quarta-feira, março 25, 2009

O CORDÃO DE TRÊS DOBRAS

(Eclesiastes 4.9-12)

Bem melhor é serem dois que estar só
O trabalho em parceria lucra bem mais.
O solitário, se cair, quem terá dó?
Em companhia é possível suplantar “ais”.

Além disso, quem tem alguém, tem o calor
Na noite fria, ao dormir, pra se aquentar.
O companheiro, ao ser alvo de um favor
Sentirá o toque da graça do amar.

Quão bom é ser casal e caminhar junto
Sonhar alto, olhar numa só direção
Vencer inimigos, ter Deus como assunto.

Como cordão de três dobras, a união
De quem tem Deus na vida e casamento
É feliz, duradoura, não de momento.

Nova Friburgo, 25 de Janeiro de 2009. (14h08min).

“WE SHALL OVERCAME”

Cada par de pés que chegava
Naquela antiga esplanada
Outrora mercado de escravos
Consigo também carregava
No silêncio de cada passada
A dor do ferro e dos cravos
O corpo e a mente dos sonhos
Do imaginário da raça
Em tais pesadelos medonhos
Suportados só pela Graça!

Uma mensagem emblemática
Do povo ali reunido
Que chegou bem de mansinho
Ao mundo se fez enfática:
“Pra sempre será banido
Da escravidão, seu espinho.”
E não é troça feérica,
Pois neste vinte de janeiro
Tomou posse o primeiro
Presidente negro d’América.

O mundo se fez reverente,
Pois a história de Obama
É a história de muita gente.
É o conto de quem foi à lona,
Mas deu a volta por cima;
Daqueles largados na lama
Que escreveram com o sangue,
Com lágrimas e com suor
O poema de libertação
Que agora entoam de cor.

A convergência do mundo
Para Washington, DC
É a poesia dos fracos,
Negros, pobres, oprimidos,
De qualquer terra ou nação.
É o canto mais profundo
De quem já caiu em si
Já armou seus barracos,
Mas pra paz só tem ouvidos
E segue com sua canção.

Não começou com Obama
E nem com ele termina,
Pois ainda existe Osama
O “Bin Laden” que azucrina.
Enquanto o mal existir
Obama e o bem têm que haver.
Por isso novel presidente
Siga a sua trajetória
Faça o mundo mais contente
Aprendendo com a História.

Tem que haver mais Woodstock
E bem menos Watergate
O mundo já está cansado
Quer um pouco de deleite.
Lembre-se de Rosa Parks
E aquele ônibus bendito
Onde ela se assentou.
Leve o povo para os parques
E proclame em alto som
Que o mundo se libertou.

Leve o povo às igrejas
Restabeleça a sua fé
Se todo mundo é irmão.
Negro, branco, ameríndio
Vivendo em comunhão
E o Universo de pé!
Tenha visão holística,
De um World Way of life.
Você criará uma mística
Que seu carisma consagre.

Lembre-se dos dias cruéis
Da segregação racial.
Os heróis que o antecederam
E suportaram o mal.
Lembre-se de Vernon Jordan
E sua tarefa exemplar
Na Universidade da Geórgia
A primeira negra escoltar.
São tantos os exemplos
Não é difícil recordar...

Mas eu não posso esquecer
Do grande Luther King
O herói dos direitos civis
Honra e glória de seu país.
Fez a marcha do milhão
Manteve acessa esta chama
Fez do negro uma nação
Numa América que se ama,
Mas que ceifou sua vida
Em melancólica despedida.

Pode dizer Barack Obama
Junto com seu afro povo
Que a América venceu.
Mas cuidado com a fama
Quando haverá de novo
Esta chance que se deu?
Chora agora de alegria
Pois raiou um novo dia.
Faça festa, balance ramos:
Pois, afinal, triunfamos!

Niterói, 21 de Janeiro de 2009. (7h45min).

sábado, março 21, 2009

SOLIDARIEDADE NACIONAL

Moldado para ser grande
Pra crescer e se expandir
O Brasil de verdes matas,
Da Amazônia e Pantanal,
Viu murchar o seu sorrir
Como flor em sol clemente
Quando as águas da enchente
Do verão descomunal
Tomaram o sul brasileiro
Provocando o caos geral.

Mas como é forte esta gente,
Do Oiapoque ao Chuí,
Gente que o sol não queima
E que a fome não mata
Que na aridez da caatinga
Permanece ainda intacta.
O país deu uma resposta
Resposta de solidariedade
Forjando nação disposta
A lutar com tenacidade.

E de todo canto se viu
Solidariedade nacional
Gente doando o que tinha
E o que não tinha também
Na certeza de que o mal
Só se vence com o bem.
E o sul recebeu doações
Roupas, grana e alimento
Vindos de todos os rincões
Por onde soprou este vento.

Mas alguns não entenderam
Este gesto brasileiro
Este gesto de amor.
Estes poucos esqueceram
Que é mais bem-aventurado
E um gesto altaneiro
Tornar-se um doador.
Estes poucos macularam
A compaixão nacional
Com seus laivos de egoísmo.

Ah, Brasil, não se esqueça
Mesmo com dor de cabeça
Por causa dos que envergonham
O caráter deste país.
Que como nação irmanada
Desta terra enamorada,
Por esta gente feliz:
Que vale a pena ainda crer
No amor ao próximo e saber
Que Deus é nosso Juiz.

Por isso, na providência,
De Deus para o seu povo
Como semente na terra
Anunciando o renovo:
A gente pode esperar!
Pois quem tem Deus como guia
E sabe ao próximo amar
Caminha feliz neste mundo
Tomado de amor profundo
Na graça do compartilhar.

Niterói, 21 de Janeiro de 2009. (7h45min).

O AMANHECER

Acende, no poente, um sol em brasa
E aves, aos bandos, saúdam o dia.
Meu ser, sem esperança, e vida escassa
Anseia, do raiar do sol, muita alegria.

Esconde-se, no horizonte, a noite finda
E o sol, soberbo alcança a passarela.
Vejo as árvores, e o riacho, a vida é linda
Raios invadem meu rancho fundo, pela janela.

Um mundo de sonhos, e amor, me traz o sol
No amanhecer de um novo dia e seu sorrir
Escancarado nas cores rubras do arrebol.

É a natureza se renovando a cada manhã
Anunciando que algo melhor está por vir
Neste hoje, ontem, tão esperado amanhã.

Niterói, 21 de Janeiro de 2009. (6h45min).

SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS

Senhor!
Nestes dias tão sombrios
De pecado e de sofrer
Onde as gentes enganadas
Vivem tristes sem saber
Que suas almas desviadas
Não caminham para os céus
Faça de mim um homem
Segundo o coração de Deus.

Senhor!
Nestes tempos tão difíceis
Quando o homem afastado
Não enxerga o seu pecar
Já perdeu a consciência
Não sabe se comportar
Anula os desejos meus
Faça de mim um homem
Segundo o coração de Deus.

Senhor!
Meu desejo nesta hora
Ao ver o mundo assim
É perceber ir embora
Todo mal que há em mim
Minha oração fervente
Clamando favores seus
Faça de mim um homem
Segundo o coração de Deus.

Nova Friburgo, 16 de Agosto de 2008. (21h).

SE

Se eu seguisse ao teu lado
por entre árvores e vazios.
Ah, se desse jeito fosse
não tomaria um sorvete contigo na praia.

Minha amada, a taça está cheia.
Sinta as cores e sabores
de todos nossos amores...

A taça está cheia e vamos sorver
as delícias do amor
com cobertura de esperança.

Não seguirei por entre árvores e vazios
porque quero sentir as areias quentes da praia
por sob meus pés desnudos
e tomar um sorvete contigo
debaixo do coqueiro brando.
Quero levar a taça aos teus lábios
e beijar-te gelado com sabor de menta fresca.

E quero sentir teu cheiro
trazido pelo frescor da tarde praiana
e viajar gaivotas no idílico sonho azul
de nossas promessas de amor.

Volta Redonda, 24 de Julho de 2008. (9h28min).

ME

Nos cantos do sabiá me sonho
Nesses cantos me enleio
Minhas dores que já são quase
Bálsamo em águas de chuva mansa.

Nos vôos do sabiá me sonho
Nesses vôos me enleio
Sentir dor é calmaria
Anunciada num azul de céu.

Como os cantos que reverberam
E reproduzem os mesmos cantos
Saltito por sobre as nuvens
Sempre buscando o meu canto.

Como os vôos que itinerário
E de pensar prosseguindo
Nas canções de canto e sonho
Sobre as nuvens sempre indo.

Volta Redonda, 24 de Julho de 2008. (7h48min).

PARA SEMPRE BRILHAR

A Josué & Consuelo Sylvestre (Bodas de Ouro)

Brilhe com seu brilho, brilho de amizade.
Refulja por inteiro, no esplendor da paz.
Casal que traz no peito, sonhos da mocidade
E juntos na estrada, o amor refaz.

Josué, um valente, guerreiro e salvador.
Uniu-se a Consuelo, sua amada e meiga.
Construiu história; com ela, sua eleita,
Sob bênção divina e proteção do Senhor.

Por isto neste dia, de comemorar Jubileu
Que o ouro desta festa, seja o brilho do olhar
Seja a paz de espírito e a canção do amar.

E a família reunida, e cada amigo seu -
Oh casal benquisto, pleno de amor e graça! -
Seja brinde dos céus; brilho eterno em sua Casa.

Itaboraí, 29 de Maio de 2008. (9h46min).

DESPEDIDA

No dia da minha morte,
Na hora do meu enterro:
Distribua para todos os convidados
Um pão de mel
Do apiário “Amigos da Terra”
E leia o Salmo 119.103,
Orando para que todos os presentes
Possam ir para onde fui,
Pois estou junto do Pai.

