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segunda-feira, dezembro 31, 2018

FIM DE ANO


O ano morto pesa sobre mim
como torrentes d’águas de chuvas
na cabeceira do rio da vida
por entre as montanhas do ser.
Meu corpo sofre a precipitação
dos embates travados no Cronos
dos dias findos na memória...

O que foi não voltará mais
e o sorriso é uma pálida lembrança
de se estar vivo por mais um tempo.

Dentro em pouco,
cada qual fará, do seu jeito
o sepultamento de mais um ano
que já não mais será:
apenas matemática
na contabilização angustiosa
do já vivido
ante o encurtamento cruento
do por viver...

Serei o sonho do possível
ao acordar no Novo Ano.
O que é a vida?
Apenas uma contagem do tempo
por anos, meses, semanas e dias
no calendário do mundo?
Que é o tempo se não
uma marcação sem memória,
sem apreensão.
Não se consegue aprisionar o
tempo na vida.
Não se consegue parar o tempo
na ampulheta.
Não se consegue congelar
os cromossomos e gens
para não se corromperem.
Não se consegue domesticar
a alma para não sofrer...

Preciso de um deus, preciso de Deus!
Um deus qualquer não resolveria
minhas angústias e incertezas.
Um deus qualquer não me apontaria
caminhos de vitória e eternidade.
Preciso de Deus!
Só ele pode trazer alívio à alma
e ele faz um suave convite para isso:
– Vinde à mim!

O Ano Novo está logo ali,
E, em seguida, a vida.
Viver, seguir a vida,
deixar Deus agir, confiar...

É apenas um marca-passo do tempo,
mas o Ano Novo é pressuposto
de chances; novas oportunidades.

Eu quero crer! Eu quero ser! Eu quero fazer!

Vem comigo!

Deus está aqui, bem perto, no coração.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
30/12/2018 (08h55min).

quarta-feira, abril 05, 2017

EXPERIMENTOS

Eu vi a veia da
“véia” naquela via.
Vi o que ela não via.

Eu vi na “véia” um vulto
que veio do vulgo
e a veia entupia.

Vi o sonho se esvair
como água no ralo da pia.
Vi a vida da “véia” ficar vazia.

Vi o vento vazar do tempo;
o voo dos sonhos se espatifar.
Vi o corpo da “véia” vergar.

Mas vi a vazão da maré –
as vagas que as ondas faziam –
e vi a “véia” voltar a viajar.

Vi o Vento soprar no corpo inerte
e o sangue voltar nas veias
e o ar inflar os pulmões.

Eu vi a vida voltando,
do velho vir algo novo
e a vitória vibrar corações.

Como vulcão que acorda
vi a vida se iluminando
em labaredas de riso vivo.

Para o renovo antever
é preciso determinação:
tem que vir, ver e vencer!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
25/03/2017 (05h24min).

quarta-feira, agosto 06, 2014

ÁRVORES NUAS

Com o cair das folhagens
(a nudez das árvores
no outono da vida)
expõe o dorso frondoso
de quem anseia por preenchimento,
de quem está aberto à revitalização,
de que é possível o recomeço.


Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

19 de Junho de 2014 (06h05min).