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quinta-feira, junho 06, 2019

Breve antipoema das heresias


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SÉRIE – A VIDA É BREVE COMO UM POEMA ESCRITO NA NEVE - 072


Breve antipoema das heresias


crer, descrer e depois crer de novo
a negação do negativo: um aperitivo
não importa o oficial pensamento
nem a ortodoxia crítica do momento
Superman cruza os ares do Brasil:
nem sei pra onde mando este país

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
27/05/2019 (22h53min).




segunda-feira, novembro 05, 2018

NAU BRASIL

Que ondas conduzem o pensar
do poeta por tão bravios mares?
A tempestade açoita a embarcação,
mas o poema não parece soçobrar.
Eis que com os nervos à flor da pele,
o Brasil sobrevive os dias atuais.
E o poeta escondido no porão
compõe, silente, uma breve oração.

Volte pro Continente, poeta!
O mar bravio agita o barco.
Estão desacreditados os marinheiros,
o condutor já deixou o timão;
estão com medo os passageiros,
perplexos diante desta confusão.

Fracotes se escondem nas abas
de antigos poderosos regionais,
que insuflam trabalhadores na lida
com promessas de riqueza e paz.
Com data de validade vencida
seu discurso é remédio ineficaz!

Vou singrando nestes mares, ao vento
duma esperança que trago no peito.
Trago de longe, doutros mares, alento
de que um dia, meu Brasil, vai ter jeito.
Vou com pernas, que têm asas, do Espírito
por honra de promessa do passado.
Dou saltos, de vaga em vaga, e neste rito
meu poema vai sendo impulsionado.

As musas, nestes tempos, se afastam;
tenho sossego de outras inspirações.
Os temores, pelo Brasil, me assaltam;
mais que das musas, as provocações.
As nuvens, nestes tempos, me cobrem;
trazem dos céus, as perfeitas soluções...

País partido, quebrado, dividido;
gente arrasada por horrenda corrução.
A revolta se instalou e sem sentido,
se vê luta de irmão contra irmão.
São extremos opostos das ideologias
que poluem esta nossa embarcação.
São maus, muito maus, os nossos dias
de fazer cortar o mais duro coração.

Mas o poeta trafega nestes tempos,
enxergando com a alma em frescor,
arejada pelo sopro de outros ventos
que infundem nas vidas paz e amor.
Não há lugar pra outros sentimentos:
“Feliz nação que tem Deus por Senhor!”

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
17/10/2018 (04h59min).

segunda-feira, outubro 15, 2018

SOLO VERDE E AMARELO DE SAXOFONISTA SOLITÁRIO


Estufa o peito, o músico
na esquina do meu Brasil.
Enche os pulmões de ar,
solta o som da angústia...

Já foi melhor compreendido,
já foi, também, mais musical.
O pequeno amplificador
não mais emite o piano-base...

Mira o Cruzeiro do Sul,
observa a ararinha azul.
Voo solitário como o seu
naquele saxofone plebeu...

O país acompanha sem parar
a música triste do músico:
é o som da decadência moral,
dessa angústia visceral
que sopra e tira o fôlego
e compromete a respiração
e provoca falta de ar
transtornando o coração...

Uni-vos, músicos da terra;
instrumentistas do Brasil!
Juntemo-nos à Orquestra
que alegrará com canção.

Expulsemos toda a dor
com o Cântico da Vitória.
Que nenhuma desafinação
corrompa nossa história...

Só as vozes do coração
e a doce música dos céus
converterão estes incréus
e mudarão nossa nação!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
04/10/2018 (05h04min).

domingo, fevereiro 25, 2018

FLUTUAÇÕES ANTIGAS

Menino boleiro que já se foi
e a bola rolando no terreiro
a dança dos corpos no jogo
um dia que se vai na serra....

Ficou a sombra da noite próxima,
o banho, o pito, o grito da mãe na janela.
O menino com a bola debaixo do braço
e o short rasgado e sujo em pés descalços.
Geme uma saudade de casa pobre de morro.
Geme uma desconfiança de que tais tempos não voltam mais...

Bola rolando no terreirão.
Dia seguinte à dança dos corpos
e o desenho do jogo no campo de terra batida;
cadernos largados em casa no chão de sua vida.
Menino boleiro que já não é mais;
novo dia nos sonhos do menino das montanhas.

O galo canta no morro na casa do Chico
a manhã se anuncia na voz do tenor de galinheiro.
O menino com a bola gasta debaixo do braço
desce o morro apressado e a vida
quer ganhar o futuro na dança do jogo
deixa pra trás o terreirão e sua gente
anda apressado em busca do sonho...

Hoje ele sabe o preço de corações tristes ao abandono
por um sonho que ainda não veio e nem sabe se virá...

Josué Ebenézer – Rio das Ostras,
10/02/2018 (07h28min).