Nova Friburgo, 19 de Abril de 2008. (7h45min).

QUERO

Quero teu sorriso mais lindo,
Teu amor mais perfeito,
Teu sonho mais aventureiro.

E quero andar nas mesmas estradas
De teus pensamentos
E cantar as mesmas canções
De teu vasto repertório de sonhar...

Pode ser que a chuva caia forte
E riachos se revoltem e desobedeçam
O curso do leito,
Mas eu não desistirei de seguir
Em tuas correntezas
E remar tuas esperanças.

Nossas águas se encontram
No vasto Oceano do amor.

Nova Friburgo, 12 de Março de 2008. (18h24min).

domingo, fevereiro 22, 2009

ENTRE DOIS AMORES

Bruxuleante esteio de incauta era:
Dinheiro e prazer dos que buscam paz.
O urbano rico sonha esta quimera
Sobe o morro e na favela de ilusão se faz.

Vivemos tempo ignóbil de vã filosofia
Hedonismo crasso a romper valores.
Busca-se no prazer a terceira via
Pra fazer sentido entre dois amores.

Vivemos tempo indócil, prenhe de tensão
Grande encruzilhada propondo cruel escolha
Presente e futuro acelerando o coração.

Entre o futuro incerto, filho da esperança
E o tempo presente, frágil como a folha
Opta-se pelo prazer e não há bonança...

Nova Friburgo, 12 de Março de 2008. (16h33min).

domingo, fevereiro 15, 2009

DESENCANTO

A distância engoliu sorrisos;
Escondeu faces.
De há muito se foi a comunhão
De pele com pele
Dos beijos e abraços
Da amizade...
E a fertilidade do Corpo
Deu lugar ao esfriamento
Da emoção.

Já não havia mais vibrações
No pandeiro da vida,
Assim como a harmonia das cordas
Cedeu lugar ao vazio oco do violão...
Tudo porque o pecado foi mais forte
Naquela vida
Que desistiu de lutar...

Que Diabo!
Esse ladrão de alegrias...

Fico triste quando alguém me provoca
O desencanto.
Só porque não é capaz:
Da humildade,
Do reconhecimento do erro,
E da força para produzir
Nova esperança...

Nova Friburgo, 12 de Março de 2008. (20h18min).

SONETO DA AMADA INCERTA

“Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!”
Eterna musa a povoar meu verso
És doce paixão e meu universo
Que me satisfaz com tal brandura.

Flor bela do céu que a terra chegou
E em meu canteiro se fez candura.
Forte rebuliço que me inquietou
Propôs-me amor e qualquer loucura.

Oh! Musa de sonhos! Meu doce esperar
Singela oferta de amor no porvir
Em teu coração há força do amar.

Se não posso ter-te, que venha a mortalha
Sem ti quero a morte e o que dela advir:
“Perde-se a vida, ganha-se a batalha!”

Nova Friburgo, 17 de Março de 2008. (14h09min).

Obs. O primeiro e o último verso são de Machado de Assis, num soneto não realizado relatado em um de seus livros. Exercício de criatividade.

HOUVE UM TEMPO...

No passado houve um tempo
Em que tempo existia
De ouvir os passarinhos
Em seu canto de alegria.
De sentir a Natureza
Em seu pleno esplendor,
Contemplar toda beleza
Com presteza e langor.

Houve um tempo no passado
Não tão distante assim
Que o homem enamorado
Olhando pra o céu sem fim
Deparava-se com a lua
E mesmo no meio da rua
Abraçando a namorada
Compunha versos pra amada.

No passado houve um tempo
Tempo de valor imenso:
Não se vendia ou comprava
Simplesmente se gastava
Com família e com amigos
Num labor febril intenso
Para fugir dos perigos
Daqueles ladrões de horas.

Este tempo do passado
Um tempo valorizado
De intensa comunhão
Era um tempo de harmonia
Vivendo com euforia
As coisas do coração
Fazendo com que o dia
Fosse mais que rotação.

Ah, que saudades do tempo
Que se enxergavam estrelas
E se sentia o vento
A baloiçar os cabelos.
Brisa suave da tarde
A eriçar os meus pelos
E eu nestes desvelos
De um coração que arde.

Houve um tempo no passado
Em que existia heróis
E que o braço do homem forte
Era o braço do guerreiro.
Mas já se deixou de lado
Esse tempo dos cowboys.
Hoje o ser encontra a morte
Sem ser homem por inteiro.

No passado houve um tempo
Em que tempo já havia
Pra compor canções da noite
Num banho de poesia.
E a vida corria lenta
Tudo era inspiração
De que a alma se alimenta
Pelas vias do coração.

Houve um tempo no passado
Recoberto de esperança
O stress não existia
Vivia-se a bonança.
Era um tempo mais sincero
Onde a verdade no rosto
Tornava o homem vero
Rechaçando qualquer mosto.

Neste tempo do passado
O homem podia chorar
As lágrimas eram possíveis
Como possível amar.
Não havia a vergonha
De sentir qualquer tristeza
Vivia-se com realeza
E uma graça tamanha.

Tenho saudades do tempo
Em que as lágrimas regavam
A fé e a esperança
Dos homens que confiavam.
Este tempo do passado
Não mascarava o real;
Cada homem perfilado
Vivia seu bem, seu mal.

Hoje, uma canção qualquer,
Um programa de tevê,
Uma fantasia de mulher,
Imagem que só se vê
Em programa de auditório;
Tenta construir um homem
Um ser para este tempo
Mas é tudo ilusório...

Para o tempo de hoje
As ações de nossos dias
Quero encontrar ser real:
Um alguém de carne e osso,
Sentimento e emoção,
Indivíduo integral,
A viver de coração:
Que sendo velho é moço!

São Gonçalo, 08 de Janeiro de 2008. (21h40min).

SONETO PARA UMA MENINA EM FLOR

Para Noemi em seus lindos oito anos de idade.

Deus me deu para sorrir e com ela me alegrar
Uma bela morena, bela menina em flor.
Que com seus olhos vivazes, sorriso de encantar
Trouxe grande emoção, nova vertente de amor.

Esta menina pequena na vida a desabrochar
Ainda é botão de rosa, pétalas de harmonia.
Traz perfume intenso, essências pelo ar
De forma vaporosa é a própria poesia.

Minha menina em flor, este amor de pessoa.
É solo e horizonte, a beleza em floração.
Sua voz bem suave, em todo meu ser ecoa.

Por isto neste seu dia, de parabéns e festa.
Ergo esta poesia, dominado de emoção.
É a minha alegria, uma rosa na floresta.

São Gonçalo, 07 de Janeiro de 2008. (22h30min).

SONETO DO AMOR DE CRISTO

Para um coração amante que sonha
O amor mais puro e mais leal de alguém.
Não há melhor exemplo que se entranha
E na vida traz conforto e faz tão bem.

Que o amor de Cristo, bem como seu desvelo
De se entregar por toda a humanidade.
Quem ama deve já seguir este modelo
E amar com força e tal sinceridade.

O amor de Cristo é incondicional
É amor de entrega e de renúncia tal
Que igual não houve nunca nesta terra.

Pois sendo Deus, esvaziou-se a si mesmo
Para que cada ser não mais andasse a esmo
Seguindo o Mestre como quem não erra.

São Gonçalo, 06 de Janeiro de 2008. (9h30min).

SONETO DE DESPEDIDA

É a vida, doce canção ao violino
Que o músico terno afaga num abraço.
Das cordas do instrumento só sai um hino
Se o músico conduz sua alma pelo braço.

Assim é cada ser e aquele que ama:
Instrumento e tocador em simbiose,
E nos dois seres o amor logo emana
Em perfeição de sintonia por osmose.

Mas chega o tempo impossível de seguir
Os dois juntos a compor doce canção:
O músico tem que partir; deixa o violino.

Só peço a Deus pra em sua vida intervir
E que outro músico em ti não ponha a mão
Pra não haver descompasso ou desafino.

São Gonçalo, 06 de Janeiro de 2008. (11h25min).

ONDE A GLÓRIA DO POETA?

A formiga altiva, a folha levanta,
Mas não se verga ao peso de seu labor.
No pedreiro, o tijolo, é esboço de planta
Que ergue o imaginário do construtor.

Quem sou eu com meus poemas e palavras,
Canções que ergo sem sequer usar as mãos?
Onde a glória dos poemas que são lavras,
Pepitas de ouro, não sentimentos vãos?

Hei de cantar meus versos, proferir canções.
Dedilhar arpejos dest’alma efervescente,
Erguendo mansões ou choupanas nos corações.

Só não desistirei de ser poeta nunca,
Pois a glória do poeta é dessa gente
Que a poesia põe sorriso em alma adunca.

São Gonçalo, 06 de Janeiro de 2008. (8h10min).

O CORAÇÃO QUE NÃO SE VÊ

Se esta gente lustrosa, cujos rostos brilham,
feições se apertam em preces de louvor;
e abarrotam igrejas, como fiéis que trilham
o caminho seguro de Cristo o Senhor.

Se suas mãos levantadas não fossem gestos:
coreografia estudada pra multidão.
Tão somente expressão, desejos manifestos
servir a Deus em verdade, de coração.

O que não se vê, apenas se pressente
sentimento que corrói o imo humano,
tal inveja cruel não estaria presente.

Mas ainda não chegou, está sim no arcano
pra muitos que estão no meio dos louvores
o encontro vero, com o Senhor dos senhores.

São Gonçalo, 06 de Janeiro de 2008. (7h35min).

