quinta-feira, dezembro 28, 2017

COMEMORAÇÃO

Há um Sol presente na festa
e há paz reinante nestes ares.
Nenhuma comida é indigesta:
foi colhida em meus pomares.

Celebro a alegria do Emanuel;
do cálice, o Novo Pacto do céu...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
27/12/2017 (05h56min).

terça-feira, dezembro 26, 2017

POEMA DA MANHÃ SEGUINTE AO NATAL

Ela está na rua plena de vida
em frente ao meu portão traz seus sonhos
em corpinho frágil de criança pobre.

Seus olhos adicionam à face a interrogação do amanhã.

Pequena e franzina, porta uma sacola
onde pretende recolher as sobras do Natal dos outros.

No seu olhar brilha a humanidade perdida,
o paraíso distante, a estrela que não apareceu:
um John Milton de saias tentando recontar o Evangelho.

As flores daquela rua não estão brotando
e ela toca a campainha com a sacola vazia.

Ela é da altura do amor de todos nós!

Mas somos tão individualistas em nossos natais...
– e em tudo mais –
que não enxergamos na criança inominável
uma manjedoura humana pra Jesus nascer.

A manhã seguinte é a oportunidade que temos
para provar pra nós mesmos que o nosso Natal foi verdadeiro!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
26/12/2017 (06h06min).

PASTORES DE BELÉM

Pastores de Belém, vigilantes noturnos,
vossa esperança é a da luz que expulsa trevas.

Quem fez os vossos sonhos e a perseverança
das mãos calejadas que seguram cajados;
as vossas mãos que conduzem os rebanhos,
durante as vigílias das noites de Belém;
e as mãos que afastam os inimigos noturnos
protegendo os rebanhos das investidas do Mal;
as mesmas vossas mãos que depois adorariam
o menino-Jesus anunciado pelos anjos? Quem fez?

Pastores de Belém...
É como se entrasse no cenário do Natal!

E visse em realidade o céu adentrar a terra
pela presença fulgurante do menino-Deus...

Quem fez vossa persistência e todo vosso preparo,
vossos olhos inquietos a perscrutar a noite
e vossa visão de águia para enxergar anjos
e ouvir os conselhos do Altíssimo
e vos acalmarem ante a glória de Deus
e a palavra do anjo para não haver temor
e a anunciação da chegada do Messias
e a fé que vos acompanharam até Belém
e o privilégio de serem os primeiros
a ver e a anunciar a chegada do Salvador;
quem fez este momento em que miríades
de anjos com vossa fé glorificaram
ante o menino nascido e o maravilhamento do povo?

Pastores de Belém, na luz da vossa fé
e no clarão dos vossos céus está Deus.
É ele quem faz novas todas as coisas...

Como é bom poder estar neste Natal!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
25/12/2017 (05h12min).

NATAL

Os sons das vozes dentro do templo...
Aproximam os céus lentamente.

Oásis pleno de paz,
pleno de amor e de purpúrea luz...

A congregação se inclina ao chão.

Pobres e ricos, remediados,
bem vestidos ou largados
é a gente simples do povo...
A prece se agiganta em adoração
enquanto os joelhos permanecem no chão.

Ó, o toque do Espírito nas vidas,
os sinais do avivamento nas carícias de Deus.

Voeja baixo, saída sabe-se de onde,
uma pomba branca num aceno de paz.

E os autos natalinos com canções de Maria e José,
e o povo cantando em uníssono, expressões de louvor;
na beleza das encenações, do Jesus de Nazaré,
o Natal de novas composições, manifestação do Amor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
23/12/2017 (06h51min).

segunda-feira, dezembro 25, 2017

CHUVA DE ALGODÃO

Caem gotículas suaves sobre os corpos,
jorram dos céus como flocos
e atingem a multidão que no parque
concentra-se para a celebração do Natal.

Cada gota de chuva é um floco de algodão
que massageia os corpos
e os umedece com o bom perfume de Cristo.

Cada braço que se ergue
e cada mão que se agiganta em adoração
– ao som do coro angelical –
é uma virtude bruta lapidada
suavemente pelo Natal.

E louvam:
a chuva nuvem,
a chuva prata,
e a chuva perfume,
e as miríades de seres angelicais
que se unem a multidão do parque
provenientes de outros natais...

É o épico Natal do Milênio
– o Segundo Milênio –
que põe distante a estrebaria de Belém
e aproxima a Segunda Vinda
do Jesus Cristo, Sumo Bem!

Árvores, arbustos, gramíneas e flor;
pássaros, mamíferos e até insetos;
se unem a homens e anjos no louvor
que deixam os umbrais dos céus abertos.

Ouve-se sons de tudo que têm fôlego
criado por Deus, criado pelos homens;
tecnologia e ciência e a Natureza viva
na chuva de algodão, que a tudo suaviza.
E aquece os corações,
aquece, aquece
enquanto aos céus
se erguem preces...

Chuva boa do Amor!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
22/12/2017 (13h45min).

CANTATA DE NATAL

Aos coristas da Igreja Batista do Prado

O dia nasce claro e o sol sorri festivo:
É Natal e de noite tem Cantata!

O comércio se agita e as famílias bem vestidas,
andam unidas neste dia de céu azul
– o sorriso de Deus estava nos céus –
andam unidas, apesar do Mal.

Sinos badalam, o som festivo se ouve,
sacolas nas mãos, presentes, esbarrões,
os pedidos de desculpa, mãos apaziguadoras
e a petizada rondando os pais,
rondando bolsas e carteiras para algo mais.

