quarta-feira, abril 05, 2017

REVISITAS À GRANDE COMISSÃO

1

Ir por todo o mundo
mas primeiro ir
ao mundo interior
e ficar parado
por um tempo
ouvindo a voz de Deus

2

Pregar o evangelho
antes, porém, falar
consigo mesmo
conversar com a alma
dialogar com Deus
ouvir a voz do coração

3

Ir à própria casa
antes de ir
à casa dos outros
falar com a esposa
conversar com filhos
conquistar a família
ser feliz

4

Não ter pressa pra falar –
melhor que falar é viver –
conte com seus gestos
relate com suas ações
que o Cristo lá da cruz
ganhou vida em você

5

Mostre a nova vida
há uma nova criatura
ganhando corpo em você
deixe o velho homem
eis que tudo se faz novo
não há tempo a perder

6

Seja sal da terra
descubra o seu sabor
o tempero de Cristo
dá paladar a vida
e preserva a humanidade
da deterioração

7

Seja luz do mundo
ilumine corações
dar à luz
pode ser mais
que um bebê chegando
pode ser o brilho do Cristo
luzindo na escuridão

8

Se queres seguir a Cristo
primeiro, negue-se a si mesmo
como o próprio Cristo fez
sendo Deus, esvaziou-se
ficando na altura dos homens
para elevá-los, depois
às alturas de Deus

9

Para seguir a Cristo
também é necessário
tomar a cada dia a cruz
carregar o compromisso
da morte do eu permanente
pra não ser permanecente
a vontade pessoal

10

Só consegue seguir a Cristo
ouvindo o “siga-me” dele
aquele que sem embaraços
deixando os cuidados da vida
do mundo fez despedida
e de Jesus segue os passos

11

Não se assuste com a missão
de pregar à toda criatura
o evangelho é contagiante
e tem efeito multiplicador
conquiste um de verdade
torne-o discípulo de Cristo
e ele fará o mesmo
em outro elo de amor

12

O que ouvimos de Deus
o que aprendemos na Bíblia
tudo o que nos ensinaram
vamos transmitir aos ateus
e a quem sedento está
principalmente aos idôneos
para transmitirem a outros
e a Graça reverberar

13

Esse é o método que alcança
a pátria para Cristo –
nossa Judéia e Samaria –
e, até os confins da terra
começa com o primeiro
que multiplica a ação
até chegar ao derradeiro
antes da Segunda Vinda

14

Ide por todo o mundo
fazer discípulos é a ordem
que o Mestre nos confiou
descruzemos, então, os braços
espalhemos todos
a semente boa
da Verdade eterna

15

E os discípulos feitos
com cara e jeito
de discípulo
serão por nós batizados
imersos nas águas puras
para que vidas turvas
sejam deixadas pra trás
no símbolo da nova vida
alcançada no sangue da Cruz

16

Cumprida assim a ordenança
do batismo na Trindade
nesse Pai que com bondade
seu Filho ao mundo enviou
e que após sua missão
deixou-nos o Consolador
do Memorial da Ceia participemos
até que celebremos com Deus
nos céus a santa alegria
realização da Utopia
da plenitude da Vida.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
31/03/2017 (05h15min).

O PREGADOR JESUS

(Com base em Mateus 13.1-9)

O púlpito era um barquinho;
o templo, a natureza;
a congregação estava na praia
e as palavras foram soltas ao vento.
Jesus não foi um escritor,
mas foi um pregador notável.
Multidões acorriam para ouvi-lo
e suas palavras chegavam como brisa.
E mesmo que ele estivesse assentado
e a multidão, por inteiro, ficasse em pé
do barquinho ele não arredava
e das areias o povo não se retirava:
a palavra era forte e desafiadora.
Desta feita, mesmo estando no mar,
Jesus quis falar sobre terra.
Mesmo diante das inférteis areias
ele quis falar de solos semeados.
E Jesus construiu uma linda parábola:
A Parábola dos Solos.
E o povo reunido à volta de Jesus
perto dele ouvia a sua voz.
Um ecoar solene no meio das gentes
que silentes ouviam o Mestre falar:
– O semeador saiu a semear...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
28/03/2017 (09h26min).

EXPERIMENTOS

Eu vi a veia da
“véia” naquela via.
Vi o que ela não via.

Eu vi na “véia” um vulto
que veio do vulgo
e a veia entupia.

Vi o sonho se esvair
como água no ralo da pia.
Vi a vida da “véia” ficar vazia.

Vi o vento vazar do tempo;
o voo dos sonhos se espatifar.
Vi o corpo da “véia” vergar.

Mas vi a vazão da maré –
as vagas que as ondas faziam –
e vi a “véia” voltar a viajar.