MINHA ESPOSA

Andando agitada nos cantos da casa,
presença marcante qual sol de meio-dia;
vou sorvendo este licor, erguendo a taça,
do mais doce sabor, sabor de alegria.

Seu jeito suave em andar que é sensual,
nas lides diárias de mãe consciente.
Aproxima-me o céu, tornando real
as delícias sublimes de uma esposa contente.

Quanta gente não sabe o que é ser amado
cujas vidas não têm um quinhão de valor.
Eu sou grato ao meu Deus pela esposa ao meu lado.

Sou um astro que brilha no céu do amor.
Minha esposa é filha da mãe Natureza
e eu me fastio de sua graça e beleza.

São Gonçalo, 06 de Janeiro de 2008. (7h15min).

quinta-feira, janeiro 01, 2009

SÍTIO DO JAMBEIRO

A Nilson Gomes Godoy

Hoje, calmo fiquei no sítio do amigo;
sítio de terra batida, de terra molhada,
onde as árvores campeiam e eu sobranceiro
sinto o cheiro da chuva e penso comigo:
" - Quão bom é descansar e ouvir na madrugada
os pássaros cantantes no Sítio do Jambeiro!"

Hoje, parei no tempo e fui descansar
deixei o labor de lado em busca da brisa;
ao encontro do ócio que refaz corpo e alma.
No Sítio do Jambeiro encontrei um pomar,
de mangas e abacaxis que o paladar frisa
no doce saboreio, em meio a suave calma.

Hoje, refiz o caminho da cidade ao campo
do homem em priscas eras o chão da poesia
revisitando o encanto da gentil mãe Natureza.
E então na emoção do solo fez-se o pranto
da saudade que no peito fez-se em agonia
do moderno de concreto que desfaz beleza.

Hoje, no Sítio do Jambeiro, vi nascer sorriso.
Senti o corpo relaxar em águas refrescantes;
joguei conversa fora com amigos do peito.
E a alegria brotou forte em mim e mais que isso,
da terra e seus prazeres que nos faz amantes
hei de desfrutar com mais vagar, não vejo jeito!

São Gonçalo, 05 de Janeiro de 2008. (9h15min).

SONETO PELOS QUARENTA ANOS

A Jason Lúcio de Sousa Soares

Quem chega aos quarenta, cansado da luta.
Já não se contenta com qualquer disputa.
Pois a vida se esvai e passa voando:
É o tempo que vai aos poucos minguando.

Quem chega aos quarenta, já olha para trás.
Passado relembra, porém quer algo mais.
Quer boa lembrança, rever o que perdeu
Seguir a andança, conquistar apogeu.

Traz filhos no colo, um sonho de futuro.
Erguer sua história, deixar recordação.
Semente no solo, um homem maduro.

Depois dos quarenta já vem o declínio
Há muita memória e nem tanta ação
De Deus se alimenta e do seu fascínio.

Nova Friburgo, 04 de Janeiro de 2008. (8h06min).

SONETO PARA O ANO NOVO

Quando chega um novo ano e se quer a paz
Quer-se achar a felicidade e algo mais
Só há um jeito pra encontrar o que se busca
É abrir a vida pra luz que não ofusca.

Quando o ano que chega propõe sensação
De algo bom e alegre: só realização.
É preciso recorrer a quem a possui
E com amor e zelo presto distribui.

Novo ano: renova, traz esperança,
Infunde alegria, transforma o viver,
À alma aflita esparge bonança.

Mas tudo é efêmero, alegria fugaz
Se o homem incauto só quiser receber
Benesses, porém, sem o Príncipe da Paz.

Nova Friburgo, 03 de Janeiro de 2008. (12h23min).

TROVA DE NATAL VII

Quis a vida apor sonhos
Aos sonhos que não teve
Tão medonhos e tamanhos
Que o Natal se deteve.

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (12h10min).

TROVA DE NATAL VI

Sapatinho na janela
A espera de Noel.
Não é este pai que vela
É o nosso Pai do Céu!

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (12h10min).

TROVA DE NATAL V

Naquela árvore bela
O menino a refletir
Viu seu rosto na bola
E a lágrima a luzir!

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (12h05min).

TROVA DE NATAL IV

A árvore natalina
Enfeitada de festão
Não resolve a sina
Da pobreza sem feijão.

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (11h60min).

TROVA DE NATAL III

Há uma estrela que brilha
Sempre brilha de esperança
Para quem segue na trilha
De Jesus com confiança.

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (11h57min).

TROVA DE NATAL II

O menino que sorria
Na vitrine do Natal
Tinha a barriga vazia
De qualquer doce ou sal.

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (11h54min).

TROVA DE NATAL I

O que será do Natal
Do jeito que a coisa anda?
Se a humanidade vai mal
A esperança desanda!

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (11h51min).

segunda-feira, dezembro 15, 2008

O NATAL DA MENINA POBRE

Ela não tinha sorriso, seu jeito era sem graça.
O vestido roto e velho não emprestava beleza.
Mas estava todo dia, perambulando na praça
Tentando driblar o destino, afastar toda a tristeza.

A família era simples, morava em simples casebre.
O seu pai desempregado, inconformado em ser pobre.
E pra somar a desgraça, sua mãe ardia em febre
Enquanto ela na praça se esforçava em ser nobre.

Mas era difícil a sina, dessa tão simples menina:
Vencer todo o preconceito e amealhar uns trocados;
Extrair da vida canções em alma que desafina.

Mas o Natal da menina, não teria bons-bocados,
Enfeites, bolas, presentes, nem sequer pequena luz.
Não fosse o grande achado: Ter encontrado JESUS!

Campos dos Goytacazes, 07 de Dezembro de 2007. (11h21min).

É NATAL!

Vi a cidade mais colorida
E o sonho invadir o real.
Vi a cidade iluminada
Pensei comigo: “É Natal!”

Vi sorrisos enfeitar pessoas
E presentes de mão em mão.
Gentes se tornando boas
Porque é Natal no coração.

“É Natal” eu bem sei disso
Não pelos enfeites que vi;
Sabe quem tem bom siso.

No sorriso da criança entrevi
A paz do menino de Belém
E os anjos dizendo “amém!”

Nova Friburgo, 16 de Dezembro de 2007. (19h).

RECEITA PARA NÃO SE TER UMA FESTA FRUSTRANTE

Promova um evento
(pode ser casamento).
Junte os convidados
pode ser aos punhados.
Contrate os garçons,
pague o buffet,
(cuidado com a escolha)
pra não se arrepender!
Não faça na encolha
tem que acontecer.
Frite os salgados na hora
(frio ninguém merece).
Quando não puder ser
pelo menos vê se aquece.
Refrigerante? Nunca é demais!
Vê antes se está com gás.
A noiva e até o anfitrião
não podem chegar atrasados:
deixam os amigos na mão,
desrespeitam os convidados.
A decoração deve ser simples,
mas não pode faltar.
Festa sem brilho e luzes
é como casamento sem noiva
e o noivo bobo no altar!
O serviço deve ser ágil,
os convidados querem comer.
Se a cozinha não anda
é porque algo não funciona
ou é tudo embromação.
Não pode o ambiente,
aquele que os convivas estão,
custar mais que a festa em si.
Não precisa ter muita coisa:
a festa com singeleza
num serviço bem urdido
é garantia de satisfação.
Guarde pro fim uma surpresa
e todos da festa falarão.
Não com ares de zombaria,
de deboche ou rejeição.
Mas com elogios ao bom gosto
de quem fez a produção.

Nova Friburgo, 24 de Novembro de 2007. (22h30min).

EU TAMBÉM TENHO UM SONHO

A Martin Luther King

Eu tenho um sonho
Que é maior que todos os outros;
Todos os que já acumulei nesta vida.
É um sonho profundo,
Um sonho denso,
E quando nele penso
Vislumbro o mundo.
Vejo todas as gentes, todos os povos,
Unidos numa só bandeira.
Todas as nações integradas,
As gentes irmanadas
Neste sonho.
Enxergo nos desvãos da história
Uma nova trajetória
Para a paz.

Eu tenho um sonho
Que engloba e absorve
Todos os sonhos de minha vida.
É um sonho humanitário,
Um sonho espiritual:
Gostaria que Deus fosse prioritário
Na vida de todas as gentes
E os valores espirituais
Governassem o mundo.
É um sonho de esperança
E com toda a confiança
Nele descanso.

Eu tenho um sonho
Que pode transformar o planeta.
Ele viaja em meu pensamento
Como um luzente cometa
A iluminar os meus dias e noites.
A sociedade seria diferente,
As transações mais honestas,
Os relacionamentos mais perfeitos,
Se todos como Martin Luther King
Não vissem o mundo como um ringue
Onde tivéssemos que brigar.
Mas enxergassem a vida como escola
De onde a sabedoria de nós decola
E nos ensina a arte de amar...

Nova Friburgo, 22 de Novembro de 2007. (12h50min).

HEI DE CHORAR

Hei de chorar dorido pela minha flor
Que presto vem e logo vai, no alvor da vida.
Acenando-me com perfumes de amor
Não sabe o que lhe reserva a triste lida.
Bela e frágil desabrocha em meu solo
Traz por dentro a maldição de insana febre.
Aconchego-a bem sereno no meu colo,
Mas sua vida está em fuga como lebre.

Ah, amor, se eu pudesse aprisionar
Ao menos um pouco desse seu perfume.
Antes que o sol incremente, a despetalar
Reduzisse minha existência ao queixume.
Prosseguiria algo feliz, alguma bonança
E os meus dias, tristes dias sem te ter -
Trazendo de ti, cor e forma, na lembrança -
Amenos seriam: calmos, até o adormecer.

Nova Friburgo, 21 de Novembro de 2007 (15h30min).

