

Sua voz conduzia a congregação à intimidade com Deus,
e eu me debulhava em lágrimas
como espigas de milho secas, descascadas, ao Sol.

Cada vez é maior a minha sombra no chão do remorso...

Passaram-se os anos
e um filme curta-metragem
roda inteiro em meu coração vagabundo.

Toda vez que o piano faz o interlúdio de fundo
para as falas do pastor e o silêncio da congregação –
ouço as batidas de meu coração aflito
e tenho certeza, que no passado, os que perto estavam,
escutavam sua aceleração desenfreada.

E onde estás, arrependimento,
longo como espada de dois gumes que atinge a alma?
Restaurador, tua visita traz alívio e calma
para o cansado e aflito dentre os homens:
és o semeador de trigo nos campos prontos.

Lembre dos que sofreram a dor da miséria:
do pecado secreto; do pecado parceiro;
do pecado coletivo; do pecado da omissão...

Todo pecador sofre de novo, sofre sempre,
enquanto não buscar o seu perdão!

Venha, arrependimento,
fazer o corpo pesado bater asas
e leve-o aos páramos divinos.

Ah, volver ao passado, volverei!

                        Hoje trajo-me de vestes brancas...

Nos momentos de oração silenciosa me curei.

Só Deus sabia da minha ingrata dor.

Fui moço, já sou velho, e no desamparo
não há um justo sequer!
Todos pecaram e destituídos estão.

Quando eu era menina... quando eu era moça...
pensava, falava e agia como tal.

Os meninos de Olaria,
os jovens do Centro,
as meninas do Prado,
os senhores da cidade e do mundo:
cada morro da cidade acolheu seus sonhos...

Amadureci.
Por que a noite chegou tão rápido?

Ah, se não foram as Orações Silenciosas
dos cultos da minha vida,
das falas do meu pastor,
das canções insinuadas,
das lágrimas internas,
das preces balbuciadas
sem forças e até sem fé...

Ah, se não foram as Orações Silenciosas
minha tábua de salvação...

Fala Deus!

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
24/05/2018 (05h01min).