Vi o Vento soprar no corpo inerte
e o sangue voltar nas veias
e o ar inflar os pulmões.

Eu vi a vida voltando,
do velho vir algo novo
e a vitória vibrar corações.

Como vulcão que acorda
vi a vida se iluminando
em labaredas de riso vivo.

Para o renovo antever
é preciso determinação:
tem que vir, ver e vencer!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
25/03/2017 (05h24min).

PRA CALAR A NEGAÇÃO

A Derek Walcott

O poeta enxerga a vida de um jeito
que o homem comum não vê.
O poeta pavimenta estradas
que o povo um dia vai percorrer.

O país precisa dos poetas e suas canções
e das poesias jorrando seus filmes.
A poesia da vida nasce de corações:
que, na vida, o Sol, os ilumine.

Que na mente, o brilho, os acompanhe;
que na verve, o talento, os abençoe.
E que canetas não parem de dançar
nos blocos de notas da inspiração.

Que o vento sopre novos fôlegos
e que no Brasil não falte canção.
Que poetas inspirem novos poetas:
De existir a poesia não abre mão!

E que o enredo da vida faça nascer
a cada geração que se levanta
novos poetas pra calar a negação
do poema como alma que se agiganta!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
24/03/2017 (12h17min).

quarta-feira, março 22, 2017

A ARTE DE BRILHAR

A Vanderlei e Neuza*

“Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora,
que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”
(Provérbios 4.18).



A arte de brilhar não é tão difícil assim;
Tente apagar tua luz e deixar Jesus fulgir.
De brilhos que não meus é a Luz que há em mim.

Brilhe um pouquinho de cada vez
(Facho tímido da manhã), mas quebre o interruptor.
A arte de brilhar, te faz freguês do Sol.

Então, brilhe mais intenso, com mais fulgor:
Acenda tua luz sobre gentes e lugares
Como farol na noite da estrada sem pesares.

Brilhei a luz do meu pai. Ah! E como refletia
O que em casa, com meus irmãos, aprendia.
A arte de brilhar começa na reprodução.

Brilhei umas vidas lindas. Exemplos de Deus,
Que me emprestaram seu brilho. Ah, mamãe,
Como a senhora é luz intensa aos olhos meus!

Não tenho saudades dessa luz, tenho isso sim
Saudades do que vivi, que o tempo já levou.
A luz trago no peito, rosto, ninguém leva de mim.

Mesmo brilhando outros (o exemplo, a vida que vai,
O sentimento que vem) resplandeço a minha luz
É que um dia, pela fé, cri no Cristo que me conduz
E pelas obras, resplandeço, para glória de Deus Pai.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
09/03/2017 (09h54min).


(*) Com carinho e gratidão à Deus, pelas Bodas de Ouro completadas em 10 de março de 2017, em concorrida celebração com belo Culto de Gratidão e linda festa promovida pelos familiares. Neusa Peres da Silva é prima de mamãe e seu casamento foi celebrado por papai em 10 de março de 1967. Participei daquela cerimônia, tinha 4 anos e, agora, tive o privilégio de ser o Orador das Bodas de Ouro. Soli Deo gloria!

VERSOS CELESTES - XI

Penso que se olhasse para os céus
toda vez que a planta dos meus pés
pisasse os paralelepípedos de minha rua –
sendo manhã, tarde ou noite;
enxergando o vento, pessoas ou a lua –
veria meu sonho se movendo nas nuvens...

Em algum movimento aparecerá,
quem sabe, a visão:
da pátria para Cristo,
de brasileiros convertidos,
de minha cidade evangelizada,
de minha casa transformada
em celeiro multiplicador,
e eu liderando a visão
de Deus para estes dias.

E as pedras se encolhendo,
pois jamais terão a chance de clamar,
porque o povo de Deus cumpre sua missão;
e as flores tomam conta do espaço;
e os campos floridos, multicoloridos,
anunciam o tempo certo da colheita;
e o perfume do Cristo,
aroma da fé,
impregnando o sonho
de um sopro agradável;
e propondo, às vidas, real sentido.

É o dom de Deus se fazendo pleno.
A vida vivida como nunca.
São os dons do Espírito distribuídos
em graça benfazeja.
E o Corpo se retroalimentando
e causando impacto nas gentes.

Parece que as aves trazem escritas,
nas asas, as palavras “paz” e “salvação”.
E a harmonia celeste já se vive na terra
como uma antecipação
da comunhão eterna do Paraíso.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
22/03/2017 (05h00min).