SINTO SUA FALTA

Sinto sua falta.
Você não mais me quer.
Queixo-me aos pássaros.
Mas eles nada dizem.
Os pássaros apenas cantam
(E eu gosto de você, mulher!)
Eles apenas espantam
Esta angústia do meu peito
Pela falta que tenho de você
E dadas às circunstâncias
Concluo que não é pouco.

Sinto sua falta!
E que falta você me faz.
Vou reclamar com as estrelas
Mas como?
Se elas apenas brilham?
Mas já é alguma coisa
Para um coração tão sombrio.
Já é alguma coisa
Para alguém tão tristonho,
Que não se acostumou a ser tão somente
Sombra do sol do meio dia.

Nova Friburgo, 19 de Novembro de 2007 (12h15min).

CORDILHEIRA DO AMOR

A visão dos altos e baixos da serra à minha frente
Propõe-me na alternância de suas montanhas
A imagem do amor que toma conta da mente
E motiva a visão e revolve as entranhas...

O amor é sentimento que com suas ondulações
Quando no alto, se precipita, se não houver cuidado.
Mas, se palpita ardente em dois puros corações,
Quando no baixo, se eleva, até o céu estrelado.

E nessa cordilheira, que se estende pela vida
Eu prossigo, arborizado, respirando seus ares.
E seguindo alegremente, rompendo as dores da lida
Desfruto do amor sabores, das montanhas os pomares.

Sabendo que se embaixo, mais a frente se elevando
Tenho certa a esperança de dias que não são iguais.
Porém, se estou no alto, é sinal que estou amando
E que o sonho não acabou, não acabou jamais!

Monnerat, 19 de Novembro de 2007 (18h33min).

CAOS ESCATOLÓGICO

No dorso nu da montanha
Não há gado pastando
Nem árvores sobressaindo
Ou aves nos céus voando.
No dorso nu da montanha
Há relva, gramínea seca;
Há um homem com marreta
E casebre se erigindo.

Nestas encostas da serra
Os meus olhos enxergam
As mãos de um Deus Criador
Que o mundo fez com perfeição.
Mas nestas mesmas encostas
Que têm belezas que cegam
Eu vejo com muita dor
Crateras da destruição.

É que no cimo da montanha
Chegaram homem e máquina
E com maldade tamanha
Provocaram desastre ecológico.
E lá do alto, bem acima do monte,
O Criador triste observa o desmonte
Que os homens fazem da Natureza
Enquanto se esvai toda a beleza...

Nova Friburgo, 19 de Novembro de 2007. (19h14min).

UM NOVO TEMPO

Meu coração está em angústia,
sente a dor de um tempo vazio.
Percebe o fracasso da humanidade,
o caos da ciência e da tecnologia...
E ao caminhar pela cidade
deparo-me com faces em demasia,
rostos mesmerizados pelo frenesi,
disfarçando da vida a sua ânsia.
Mas enquanto o perdido não cai em si,
de Cristo não tem sua abundância.

Meu coração vive a expectativa
das mudanças que se precisa ver
operando silente no imo das pessoas
para expulsar da ilusão estas loas
que impedem o progresso da civilização.
Mas esta humanidade de tez material
não aprendeu a viver cada dia seu mal
como algo que vem afrontar o coração.
E se curvou ao deus sabedoria
esquecida que Deus pedirá contas um dia...

Meu coração anseia por um novo tempo
em que o Espírito soprará seu vento,
e soprará nova vida sobre aquele que quiser
pra preencher os dias e espargir nova canção.
E a santidade vai chegar à vida de cada um
na construção de novos dias, um novo mundo
em que o relacionamento será profundo
e se perceberá a unidade desta família
onde todos com a bênção da cruz de Cristo
nos chamaremos apenas de irmão...

Nova Friburgo, 26 de Setembro de 2007. (20h30min).

quarta-feira, dezembro 10, 2008

CONVITE À ADORAÇÃO

Solta esta voz, servo de Deus
libera o teu canto!
Por que te restringes em teu cantar:
não conheces Deus?

Não percebes que foste criado
para o louvor,
para adoração,
e que tudo seja em espírito e em verdade?

Solta esta voz, servo de Deus, libera!

Não percebes que o sentido da vida
a razão da existência,
e a permanência da esperança
que traz ao coração bonança
está no canto de fé de teu coração liberto?

Não compreendes que como tu -
os servos que Deus conquistou -
custaram o preço mais caro já pago por alguém?

Solta esta voz que se aprisiona na garganta!

Por que se omitir na proclamação
se teu canto é forma de anunciação
do que Deus tem feito em tua vida?

Não vês que Deus não se utiliza de outra voz que não a tua?
Não vês que ele te deu divina incumbência
(E por que tanta resistência?)
Se o teu cantar fará de tua adoração
testemunha viva do poder de Deus?

O mundo moderno quer fazer tua voz calar!
Há tantos que - já libertos - o pecado foram visitar:
e seus rostos perderam a expressão;
e seus olhos, o brilho;
e suas vozes, o canto;
esquecidos de que o Cristo de Deus é sua forma de amar...

Eles já não têm sentido para a vida,
ainda são como gado que caminha ao matadouro,
perdendo as pastagens,
perdendo as miragens dos sonhos.
Da vida desistindo por meio do sacrifício da fé!

Mas tu tens um sentido.
Deus em Cristo já te tirou da perdição
E agora caminhas com nova esperança
Trazendo paz e segurança
Em teu novo coração.

Por isso, servo de Deus, solta esta voz!
Entoa o canto da vitória,
cante os hinos da gratidão,
faça na terra os ensaios para a Glória,
pois tua vida terrena agora,
repleta de louvor e adoração...
É prenúncio dos tempos benditos,
quando nos céus todos os remidos
hão de sempre junto de Deus estar,
louvando e bendizendo Seu nome
já não mais passando qualquer fome
pois Deus nos será o próprio alimento.

Solta esta voz, servo de Deus, libera!
E diga para quem quiser ouvir:
- Na minha vida o louvor a Deus impera!

Nova Friburgo, 23 de Setembro de 2007. (6h28min).

TENHA VIDA EM JESUS

O homem que anda afastado de Deus
Sem ter comunhão por causa do pecado.
É alguém sem paz consigo e com os seus
Solitário no mundo e da paz isolado.

Para este indivíduo, a única solução
Que reconstrói vida e propõe esperança
É crer em Cristo de todo o coração
Pra alcançar perdão e desfrutar bonança.

Por isto, amigo, que ainda não se decidiu
A abandonar o passado e ter paz no futuro;
Cujos olhos não viram e nem sequer ouviu

Que pra chegar-se à luz e sair logo do escuro.
É preciso arrepender-se e buscar quem conduz
Faça a opção agora: “Tenha vida em Jesus!”

Nova Friburgo (Campo do Coelho), 23 de Agosto de 2007. (20h40min).

UMA CANÇÃO DE AMOR

Quando todos os homens depositarem suas armas,
como brotos no solo da pacificação
e não mais existirem espíritos sobressaltados;

quando ninguém mais armazenar rancores,
e o coração da humanidade for o solo dos amores
que como jardim bem cuidado aguarda a floração;
e tudo que receber a intervenção humana
for abençoado por esta busca de felicidade,
que promove singeleza no povo do campo
e enche de paz as gentes da cidade;

quando todos os seres forem alvo de atenção
e não houver privilégio para nenhum animal,
mas todos com justiça, tratados por igual;
e pássaros silvestres não forem engaiolados
nem mesmo os leões no aperto enjaulados
para - pura idiotice - só divertir os humanos;

quando as crianças puderem retornar as praças
e a vida de todos nós voltar a ter sua graça
com velhos passeando entre pessegueiros no pomar;
e todos os poluentes forem expulsos das fábricas
e não existirem no mundo mais matanças calábricas,
pois todos já respiram serenos o mesmo ar;

quando a mesmice abandonar o nosso cotidiano
e se perceber na velhice o descerrar do pano
da vida que pode amar, do nascer ao ocaso;
e amar for imperativo entre todas as nações
e a cidadania for ensinada dentre todas as noções
como a que não se prescinde, nem é obra do acaso;

- então, sim, entoarei, prazeroso, naquele instante
a canção de amor que me faz regozijante!

Nova Friburgo, 16 de Agosto de 2007. (15h26min).

ESTE É O TEMPO

Não é tempo mais de levar pombinha pra Deus
Não é tempo mais de sacrificar cordeirinho pra Deus
Não é tempo mais de oferta de cereais,
Hortelã, cominho ou algo mais
Se faltar seu coração.
Se faltar o sacrifício do seu eu
Num coração que prometeu
Amar a Deus sobre todas as coisas
Amar ao próximo como a si mesmo
E carregar a cruz.


De que adianta dizer que é seguidor de Jesus?

Se não faz do dia-a-dia uma oportunidade de mostrar
Que existe um Deus que está em todo lugar
E ama a todos incondicionalmente!

Se não estende a mão ao necessitado,
Se não seca as lágrimas do que chora,
Se seu ombro não é amigo dos que sofrem
E virando as costas tu vais embora?

Não é tempo mais de levar pombinha pra Deus
Não é tempo mais de sacrificar cordeirinho pra Deus
Não é tempo mais de oferta de cereais,
Hortelã, cominho ou algo mais
Se faltar seu coração.
Se faltar o sacrifício do seu eu
Num coração que prometeu
Amar a Deus sobre todas as coisas
Amar ao próximo como a si mesmo
E carregar a cruz.


De que adianta ir a Igreja todo domingo?

Se a Bíblia é mero adereço de mãos
E os ensinamentos do culto para Deus
Não se transformam em lição para a vida!

