quarta-feira, dezembro 10, 2008

NÃO HÁ SORTE NESTE NEGÓCIO DE VIVER

As horas se perderam na madrugada.
Não há relógios.
Só seres maltrapilhos
que se misturam às ratazanas.

Em algum lugar do Rio de Janeiro
a lua brilha.
E os vultos se movimentam.
E o odor explode nauseabundo.

Em algum lugar do Rio de Janeiro
o vento sopra.
E as ratazanas disputam restos de comida
com estes bípedes humanos.

Então, um menino,
demasiadamente magro para ser gente.
tão fraco, tão débil para trabalhar,
carrega sacos de lixo –
a reciclagem da esperança de futuro
levada às últimas conseqüências –
em algum lugar do Rio de Janeiro.

Todos se preparam alvoroçadamente para o espetáculo da vida...

Nova Friburgo, 18 de Abril de 2007 (21h35min).

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