quinta-feira, fevereiro 08, 2018

ÁGUA

Grotão verde nas montanhas expostas.

Contemplo a força da Natureza.

Água.

A sede é toda minha, sede de Deus.
Meus olhos contemplam a fonte, o jorrar,
de águas cristalinas que brotam do seio da terra.

Meu coração tem sede de Deus!
Já não resolve o bebericar das águas oferecidas.
Quer ir direto à fonte.
Não servem poço ou cisterna, quer água límpida.
Por mais fundo de onde venha
ou mais antigo que seja o poço
ou que tenha maior tradição:
meu coração quer a fonte
de Água Viva anunciada Jesus.

As árvores nativas escondem a fonte;
as robustas árvores revelam a fonte...

O viço surpreendente do grotão
anuncia que a fonte é boa...

Coro angelical das águas
que deslizam sobre seixos roliços.

Águas moldam pedras!

A Água Viva amolece corações de pedra.
Cristo molda os empedernidos e
purifica os arruinados moralmente...

Na Fonte ouve-se o bater do coração de Deus.

Água...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
05/02/2018 (04h47min).

UM TREM NOTURNO QUE PASSA

Era uma noite de estrelas que assistia o trem
passando ligeiro nos trilhos da minha vida.

Sentado,
só um pensamento rompia o silêncio da alma.
(O trem soltava faíscas nos trilhos.)

Que noite aquela de menino sonhador,
Maria-Fumaça!
Vontade de pular dentro do vagão de carga
e sumir na cidade grande, depois da escuridão.

Era uma noite de estrelas
dentre tantas que beiravam a linha férrea...

Vontade incontrolável de ganhar o mundo...

O apito do trem anunciava a proximidade da estação...

Recolhi meu pensamento ao lembrar de mãe:
ela me procuraria em minha cama na manhã seguinte.

O trem foi embora mais uma vez.
O trem foi embora para sempre.
Eu nunca parti.
Fiquei até o fim dos dias da minha mãe.

Ficarei, também, até os meus...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
04/02/2018 (06h10min).

NOITE DE IGREJA DO INTERIOR

Noite de igreja do interior, balbúrdia infante,
o templo antigo iluminado e sorridente,
os bancos limpos convidando todos a entrar
e as janelas escancarando possibilidades ao infinito...

Noite clara – os céus de estrelas tomado
o pio da coruja no mourão alto da cerca
e o coaxar dos sapos no brejo
dando ritmo aos passos dos que chegam.

Cantam as meninas no pátio,
num ensaio de última hora da apresentação.

Conversam juniores ridentes,
enquanto chutam bolinhas de papel.

Há homens sérios de terno e gravata
fazendo saudações pomposas.

Casais, com suas crianças,
saem de dentro de uns poucos carros.

Alguns rapazes sisudos
descem de sua montaria impecável.

Um alto-falante toca Feliciano Amaral.

Quanto jasmim perfuma o pasto e ao longe
em meio ao capim limão –
copos de leite sobressaem na noite
fazendo a dança do vento...

O dirigente chega e à sua passagem
os mais velhos consultam relógios
e somam-se aos que já estão
dentro do templo iluminado.

Parece que a noite está inspiradora
como os cultos festivos de Natal.
Meu coração se incendeia de luz
e minha voz quer louvar na liberdade do campo...

A Igreja louva em fervente adoração
e o templo já poderosamente iluminado
é fogo puro nos cinco sentidos do corpo humano
maximizados no Corpo de Cristo ali presente.

Noite de Igreja do interior, recordação;
minha infância vem à tona neste dia de sonho.

Como numa visão dos céus minha alma repousa.

Eu vi a luz de Cristo brilhar no mundo!

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
02/02/2018 (05h52min).

terça-feira, fevereiro 06, 2018

QUANDO ME CHAMAS DE PAI

Tu nem sabes que bem divino,
que alegria louca me fazes sentir
quando me chamas de pai...

É como se destravassem comportas
de águas represadas
e uma cachoeira de vida
rolasse abaixo
nas montanhas do meu viver,
r
  e
    s
      p
        i
          n
            g
              a
                n
                  d
                    o felicidade para todo lado...

Tu nem sabes que bem divino,
que alegria louca me fazes sentir
quando me chamas de pai...

É como se abrisse a portinhola da gaiola
e o pássaro aprisionado dentro de mim
ganhasse os céus da existência
e fizesse piruetas de contentamento
nos novos ares da liberdade.

Tu nem sabes que bem divino,
que alegria louca me fazes sentir
quando me chamas de pai...

É como se no campo, do nada, se fizesse Primavera
e as árvores e arbustos se revestissem de cores
e meu ser descolorido fosse tomado de flores
e o perfume em mim sentido fosse de uma nova era.

Tu nem sabes que bem divino,
que alegria louca me fazes sentir
quando me chamas de pai...

Eu digo isso pra ti em trânsito
com atenção na estrada e o coração na boca.
Tento adivinhar as emoções dessa fala
enquanto as lágrimas aquecem meu rosto sofrido...

Percebo que levas uma mão à face
e imagino a emoção que também te assalta.
Ato contínuo pegas um lenço de papel
(meu coração em suspenso)
há surpresas na manhã da vida...