Se não tens palavras de consolação,
Se não esparges harmonia e pleno amor,
Se sua presença não devolve o sorriso
Ao rosto dos que no mundo sofrem dor?

Não é tempo mais de levar pombinha pra Deus
Não é tempo mais de sacrificar cordeirinho pra Deus
Não é tempo mais de oferta de cereais,
Hortelã, cominho ou algo mais
Se faltar seu coração.
Se faltar o sacrifício do seu eu
Num coração que prometeu
Amar a Deus sobre todas as coisas
Amar ao próximo como a si mesmo
E carregar a cruz.


Nova Friburgo, 02 de Agosto de 2007 (13h07min).

A ALEGRIA DE SER PAI

Do nada fez-se o riso, fez-se o espanto:
um filho é mais que tudo é outro tanto.
É emoção sentida, perdido olhar;
alguém a mais que Deus me deu pra’mar.

Um filho é o próprio ser em andamento;
é vida que se esvai com prosseguimento.
A chance da Natureza para a continuidade
de algo que por tão pouco é brevidade.

A alegria de ser pai brota espontânea
em rosto prenhe de luz tão momentânea
tornando o novel pai, de um prosador
em doce poeta, encabulado sonhador.

Do riso fez-se a lágrima de alegria,
no rosto do pai que fez do filho poesia!

Nova Friburgo, 02 de Agosto de 2007 (13h07min).

SOBRE O SILÊNCIO

Quando tudo acabar
restará somente o silêncio.
Quando nada mais existir
(e o caos voltar a reinar)
o silêncio voltará
a ocupar um lugar
junto com o vazio...

Se o silêncio ainda não chegou
- não tiver sido entronizado –
é porque o fim ainda não aconteceu!

Com o fim dos homens
cessam os barulhos
provocados pelos humanos.
O Espírito não provoca barulho;
o Espírito é silencioso!
(Elias aprendeu isto na
experiência da brisa
silenciosa da caverna...)

Mas ainda há o barulho da Natureza:
os sons das águas das cachoeiras;
das ondas revoltosas do mar;
dos ventos nas copas das árvores;
dos animais em movimento...
(Embora estes sons da Natureza
sejam como canções de Deus!)

Mas para que haja o silêncio pleno
tudo precisará cessar.
O silêncio só será entronizado
quando nada mais existir!

Aí, então, virá o fim!

E o fim,
como o começo,
É DEUS!

Nova Friburgo, 22 de Julho de 2007 (6h35min).

PRA SER UM CONTIGO

Se é pra ser um contigo
Se é para somar...
Vou sempre te querer
Vou sempre te amar!

Se é pra ser um contigo
Para ser uma só carne.
Vou abrir mão do meu ego
Até que o “eu” se desarme...

Se é pra ser um contigo
E tudo pra ser feliz.
Mesmo que não consiga
Viver o que sempre quis...

Vou construir nossa história
História de vida a dois.
E fazer a trajetória
Do antes e do depois.

Pois se é pra ser um contigo
Amalgamado em teu ser
Sei que serás uma comigo
E feliz nosso viver.

Nova Friburgo, 20 de Junho de 2007 (16h05min).

DOR PRA SER SENTIDA

Manda o senso comum fugir da dor.
Do populacho a elite ninguém a quer sentir...
É como visita indesejada e sem sabor:
Mal chega e já queremos vê-la partir!

Mas, que inimiga a dor, tão mal vista;
Tão desprezada esta cruel infame.
Surge repentina, sem dar qualquer pista,
Sem rodeios ou flerte como alguém que ame!

A dor, porém, existe para ser sentida.
Quase sempre eliminá-la é sofrer a mais;
É acrescentar ainda angústia nesta vida.

Quem não quer a dor não quer crescer jamais,
Pois cada dor sentida é forte aprendizado
De que a paz se encontra logo ali do outro lado.

Nova Friburgo, 20 de Junho de 2007 (19h50min).

TENTATIVA DE POEMA

O meu poema não é feito de muita matéria.
Apenas alguns papéis e umas tantas palavras.
Peguei também uns retratos e depois guardei:
Depois que aquela gente esquecida nas imagens
me fez lembrar o tempo de ontem que não volta...
Com pouca matéria fiz o meu poema.

Fiz o meu poema com a recordação
da vovó Rute e do vovô que já partiu.
Meu poema tem mais recordações que matéria.
Ele é feito de sentimentos e lá está também mamãe
com seus cabelos brancos e finos.
E deu vontade de chorar essa saudade ainda não inaugurada.
Tem pouca matéria o meu poema e muita recordação.

Construí meu poema com sentimentos
e tudo isso fez-me rever valores esquecidos.
Se na vida não há amor e virtudes várias
podem as sopraninos cantar suas árias
que o coração da gente continua duro
e a face seca de lágrimas que não vieram.
Meu poema tem pouca matéria e muito sentimento.

Conclui o meu poema no papel, mas senti-o inacabado:
a vida toda é um poema quando se é abençoado
pelo sopro do Amor que no peito bate forte.
Continuarei a rever retratos e a sentir saudades;
deixarei em mim o Bem expulsar maldades;
e a conclusão do Poema para após a morte.

Nova Friburgo, 10 de Junho de 2007 (10h15min).

TRIBUTO A MACAÉ

Dedicada a Primeira Igreja Batista de Macaé
na passagem de seus 109 anos de organização eclesiástica.


Hoje não quero falar de flores, não quero!
Nem mesmo de pássaros voando no céu.
Desejo falar de sementes no solo e espero
O brotar de canção que desvende seu véu.

Macaé é cidade heróica de tempo antanho
Nome que a história sagrou como afetivo:
O fruto doce da Macabaíba sem tamanho
Ou o termo “Mag-hé” do curumim primitivo.

Há um fruto mais precioso que o da macaba,
Centenárias palmeiras imperiais viram nascer:
Vem de Cristo o alimento que não se acaba.

Oh, batistas macaenses em todo o seu viver,
E no aniversário da Primeira Igreja Batista,
Celebrai de perto a Cristo, vossa conquista!

Macaé, 13 de Maio de 2007 (8h).

QUANDO O VERÃO FOR EMBORA...

Quando o verão for embora e já não fizer calor;
o sol não for mais inclemente e nem abrasador.
Quando o bate-papo do portão se escassear
e todos se recolherem à casa pra descansar...

Quando a alegre algazarra, da criançada em farra,
já não mais se fizer presente aqui na vida da gente.
E os namoricos de portão, tão presentes na estação,
derem lugar a ruas sóbrias sem as artes do coração.

Quando as luzes dos postes se apagarem todas,
e o breu tomar o céu como em densas negras bodas.
Quando nos cantos de muros por casais abençoados
já não mais se entrevirem uns corações enamorados.

Quando o verão for embora e ralentar o amor;
as folhas salpicarem o chão de um tapete voador.
Quando faltar a alegria pra subir junto com o vento
e a mente se embotar tão triste pelo tormento.

E não existir esperança nem crianças pela rua;
o sonho se acabar e secar o orvalho da manhã.
Quando faltar brilho d’olhos que no alto vêem a lua
e não mais repousar a retina no foco do amanhã.

Então, quando o verão acabar e com ele vier dor,
o jovem que sonha com a vida terá que responder,
antes que se acabe a brisa do último ventilador:
- Que farei com este frio, que será do meu viver?

Nova Friburgo, 30 de Abril de 2007 (9h58min).

NÃO HÁ SORTE NESTE NEGÓCIO DE VIVER

As horas se perderam na madrugada.
Não há relógios.
Só seres maltrapilhos
que se misturam às ratazanas.

Em algum lugar do Rio de Janeiro
a lua brilha.
E os vultos se movimentam.
E o odor explode nauseabundo.

Em algum lugar do Rio de Janeiro
o vento sopra.
E as ratazanas disputam restos de comida
com estes bípedes humanos.

Então, um menino,
demasiadamente magro para ser gente.
tão fraco, tão débil para trabalhar,
carrega sacos de lixo –
a reciclagem da esperança de futuro
levada às últimas conseqüências –
em algum lugar do Rio de Janeiro.

Todos se preparam alvoroçadamente para o espetáculo da vida...

Nova Friburgo, 18 de Abril de 2007 (21h35min).

sexta-feira, dezembro 05, 2008

SE FOR PARA LEMBRAR...

Sei que dia desses, quando partir
Alguns amigos meus e das poesias
Irão chorar e vão também sentir
E não vejo nisto demagogias...
Nem tanto a ausência da pessoa
Mas o estancar daquelas palavras
Que algum coração emocionou
E houve quem quisesse eternizar
Em jóia rara de ourives...

Mas, de que adiantará naquela ausência
A homenagem solene, porém, póstuma?

Se tiver que me alegrar
É pra fazê-lo aqui!
Pra sorrir ou pra chorar
Foi por isso que vivi.

Se tiver que me emocionar
É pra fazê-lo agora!
Depois, é só fazer lembrar:
Já terei ido embora...

Nova Friburgo, 17 de Abril de 2007 (16h).

RETINIGRAFIA XIX

O sinal amarelou rápido
enquanto os carros tentavam parar.
A pista molhada
comprometeu os freios.
E a vida prossegue porque
naquele dia todos estavam atentos.

Nova Friburgo, 21 de Março de 2007 (20h50min).

RETINIGRAFIA XVIII

O carro perdeu o freio
na descida íngreme do morro.
As crianças fazem à algazarra
do medo que as acomete.
Enquanto isso o marido desvira
o veículo tombado
para retirar a esposa que chora.

Nova Friburgo, 21 de Março de 2007 (20h44min).

RETINIGRAFIA XVII

O rio desce sereno
pelo leito quase seco.
Não há corredeiras:
apenas desaguadouros
das veredas.
A vertigem toma conta
de quem mira o lento rio
sobre a ponte branca.