VERSOS CELESTES - X

A vida segue seu ciclo
na vida de cada um.
Já começamos a trajetória:
uns, mais para trás do tempo;
outros, onde sopra bem forte o vento.
O que todos não se apercebem
é que viver é consequência
do próprio fato de existir.
E que o tempo é inexorável –
faz parceria com o imponderável –
jogando-nos no túnel da eternidade.
O ciclo da vida tem:
desenvolvimento, maturidade, declínio.
E, balizando tudo isso,
nascimento e morte.
A primeira parte já foi acionada para os vivos,
que navegam em céu de brigadeiro
como se a vida fosse apenas
uma gaivota branca em céu azul,
sob a égide da brisa do mar.
E seguem planando levemente
sem perceber que o amanhã
chega mais rápido que a luz.
Ó vida, ó tempo!
Que nos fazem dons quixotes
de lutas abissais.
Tirai-nos da efemeridade
dos olhos condicionados
pelo hoje e suas mazelas.
Livrai-nos da temporalidade;
elevai-nos à transcendência
onde abrem-se janelas.
Que todos vivam na terra
o sonho de uma civilização
que quer construir mundo melhor.
Mas que saibam que a eternidade
não tem limites temporais,
mas se realiza no colo de Deus.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
21/03/2017 (05h24min).

quarta-feira, março 15, 2017

VERSOS CELESTES – IX

Que proveito tem a vida
se é só pra viver pra si?
Pra lutar por conquistas
que não se levam daqui?

E, então, você chegou
– como quem não quer nada
e foi ficando –
e se deixou cair no meu trajeto,
mas se mostrou desperto
na caminhada.

Desgarrou-se do medo,
comigo não teve segredo.
Junto ao chão de minha
estrada se fez barro
e deixou-se moldar como eu,
derreter-se como café na mesa
ou mel que escorre do pão.
E eu ali juntinho
fazendo conchinha com a mão
segurando seu derramar,
não deixando esparramar
suas angústias existenciais,
zelando para que por descuido
não se perdesse seu ser.

Você era um qualquer alguém
que transitava livre e solto
por um tipo de vida
comparada ao deserto,
mas havia força em você.
Mesmo em meio ao caos presente
você estava disposto a vencer
e se abria para o novo.

Então, o que recebi do Senhor
eu também lhe entreguei!
E você se fez discípulo
e começou a imitar-me.
Percebi-me responsável,
não poderia falhar.
E você se aprumou
com o Cristo em sua vida.
E, mais um pouco, reproduzia
o caráter de Jesus;
seguindo a mente do Mestre
envolvido em sua Luz.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
04/03/2017 (05h28min).

VERSOS CELESTES – VIII

Penso a vida como uma passagem:
se deixasse os versos soltos por aí
e umas angústias terrenais pela caminhada
quem sabe até abandonando
certos mapas em desacordo
teria tempo suficiente
para fazer do Caminho
meu ideal de vida.
Quem sabe em algum momento
surgisse pelas estradas
novas oportunidades e companhias
nesse dom da renovação
de pedras polidas pelo tempo;
folhas e flores que se imitam
no verde e na cor;
aromas e sabores que emprestam
toda a alegria do existir.
Quem sabe os que me seguissem
– atraídos pelo novo cântico
que meus lábios entoam –
trouxessem estampadas na fronte
as marcas da nova vida.
Quando enfim chegássemos
ao termo da jornada
e ao epílogo da trajetória
o ponto final vai ornar a lida.
O mundo se curvará
ante o trono do Cordeiro
colocando dia e noite na mesma página
onde o Sol da Justiça
iluminará os corações
daqueles cujos joelhos se dobraram
e cujas línguas confessaram
Jesus Cristo como Senhor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
04/03/2017 (00h17min).

VERSOS CELESTES – VII

Quando se entra no Caminho
dele não se sai mais.
Qualquer atalho eu deixo
secar como espigas de milho
verde ao sol da colheita
livre ao sul da viagem.
Os raios dourados refulgem
e ali do lado existe tentação:
mas só as formigas programadas
atravessam o pasto.
Sigo o Caminho
e sei qual é meu Continente.
Já não tenho coração partido:
a mensagem do Cristo
juntou os cacos perdidos
e unificou meu coração.
Um tapete de estrelas
comprime minha atmosfera.
Transito fácil do verde ao azul
e sigo o vento Norte
da terra aos céus.
Deixo o rastro do cristão
e trago no corpo as marcas.
Vou pisando meu chão
e cantando meus louvores.
Meu pulmão é exatamente
do tamanho da minha fé.
Deixo as sombras doentias,
me esquivo das facilidades.
À Sombra do Onipotente
eu percorro as cidades.
Não há perto e não há longe:
me move o motor do Espírito!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
03/03/2017 (15h50min).