Ao longe ouve-se um som de poste
que canta o Natal de sempre:
– “Noite de Paz! Noite de Amor!”
É dia claro, mas aquela famosa Noite de Belém
apresenta seus magos, pastores e anjos do Bem!

Hoje à noite tem Cantata e não vai ser no Templo;
vai ser na Praça e o povo está convidado a reunir-se.

As salas das casas sorriem pelas janelas
com suas árvores de piscas-piscas luzentes.
Presentes vários ornam as árvores
e as mesas trazem frutas tropicais.

Mãos se apertam nos esbarrões das calçadas,
no cumprimento da felicidade.
O Natal de Jesus Cristo invade os corações
e traz um novo brilho pra cidade.

É Natal e de noite tem Cantata!
A manhã já se foi, mas o céu continua azul
Chegou a tarde e sopra uma brisa sul.

É hoje! Toda a alegria do coro na Praça
enchendo o arvoredo humano de luz,
apresentando aos cidadãos esta Graça
na Cantata: “Celebrando o Natal de Jesus!”

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
22/12/2017 (05h21min).

MANJEDOURA

O barro é esturricado, asseado,
e traz o brilho dos cuidados maternos...

Solitária.
No interior da estrebaria, rejuvenesce
quando o lugar se reveste de inconfundível luz.

Embevecida, abriga o menino Jesus.

Palavra bonita para o feio cocho
em que animais se alimentaram sôfregos.

Acolhimento.

A velha manjedoura é um coração que bate,
ao ritmo descompassado do desejo.

Palavra que reinventa o berço humilde
e há um gesto de compaixão nas palhas e panos.
Há uma prece de confissão no acolhimento humilde.

Cada coração de fé é uma manjedoura
em que o menino Jesus precisa deitar
para crescer na sua missão
de fazer andar nos lugares altos de Deus
os homens de boa vontade.

A velha manjedoura nos faz lembrar
que somos barro nas mãos do oleiro...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

21/12/2017 (05h18min).

ADORAÇÃO

Entro no templo e os raios da manhã trazem o sol pelas janelas.
É verão e os sinais da adoração ainda surgem tímidos,
enquanto os crentes chegam e se postam a orar junto aos rios de Deus
de onde querem Água Viva.

Sou cântaro resgatado das profundezas do mar!
Meu ser, sequioso, aguarda o jorrar
da adoração em mim, que vem da presença
desse Deus maravilhoso.

Intenso transbordar!

Jorra dessa fonte uma palpitação de adoração.
Sinto na fronte o borrifar das águas de Deus em forma de canção...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
21/12/2017 (05h01min).

DISCÍPULO

O discípulo lembra o mestre e seu livro
de vida plena.

Há parábolas, mandamentos e sonhos;
algo divino entre os milagres.

Na multidão caminha firme e suas marcas.

O povo se curva ao seu doce falar.
Palavras de paz, quais brisas suaves
e folhas que caem como orações.

O mestre está presente em cada palavra;
é a parábola viva.

Esperanças, desejos incontidos.

Todo discípulo é alvorada de futuro
acende a luz do Mestre no escuro.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
20/12/2017 (18h22min).

quarta-feira, dezembro 20, 2017

AOS SONHADORES

Sonhadores das montanhas
Que cultivam uns pomares.
Vós plantais das entranhas
Esperanças pelos ares.

Cada muda que aqui vinga
Dos sonhos, vosso cultivo.
A alma de fé respinga
E rega a terra e dá viço.

Sonhem velhos, sonhem moços
Cada qual tem seu sonhar.
Só colhem frutos viçosos
Os que cuidam do pomar.

Só saboreia a colheita
Dos frutos amadurados.
Se o sonho sem suspeita
Faz deles seus amados.

Mas se bate vento forte
E da tempestade o açoite.
Livra a lavoura da morte
Quem livra a alma da noite.

Colher não é nada fácil
Antes se planta esperança.
O adubo faz a terra dócil
E logo frutos se alcança.

Sois o alimento do mundo
Sonhadores das montanhas.
Com vosso sentido profundo
As colheitas são tamanhas.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
20/12/2017 (06h10min).

A CANETA DO POETA

Tortura de papel; que desafio!
A caneta teima em não riscar.
Poema que está por um fio
Teimando não desabrochar.

A luz brilha em alvo papel
E meu coração iluminado
Já se revestiu de um céu
Mas prossegue torturado.

O poema já existe pronto
Só lhe faltam as palavras
Para o parto acontecer...

Fecho olhos, luz de dentro
A poesia solta as travas:
Contemplo o poema nascer!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
17/12/2017 (05h11min).

terça-feira, dezembro 19, 2017

ESTRELA DA MANHÃ

Tu és a estrela que brilha
Não só na noite escura,
Mas na manhã mais cinza
Com essa luz tão pura.

És a Luz que me ilumina
Em meus caminhos diários.
És o facho que me anima
Sob o som do campanário.

Estrela luzente dia-a-dia
Sol que brilha instantâneo
E a minha vida contagia.

Nenhum medo momentâneo
Desgraça, qualquer pavor
Resiste à luz do teu amor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
17/12/2017 (04h58min).

LÍRIO DOS VALES

De um perfume, que saudade!
Aroma da minha infância,
Seguiu pela mocidade,
Foi vital naquela instância.

Era o Lírio dos Vales
O perfume doce, suave,
A me afastar dos males
E retirar todo entrave.

De sonhos inebriado
No bom perfume de Cristo
Seguia sempre meu Lírio.

Hoje, quando ameaçado,
Da Graça eu me revisto:
O meu perfume e colírio!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
17/12/2017 (04h45min).