Nova Friburgo, 21 de Março de 2007 (20h39min).

RETINIGRAFIA XVI

Os faróis projetam luminosidade
no horizonte do destino.
O carro transita seguro
pela estrada deserta.
Um gambá atravessou fora da faixa
e ficou estendido como tapete no asfalto.

Nova Friburgo, 21 de Março de 2007 (20h35min).

RETINIGRAFIA XV

O motorista sobe
na boléia do caminhão
e zarpa estrada afora.
Há uma noite longa
de asfalto pela frente.
Mas quando raiar o dia
anseia pelo descanso sereno
do dever cumprido.

Nova Friburgo, 21 de Março de 2007 (20h30min).

RETINIGRAFIA XIV

A chuva cai mansamente
no breu da noite que vem.
A cidade mergulha no silêncio
da pausa do ronco dos motores.
Alguns pedestres caminham esperanças
sob marquises mal iluminadas.

Nova Friburgo, 21 de Março de 2007 (20h25min).

RETINIGRAFIA XIII

Um sonido incerto se faz
ouvir na madrugada.
Não é o apito da fábrica
nem a sirene dos bombeiros.
Um alegre torcedor comemora
solitário a vitória de seu time.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (20h42min).

quinta-feira, dezembro 04, 2008

RETINIGRAFIA XII

A algazarra estudantil
sacoleja o ponto de ônibus.
Os coletivos se sucedem
na fila que se forma retilínea.
Mas nem a buzina insistente
desperta a garotada: vão esperar
o próximo porque é tão bom
estar próximo da namorada!

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (20h33min).

RETINIGRAFIA XI

Fim de aula e o ponto de ônibus
superlotado de estudantes
fervilha alegria.
O burburinho dos namoricos
assemelha a pardalhada se
acomodando para a noite nas árvores.
Parece exagero, mas pelo que observo,
já há alguns pensando em acasalamento.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (20h25min).

RETINIGRAFIA X

A criançada toma conta da praça
no calor do verão.
E a bola rolando solta
faz a alegria da molecada.
Mas a senhora gordinha
solta um palavrão
quando a bola perdida
lhe atinge a cara...

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (20h18min).

RETINIGRAFIA IX

A moça encolhida no banco
prende a bolsa contra o peito.
A face assustada passeia
olhares para os lados.
O namorado mais uma vez furou
e ela somente pisca para o estranho.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (20h12min).

RETINIGRAFIA VIII

O breu esconde certezas;
mascara realidades.
O medo sai de casa
e passeia pelas ruas
de mãos dadas com a ansiedade.
Tropeço na tampa mal fechada
do bueiro álacre
e espatifo desesperos no chão.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (20h05min).

RETINIGRAFIA VII

O boteco abre as portas
ao cair da noite.
As cadeiras e mesas
da cervejaria vão sendo
espalhadas pela calçada.
Os pedestres são
empurrados para a rua
e uma criança morre atropelada.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (19h58min).

RETINIGRAFIA VI

A luz do poste acende
repentinamente
na escuridão.
Embaixo o bêbado
se equilibra sonolento
em pernas frágeis.
Um cachorro magro
passa latindo tristonho.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (19h53min).

RETINIGRAFIA V

O fim de noite acompanha
a volta dos operários
às suas casas.
A fome abastece
a mente já inquieta.
E a barriga vazia
ronca presságios
de uma noite insone.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (19h45min).

RETINIGRAFIA IV

No ônibus os sonolentos
descansam a dor
da alma que ainda espera
um vago sorrir.
Mas os sulcos da existência
deixaram marcas
nas faces frustradas.
E o sorriso desdentado
é o que restou no rosto do velho...

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (19h35min).

terça-feira, novembro 18, 2008

RETINIGRAFIA III

O comércio está
cerrando as portas.
E a cidade se
silencia para ouvir
só o canto das estrelas.
Mas o canto se faz lamento
naquele paisagem:
o dia foi de muita poluição!

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (19h29min).

RETINIGRAFIA II

A rua apertada, escura,
esconde mistérios...
E os paralelepípedos
se sucedem
como um jogo de amarelinha.
Mas são muitas casas
para chegar aos céus,
e o bandido acaba
me apontando a arma antes.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (19h21min).

RETINIGRAFIA I

A cidade, à noite,
tem luzes que
acendem sonhos.
Quando a manhã chega
e o sol desponta,
quantos perdem a esperança?
Mas o mendigo
que acorda naquele instante –
sujo da noite fria e viscosa –
acha uma moeda perdida.

Nova Friburgo, 16 de Março de 2007 (19h14min).

QUERO UMA GOTA DE COLÍRIO

Quero uma gota de colírio;
uma gota apenas.
Quero a gota aliviadora
que alivia a dor.
E a gente adora
porque mandou a dor embora...

Quero uma gota de colírio;
somente uma.
Em meu olho não cabe espuma,
não cabe pluma.
Não cabe mais que uma gota
de colírio que meu ser arruma...

Quero uma gota de colírio.
Somente uma é suficiente.
O excedente
pode mudar de plano,
chegar ao nariz por engano,
e entrar na corrente sangüínea...

Quero uma gota de colírio;
uma gota apenas.
E esta instilação
tem que ser suave, serena,
pois estou à busca de vida plena
que me acalme o coração...

Quero uma gota de colírio;
aquela que basta.
Não quero sentir gosto ruim na boca
e nem na garganta.
Quero uma alma que canta
e um coração que se encanta
com a paz...

Quero uma gota de colírio.
Colírio para os olhos.
Para os olhos da alma
uma gota apenas basta!
É uma gota de paz, uma gota de amor.
Gota poli-eficiente.
É a gota do sangue de Jesus
derramado na cruz,
para que eu possa caminhar
olhando para Cristo.

Nova Friburgo, 10 de Fevereiro de 2007 (17h37min).

EXAMES

Consultar.
Fazer jejum.
Dormir.
Acordar.
Defecar.
Urinar.
(estes dois últimos,
não necessariamente
nesta ordem).
Potes de prontidão.
Tomar o táxi.
Sobre a mesa
do doutor
os potes.
Encaminhamento
para o laboratório.
Picada.
Sangue.
Careta.
Ausência.
(o enfermeiro
saiu da sala).
As fezes
e a urina
já foram.
Prontuário.
Aguardar resultados.
Pegar
no dia aprazado.
Ler e não entender.
Voltar ao médico.
Análise.
Silêncio.
Olhos nos olhos...
Fazer tudo de novo.
Deu tudo errado.
Porque a saúde pública no Brasil
está uma merda!

Nova Friburgo, 16 de Janeiro de 2007 (9h18min).

SISIFUTRICA

O que sustenta
a enorme pedra
é um barro vermelho
cujo amálgama
são os arbustos, as árvores
e a geografia do entorno:
o menino colheu os morangos silvestres;
o boi pastou o capim gordura;
o micro-empresário transformou os eucaliptos
em dois ou três caminhões de lenha;
as águas da chuva se encarregaram
de levar o barro vermelho...

A pedra soltou-se,
rolou
e está vindo aí!


Nova Friburgo, 13 de Janeiro de 2007 (10h40min).

quinta-feira, outubro 16, 2008

MOMENTOS

I
As chuvas pararam
e agora a água
densa e barrenta
rola apressada
no leito do rio.
Rola a água
rolam os galhos
arrancados à força
mesmo com o choro das árvores.
Rola a vida
porque as pedras polidas
na insistência das chuvas
são mais que seixos largados no chão:
são indicadores de que a vida precisa
seguir seu rumo...

II
Um cachorro passa
com a focinheira incômoda.
Guarda breve distância
do dono que caminha atrás.
O menino apressado
caminha à frente.
Não desprega os olhos
do pitt-bull:
tem medo de uma surpresa
desagradável.
As enchentes baixaram o moral
de muita gente.
Foi o presente de Ano Novo
pra quem só viu barranco
dar o arranque
dessa corrida maluca
pela sobrevivência.
A população foi pega de surpresa
pela chuva torrencial.

III
As folhas
das árvores
verdes,
viçosas,
baloiçam
ao vento...
Em seus galhos
um amarelo
canário da terra
(magrelo
de tão belo)
solta o canto
que não emperra.
Por que canta
o canário
à beira do rio?

IV
O canto do pássaro livre
após chuvas de verão
insiste em proclamar paz
e até celebração.
O trinado estridente
ecoa nos ares uns sons...
E do meio das folhagens verdes
o amarelo pássaro voa
espalhando pelo éter
sua canção de esperança.
Só agora percebo o céu
de um azul dantesco.
E no firmamento o sol
que assume seu esplendor!


Nova Friburgo, 13 de Janeiro de 2007 (10h15min).

AUTO-CRÍTICA

mudei
se já é público e notório:
não sei!
pequenas coisas estou fazendo.
outras,
parei!
começo o ano com novo ânimo.
estou cheio
de boas intenções.
quero viver o melhor
e purificar-me!
mas tem um saco
de lixo
abandonado no portão
de minha casa.

Nova Friburgo, 13 de Janeiro de 2007 (10h35min).

ORAÇÃO DA FAMÍLIA

Senhor!
Que a chaleira sempre apite
Uma água fervendo;
Enquanto houver um amigo
Para tomar um café preto com a gente.

Que a brisa do vento
Sempre encontre uma janela aberta
Para atravessar toda a casa e espalhar
O perfume da esposa após o banho da noite.

Que haja sempre brinquedos
Espalhados pelos corredores
A indicar que filhos, netos e bisnetos
(ou ainda alguma criança amiga)
Povoam nosso lar de irreverência infantil.

