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quarta-feira, março 22, 2017

VERSOS CELESTES - XI

Penso que se olhasse para os céus
toda vez que a planta dos meus pés
pisasse os paralelepípedos de minha rua –
sendo manhã, tarde ou noite;
enxergando o vento, pessoas ou a lua –
veria meu sonho se movendo nas nuvens...

Em algum movimento aparecerá,
quem sabe, a visão:
da pátria para Cristo,
de brasileiros convertidos,
de minha cidade evangelizada,
de minha casa transformada
em celeiro multiplicador,
e eu liderando a visão
de Deus para estes dias.

E as pedras se encolhendo,
pois jamais terão a chance de clamar,
porque o povo de Deus cumpre sua missão;
e as flores tomam conta do espaço;
e os campos floridos, multicoloridos,
anunciam o tempo certo da colheita;
e o perfume do Cristo,
aroma da fé,
impregnando o sonho
de um sopro agradável;
e propondo, às vidas, real sentido.

É o dom de Deus se fazendo pleno.
A vida vivida como nunca.
São os dons do Espírito distribuídos
em graça benfazeja.
E o Corpo se retroalimentando
e causando impacto nas gentes.

Parece que as aves trazem escritas,
nas asas, as palavras “paz” e “salvação”.
E a harmonia celeste já se vive na terra
como uma antecipação
da comunhão eterna do Paraíso.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
22/03/2017 (05h00min).

sexta-feira, novembro 07, 2014

PEDRAS MUDAS

É pra depois que as bocas crentes se calarem
que as pedras clamarão
e as montanhas cantarão
o gemido das espécies.

Silenciados os profetas
cruzados os braços solidários
desaparecidas as testemunhas vivas...

Dormem os povos e a noite chega
e os brutos tomam conta da Terra
e monstruosidades humanas
– em corpos transmudados em insanidade –
compõem a farsa da vida
dessa fauna que domina a noite existencial.

O silêncio é loquaz
e ecoa o grito do avesso da vida
e os ponteiros do relógio
se libertam do tempo
transformando-se em espadas
no duelo da fé:
o mundo paralisa-se imundo
sob lua minguante.

Mas, há um remanescente fiel
que sorve em silêncio
o vinho do Cálice da Salvação
e absorve a mensagem do Cristo
e expulsa a noite densa
sem provocar ofensa.
Que proclama o kerigma do Cristo
e reapresenta os abraços solidários
e restaura a adoração verdadeira
fazendo com que as pedras
retornem mudas ao seu próprio lugar.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

11 de Outubro de 2014 (12h15min).