Mas...
Simplesmente assoas o nariz!

Tu nem sabes que frustração danada,
que decepção louca me fizeste sentir,
quando me provocastes um ai...

Pensei no Pai do céu que tanto nos amou,
ao ponto de seu Filho ao mundo ter mandado.
Pensei na alegria dos céus, junto ao Pai
quando na terra um pecador se arrepende.

Mas em cultos, RDs, evangelismo pessoal,
em PGMs e oportunidades que se apresentam
para experimentação do Amor Supremo...

Muitos ouvem e até choram, mas...
Simplesmente voltam às comidas dos porcos.

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
01/02/2018 (06h11min).

IGREJA ALEGRE

Quando o culto começar já estaremos no templo
esmagando o pecado, clamando ao Senhor
como igreja alegre que se expande em fé
no culto mais vivo de um coração em paz.

Vamos nos envolver em intensos louvores
mergulhar de corpo e alma em doces canções
dar as mãos bem unidos revelando humores
que palavras não mostram nem mesmo no grito.

Suaves, porém firmes, sentiremos a paz;
a sabença que vem da comunicação de Deus:
a ele pertencemos, velho homem vai morrendo
enquanto canção nova e vida, em nós se compõe.

Quanta celebração e paz neste culto ao Senhor!
Mesmo a noite caindo e o cheiro de capim molhado
nesta estrada que nos leva de retorno ao lar
o perfume de Cristo é coração de céu estrelado.

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
29/01/2018 (05h03min).

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

AI, AI…

E os homens naturais se debruçam nas janelas
os naturais se debruçam para assistir
como celebram alegres os espirituais
os homens espirituais no templo do existir.

Canta um menino negro de dentes como a luz,
sorri e canta sem parar a anunciar Jesus.

E os naturais se debruçam para assistir
como é livre e bela a vida do que tem paz
e como é triste e sombria a vida de quem
ainda não nasceu de novo, e se desfaz.

A moça pobre não é bela em seu vestir,
mas caminha esperança em seu expressar!

E os naturais se debruçam para assistir
as próprias vidas se desintegrarem
vendo a leveza emocional dos espirituais...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
29/01/2018 (04h49min).

BALADA PARA OS DISCÍPULOS

Os discípulos caminham, movendo o tempo
fazendo girar a própria vida na vida dos outros
manhã e tarde, um viver intencional
varando ruas e casas, para apresentar Jesus.

Ah, ah, ah, ah... Aleluia!...

Mal nasce o dia e rompe a aurora.
Não há monotonia nesse ir e vir.
Seus semblantes refletem o brilho da paz
no branco mais branco de quem dentro leva
a confiança aguçada e cumpre a missão.

Ah, ah, ah, ah... Aleluia!...

Um doce sorriso no rosto dos discípulos.
Uma canção nos lábios de quem canta o Amor:

...tudo é belo e formoso nestes pés que anunciam
um novo jeito de ser, nova vida ao mundo,
e há uma esperança caminhando no horizonte
na multiplicação de pés que anunciam a salvação...

Para todo o sempre!
Ah, ah, ah, ah... Aleluia!...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
29/01/2018 (04h36min).

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

ENCANTO

Meus olhos se dilatam se você surge repentina.
Tudo pleno, perfeito, profundo como o espanto.
Doce encanto de a encontrar – na terra e nos céus – poesia.

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
27/01/2018 (05h58min).

POEMA DA MADRUGADA

Um galo canta e quebra o silêncio;
outro responde e a madrugada espanta.

É de ouro o silêncio quando não se tem o que falar!

O relógio tiquetaqueia insistente, dando tapas no meu pescoço.
Quem pode ouvir a alma, se o relógio é tagarela?

E – como é boa a madrugada amiga;
tenho fome e sede de suas inspirações...

Quero alcançar com as mãos o poema da madrugada.
Antes, quero alcançar o sonho que vagueia por aí...

Ouro da poesia que vem do silêncio,
musa que passeia livre nos encantos da madrugada!
Brilho! Brilho de palavras:
que lustram do dia seu alvorecer!

São seres, coisas, emoções o que retenho.
Mais que galos, relógios e amores da madrugada:
a poesia tem o sortilégio de flutuar sobre tudo e em tudo...

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
27/01/2018 (05h54min).

PRESENÇA

Tuas mãos passeiam pelas cabeças;
eliminaste uma penca de medos.

E deslizas no templo, todo Santo.
A Igreja aguarda essa presença, como luz.
Há uma paz por todo canto.
Sentimento d’alma que permeia toda a nave.

Um pecador atrasado e maltrapilho agita-se,
e com movimentos bruscos de mãos,
tenta encontrar as tuas...

Quem observa, enxerga ali harmonia.

Coração alegre canta: Aleluia!
Centenas de seres em prece dialogam;
silencioso ruído de vozes da alma.

De repente, falas.

Pela voz do pastor,
a Água Viva escorre suave,
serena e direta mensagem:
Arrependei-vos e crede!

Josué Ebenézer Nova Friburgo,
27/01/2018 (05h36min).