Que o forno tenha a chance de ser
Aquecido de tempos em tempos
Para produzir uma gostosa broa de milho,
Fruto da criatividade culinária
De quem tem junto um sorriso para oferecer fora do pires.

Que haja sempre um sofá,
Mesmo que velho e recoberto de um pano rejuvenescedor,
Para abrigar nossos corpos e nossas vozes
Em um diálogo franco e criativo,
Tendo a televisão desligada.

Que a falta de água do verão
Não impeça de se produzir beijos molhados
E se dar abraços apertados
Multiplicando afeto por todas as estações.

E que, acima de tudo, haja sempre canções
A serem entoadas por corações agradecidos
Pela vida e pelo amor
Que começou em ti e que tocou os que
Simplesmente acreditaram no Eterno.

Amém!

Rio de Janeiro, 11 de Janeiro de 2007 (15h43min).

VOCÊ

você
que a gente não vê
mas que percebe
que passa emoção
de um coração
um tanto em febre
que corre apressada
feito lebre
e deixa um rastro
um antepasto
de amor...
só você
que quando em chama
coração que ama
me faz luzir
que acende o sonho
e projeta a vida
desfaz ferida
e põe sorriso
e mais que isso
alegra os dias
com as poesias
acende a noite
com os archotes
de um novo amor
você é luz
na escuridão
é eu partindo
no mar revolto
dessa paixão
aguardando pra breve
a sua volta.

Niterói, 07 de Janeiro de 2007 (7h05min).

NOVA FRIBURGO

Estas chuvas arrasadoras sobre a cidade;
estas águas avassaladoras sobre mim.
O canteiro ficou sem rosas
e os entulhos da correnteza
procuram se esconder pelos cantos de muros
de uma rua de lama ressequida.

O sol desponta novamente no horizonte
e a esperança volta a brilhar
nos olhos tristes de um povo sofredor.
O transbordar do Bengalas.
A enxurrada do Rio Grande.
O aguaceiro que arrasou o Jardinlândia e o Jardim Califórnia.
E o povo triste, beirando encostas de morros
que ainda vão despencar...

Ah, minha Nova Friburgo!
Quantas chances ainda hás de almejar
para realmente te fazeres nova?
Quem governa não pensa no povo,
não pensa no pobre...
Fica arrumando praças no centro da cidade,
erguendo monumentos aos mortos,
pra riquinho se contentar
e turista se divertir.

Enquanto isso...
as obras que não foram feitas;
as encostas que não foram cuidadas;
a dragagem do rio que não se completou;
os ciclopes e muros de contenção que deixaram de ser construídos;
a urbanização não implementada,
neste caos da civilização friburguense;
vão providenciando novos mortos, às dezenas,
numa cidade que tinha tudo para ser feliz...

E estes mortos sequer saberão
que se gastou dinheiro em mais uma pracinha
ou se ergueu novos monumentos
para os pombos defecarem em cima...

Niterói, 07 de Janeiro de 2007 (6h10min).

SAUDADE

Saudade é um buraco vazio
que fica pedindo insistentemente
pra ser preenchido.
É uma vontade de voltar
a andar por onde já se caminhou,
e sentir outra vez cheiros
que a memória
teima em não esquecer.
Saudade é um estado de êxtase
profundo na ausência do ser amado.
Saudade era o mundo virtual do amor
antes da invenção da Internet.

Niterói, 06 de Janeiro de 2007 (19h15min).

O MICRO

Meu micro fez greve
É grave a greve do micro.
Meu micro não escreve
Não escreve e pago mico.

O teclado desconfigurado
Embaralha a poesia.
Um coração enamorado
Não rima com apatia.

Meu micro fez greve
Ele estava démodé.
Mandei logo pro conserto
Comprei outro HD.

Meu micro agora escreve
Tudo o que coração pede.
Ela acabou com a greve
E obedece ao mouse pad.

Niterói, 06 de Janeiro de 2007 (6h15min).

CHUVA BAILARINA

Claro dia de sol,
calor de quarenta graus.
Chuva chega mansamente
e eu sorrindo contente.

O meu caminho molhado
de pingos grossos de chuva.
Minha vista se faz turva,
meu coração enamorado.

Chamo a paixão pra uma dança
com esta chuva bailarina.
Vou dançando até a esquina
Encharcado de festança.

Em minha chuva de verão
sob quente sol de paixão.
Serpenteia vida-serpentina
nesta doce chuva bailarina.

Niterói, 06 de Janeiro de 2007 (5h45min).

LUZ POÉTICA

eu queria de mim
um horizonte.
vaga luz
brilhando
no Oceano
das palavras:
frases/flashes
a clarear
a noite.

eu queria
iluminação.
e o som da poesia
preenchendo o dia
e a mensagem
como açoite
afastando a noite.

queria a construção
de um poema épico
que fosse a elaboração
do sentimento humano.
queria a visita do arcano
invadindo o espaço
da criação
do pensar
com sinais de futuro.

a luz é a
ponte/passarela
por onde transita
o homem do futuro
para chegar à esperança.
enquanto isso,
se faz bonança
no espectro de aquarela
que se desenha
nas entrelinhas do texto.

a luz irradia
sons e cores.
e meu coração se
enche de amores,
pois a luz do meu dia
fez nascer a poesia

Niterói, 05 de Janeiro de 2007 (6h50min).

segunda-feira, outubro 06, 2008

GÊNESE POÉTICA

No princípio era um papel branco,
uma caneta de tinta azul turquesa
e uma mente vazia
neste caos original da poesia.

Os olhos que aquela mente conduzia
se fixavam tão somente
na mesa de madeira envelhecida
onde também repousavam
uns cotovelos desanimados.

E nesse princípio criou o poeta
o cenário e a motivação.
E passaram diante de seus olhos
(não se faz poesia sem imaginação):
crianças brincando alvoroçadamente;
pássaros voando livremente;
rosas desabrochando alegremente...

E as trevas que havia sobre a
face do abismo poético
foram afugentadas pela inspiração;
que passou a pairar
sobre o mar dos sonhos
quando ela chegou:
a eloqüente Musa do Amor.
E disse (quando a viu) o poeta:
- Haja poesia!
E houve poesia...

Niterói, 05 de Janeiro de 2007 (7h).

ANTI-EMOÇÃO

diz pra mim:
de que adiantou
aquele sorriso,
aquele abraço,
aquele beijo?

se após
só restou
de sua aparição:
um fantasma,
uma máscara,
assombração?

restou
um vazio,
um nada,
(quanto vale isso?)
e minha alma
enamorada...

Niterói, 05 de Janeiro de 2007 (6h35min).

PONTO ENIGMÁTICO

Vai.
Anda logo.
Vai avante.
A rua está livre:
Nenhum carro
Nenhum transeunte.
Só, ao final (lá longe),
Onde a rua faz curva
Ao sabor do vento,
Farfalhando folhas,
Indicando direção
De árvores buliçosas:
Um ponto.
Que será?
Ponto escuro
Em minhas vistas cansadas.

Forço a vista,
Faço a revista,
Mas não adianta.
O ponto persiste
Em afastar-se
De meu entendimento

Meu ser se espanta
Com o mistério.
E eu vou.
Sim, vou.
Vou logo.
Vou avante.
A rua continua livre:
Passa apenas um carro,
Ligeiro,
E desaparece.

Passa um transeunte.
Apenas um.
E ele vai também
Caminhando.
Rua a fora.
Depois que ele
Passa e,
Quase se disfarça,
Em ponto também...
No fim do meu ver,
Decido caminhar.
Meus passos
São mais rápidos
Que a minha visão.
E quando,
Na minha pressa,
O ponto móvel
Volta a ser alguém
(E o ponto
Enigmático
Passa a ser algo)
Vem o susto.

O ponto perdido,
Distante,
Do fim da rua,
Era uma caçamba.
E o ser que
Caminha desespero
Nas ruas da cidade
Encontrou na
Rua de minha casa
Rua de minha vida
Uma caçamba de lixo
Para garimpar comida.

Vomito.

E volto correndo
Para casa
Tropeçando paralelepípedos.

Niterói, 04/01/2007 (8h15min).

SE

se
meu coração
soubesse
pelo menos
que Neruda
me ensinaria
metáforas
faria poesia
e serviria
mandrágoras
para minha
mulher
gestar o
infinito mar
das palavras
verdes...

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (21h40min).

O QUE SOU

o que sou
agora
no exato instante
do meu pensar
não será mais
o que serei
quando o
sol se por

distante
opaco
sem um frêmito
nas mãos ou no olhar
sou apenas
o encontro
de águas
que correm para o mar

o que sou
o que serei
agora
amanhã
só saberei
quando a porta
da casa se trancar
atrás de mim
e desnudar-me
silente
para um banho frio

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (21h35min).

ESTRADA

eu queria de mim
um pouco de estrada
pés que caminham esperanças
a passos largos
e um vento batendo brisas
esvoaçando risos
e o desalinho do cabelo
denunciando a caminhada

enquanto isso
o chão se faz possível
e o equilíbrio é conquistado

no fundo do cenário
um horizonte azul de luz
e o sonho é céu
e o futuro uma nação
e a estrada não acaba aqui

é preciso sapatos novos
para chegar do outro lado
resolvo, então, jogar fora
as meias velhas
e partir em busca de uns...

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (20h05min).

2007

dada a partida
meus olhos fitos
nas letras
serpenteiam palavras
mas a contagem do ano
é feita de números
que representam dias
e o primeiro dia
está acabando
prenhe de poesia:
estão nascendo as crias
da longa gestação de 2006

Nova Friburgo, 01 de Janeiro de 2007 (21h45min).

sexta-feira, outubro 03, 2008

MANHÃ REBELDE

Procuro um algo que ainda não sei
por entre esta manhã que ainda não vi
por entre um frio que neblina faces,
chamusca lábios,
arde esperanças...

A manhã se rebela contra a existência:
manhã soturna,
noturna,
que ainda se esconde,
por detrás dos montes.
Manhã que teima em não acordar.

Do sol não há vestígios.
Como também não se vê o clarão
desta louca obsessão,
desejo de existir.
Procuro razão
e no ir e vir da manhã sem sol
improviso um canto
à beira-monte.
E o vento uivando
por entre pedras e árvores
faz chacoalhar o mundo
de uma melodia triste
enquanto assentado sobre o feno
dou um grito profundo
com o dedo em riste
a sonhar com um dia ameno.

Nova Friburgo, 31 de Dezembro de 2006 (9h52min).

BEIRA RIO

Instante incômodo.
Onde a chuva torrencial
prenuncia possível mal.
O rio é semimorto,
semi-rio,
semi-vida.
Não são águas que correm:
escorre lodo,
lama,
esgoto.
O aguaceiro arruaceiro
desbanca a margem:
barranco,
ultraje,
de um rio sem barco.
É chuva,
é lama,
é ser que se inflama,
na expectativa do
transbordamento.
Minha vida esguia
se encolhe.
Filete agudo,
serpentiforme,
quase uma enguia,
no meio do roldão pesado
do rio descontrolado...

Nova Friburgo, 31 de Dezembro de 2006 (9h42min).

AUSÊNCIA ANUNCIADA

saiba que o horizonte
é um nada.
saiba também que é nada
o amor amante.
e é nada o instante
da sua presença:
fugidia presença
de uma ausência anunciada.
por todos os meus versos,
dispersos versos
que me atacam os nervos,
sei que tenho um encontro marcado
com o vazio de tua ausência:
e nele encontro a morte do prazer.

Nova Friburgo, 31 de Dezembro de 2006 (9h35min).

AMAR

Amar.
A gente ama e vive perguntando:
o que é?
A gente se dá
e vive dessa febre de amar.
E a gente nem sempre entende...
A gente só sabe amar; só sabe dar.

Amar.
Amar é doar.
E a gente se entrega e percebe que o outro é feliz por isso.
E a gente compartilha e percebe que parte da gente
voa em direção ao outro que é objeto da nossa paixão.

Amar é esperar!
É ter paciência na espera dos efeitos sobre o outro.
A gente investe e supõe que o investimento
trará dividendos em forma de mais amor.

Amar é crer!
É confiar que o amor devotado
será correspondido.
Que a reciprocidade será a chance
de perceber que amar valeu a pena.

E sempre vale a pena quando o amor
é a tinta que escorre da terna pena
do poeta-tinteiro...

Amar é sonho.
Quem ainda não viajou nos devaneios
desse Universo chamado amor?
desse mundo chamado paixão?
desse tesouro que se guarda no cofre
do coração, mas que se apresenta
cotidianamente na epiderme do corpo
amado que caminha sol
pelas avenidas da vida?

Amar. A sensação mais doce que
a existência pode produzir no paladar da vida!

Nova Friburgo, 21 de Dezembro de 2006 (12h45min).

O SONHO

A rua de minha infância
tinha pedras.
E eu caminhava esperanças
nas pedras de minhas andanças.

Meus sonhos depositei
nos altos.
Nos altos montes verdes
da Serra de pedras-paredes.

Da rua eu via o monte;
pisava o chão.
O chão do meu sonho Brasil:
um cristal que se partiu.

Tentei escrever uma história
nos céus.
Céus de um azul tristonho
aniquilador de sonho.

Minha pipa serpenteava
bem alegre.
Escrevi no horizonte: futuro.
Mas do sonho o monte era um muro...

Minha casa ficava na rua
da esperança.
Esperança que se perdeu na chuva
deixando-me com a vista turva.

A rua ainda continua por lá
e a casa.
A casa de onde ainda se vê o monte.
Só o sonho que secou como a fonte...

Nova Friburgo, 20 de Dezembro de 2006 (12h15min).

VAGANTES BRUMAS

Do ser e a incompreensão da vida.
Episódicas brumas de uma lida;
Vagantes experiências do saber.
Não ser!
E a incompreendida existência
Faz vagar o ser em sua sobrevivência
Diante dos muros humanos...

Não fosse a vida matéria-prima do ser
Seria escultura inerte na praça,
Por onde passa,
A vida que segue resoluta seu destino.

O granito pigmentado já não é o ser.
Refulge o brilho de uma pele angustiante
Nas duras conseqüências de um mundo
Que já não é o seu.
Há limites!
Os limites da matéria transformada;
Limites do ocaso a que estivera largado na praça,
Onde os pombos borrifam dejetos
Sobre o crânio desprotegido,
Os ombros desbotados,
A pele artificial do mármore ignominioso.

E ele que pensava – quando em vida –
A imortalidade...
E ele que imaginava a continuidade
Do sonho.
Das palavras que não seriam aprisionadas nos livros...
Das idéias que alçariam vôos mais longínquos
Nas cabeças dos jovens sonhadores...
Das transformações que homens de livros são
Capazes de oferecer à Sociedade.

Mas o registro da história lhe reservou
Apenas uma escultura marmórea,
Um brilho efêmero,
E uns tantos pombos grasnando
Nos contornos da imitação de quem fora.

Os tempos eram outros.
Seus ideais não sobreviveram
À avalanche de reflexões do mundo plural.

Ficou apenas a constatação:
- Existiu e pensou algo.
Resignou-se.
Isso não era pouco!

Mas os pombos continuavam a incomodá-lo...

Rio de Janeiro, 11 de Dezembro de 2006 (14h50min).

SONETO DO CENTENÁRIO

A Nilson Gomes Godoy

Nesta data tão festiva de comemorar centenário
Os batistas fluminenses se revestem de alegria.
Houvesse sino repicante a dobrar no campanário
Uma canção de louvor logo pronto ecoaria...

Num momento pioneiro, uma associação nascente
Reuniu as igrejas batistas para sua cooperação.
E assim nesta acolhida, aquecendo coração crente
A história se consolida com o surgir da Convenção.

Pra construir esta história que começou em Aperibé
Foi preciso assim reunir vários homens visionários
Que colocaram seu tijolo neste belo edifício de fé.

E os crentes nas igrejas se fizeram missionários
Deste Deus da Convenção, o seu firme fundamento
E como herança recebida: O Deus de todo momento!

Aperibé, 07 de Dezembro de 2006 (20h50min).

quarta-feira, outubro 01, 2008

O QUE É COMO O AMOR?

A Nathália e Élcio Jr.

Vês a menina de Tom Jobim, assim cheia de graça?
Que caminha leve na rua e suave passeia na praça?
Ela pode ser muito bela, ser garota linda até!
Desfilando limusine, caminhando por aí a pé.
Mas ela com toda beleza, mesmo sendo uma flor.
Ainda assim não pode ser comparada ao amor!

Vês no jardim uma rosa, botão novo a desabrochar?
Há ali sonho de pétalas, brilhando sob a luz do luar...
Sinta o perfume cheiroso, inale bem seu aroma.
Deixe aos olhos o encanto da mistura de cada cor.
Há suavidade nas pétalas e estilo em sua forma,
Ainda assim não se pode relacioná-la ao amor!

Vês na árvore um pássaro, esplêndido em seu cantar?
O seu trinado é vibrante, bem capaz de emocionar...
O canto do pássaro livre, na casa que Deus lhe deu,
Habitando a natureza recheada de fruta e sabor...
Ele canta sem espanto, o canto que é todo seu.
Mesmo o pássaro livre ainda não é como o amor!

Vês a criança sorrindo, vivendo a simplicidade?
É a criança que abençoa com sua paz cada cidade.
Ela apresenta ao mundo seu lindo universo de luz.
A criança quando sorri faz lembrar o bom Jesus.
Pode a criança ingênua, apaziguar qualquer dor?
Ainda assim seu sorriso, não se compara ao amor!

Mas que é então o amor? A que ele se compara?
Se a garota mais linda e a flor de espécie rara;
Se o pássaro cantante, mesmo a criança mais doce;
São pobres como modelo para o amor demonstrar?
O amor é um sentimento que Jesus ao mundo trouxe
Quem o guarda em seu peito pode amor extravasar!

Por isso somente a Deus, que é o AMOR: bem supremo!
Pode então ser comparado o amor de uma forma sã:
O amor desliza suave como num lago o barco a remo.
O amor é brisa serena como orvalho de linda manhã.
Diz quem ama de coração: “Vivo a vida e não temo!”
Só Deus é demonstração do amor de hoje e amanhã.


Nova Friburgo, 29 de Novembro de 2006 (19h48min).

POEMA DO MAR

Que belo é o mar
O mar.
O mar.
O mar.
A gente se perde
No horizonte das águas
Do mar...

Tão belo é amar.
Amar.
Amar.
Amar.
A gente se acha
No horizonte das águas
Do amar...


Niterói, 28 de Novembro de 2006 (11h30min).
Na travessia das barcas Niterói X Rio de Janeiro.

NO AZUL DO MAR

A Katia Cardoso Soares

Eu te encontrei
No azul do mar.
E foi neste olhar
Que eu te achei
Pra não mais deixar...
Pra não mais sofrer
Para sempre amar
E poder dizer
Quão lindo é o mar
Tão lindo o olhar
Tão belo o amor.
Amor...
Poder sonhar
E poder viver
Pra também dizer
Junto ao coração
Vendo o azul do mar:
Pra sempre e sempre
Eu vou te amar!

Niterói, 28 de Novembro de 2006 (11h35min).
Na travessia das barcas Niterói X Rio de Janeiro.