terça-feira, dezembro 19, 2017

ESTRELA DA MANHÃ

Tu és a estrela que brilha
Não só na noite escura,
Mas na manhã mais cinza
Com essa luz tão pura.

És a Luz que me ilumina
Em meus caminhos diários.
És o facho que me anima
Sob o som do campanário.

Estrela luzente dia-a-dia
Sol que brilha instantâneo
E a minha vida contagia.

Nenhum medo momentâneo
Desgraça, qualquer pavor
Resiste à luz do teu amor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
17/12/2017 (04h58min).

LÍRIO DOS VALES

De um perfume, que saudade!
Aroma da minha infância,
Seguiu pela mocidade,
Foi vital naquela instância.

Era o Lírio dos Vales
O perfume doce, suave,
A me afastar dos males
E retirar todo entrave.

De sonhos inebriado
No bom perfume de Cristo
Seguia sempre meu Lírio.

Hoje, quando ameaçado,
Da Graça eu me revisto:
O meu perfume e colírio!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
17/12/2017 (04h45min).

Ó, MEU DEUS!

Ó, meu Deus! digo sempre
ante o susto do momento;
tenho medo do tormento,
não há outro que me lembre.

O meu grito por socorro
vem do fundo do coração;
é minha tábua de salvação
e à Deus é que imploro.

Descanso. A vitória é da fé
no Cristo ressuscitado
que superou toda a dor.

O que me mantém de pé
é o vazio do sepulcro:
o lado divino do Amor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
16/12/2017 (06h51min).

DESEJO

Domingo. Fiel que anseia
no culto a transformação
e a Graça por ele passeia
e pousa em seu coração.

É desejo que se realiza
uma brisa leve que passa
doce sonho, suave brisa
que a sua vida perpassa.

Me prostro ante o sagrado
sou este fiel sequioso
de Deus alcançar o agrado,

e não mais ser tão choroso.
No culto eu encontro a paz,
acho o Cristo que satisfaz!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
16/12/2017 (06h37min).

sábado, dezembro 16, 2017

CHUVAS DE BÊNÇÃOS

Chuvas, chuvas de bênçãos
canta o povo porque crê.
Ouve-se e nada se vê
são breves chuvas de sons.

Pelos caminhos da fé
e em meio a lamaçais
do pecado pelos quais
qualquer pessoa é ré...

Estas chuvas purificam
pessoas sensibilizam
ergue-se um novo tempo:

marcado pela bonança
no coração de criança
em suave sopro do Vento.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
15/12/2017 (19h27min).

VIDA MISSIONÁRIA

(Aos radicais missionários
destes brasis de Deus)

Permite sair toda esta chama pura
de teu coração missionário.

Vê como são brancos os campos:
mesmo nos corações mais duros,
percebe: há carências antigas.

Tudo é assim tão missões, por que são mais missões.

Enxerga como são suaves os campos:
mesmo nas aragens mais íngremes,
descobre: há carinhos amigos.

Chama... Chama... Indícios de que
em tua vida há um coração ardente.

Permite sair, permite passear esta chama
do amor que arde no peito e clama:
Minha Pátria para Cristo!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
11/12/2017 (10h57min).

TIRA AS SANDÁLIAS

Aos missionários radicais da Amazônia

Tira as sandálias, e qualquer artifício,
teus pés e tua alma precisam ser espuma clara.

Quem fez os pés mimosos e os já sulcados da vida,
e pôs nos corações, o sentido da eternidade
espera encontrar teu rosto no sorriso fácil
de quem está liberto das cadeias do pecado.

Tira as sandálias, e deixa por aí,
entre no santo dos santos,
sentindo o estrépito da sarça ardente.

“As sandálias na porta são sinal de casa cheia...”
Larga estas sandálias vem pra dentro da comunhão.
Há um tipo de alparcas para cada pé
como há um tipo de louvor para cada coração.

Teus pés voltarão às sandálias
depois do enchimento
que o Espírito fará de tua sedenta alma.

Toda terra se encherá da glória do Senhor
a partir desta casa onde sandálias na soleira,
indicam sobremaneira,
que a alegria do Senhor a nossa força é.

Quem fez teus olhos abertos para o novo que aí está
estes olhos inquietos, que perscrutam o amanhã,
quais janelas da alma que anseiam algo mais
e fez também o Ágape, mundo novo da esperança
que habita os humanos em seus sonhos de porvir
é o mesmo que nos convida ao banquete do noivo
nestas bodas de fé, dos encontros com a Paz.

Ah, as sandálias na porta são sinais do arrebatamento!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
11/12/2017 (11h21min).

LUGAR SANTO

A Kelly Nayara
(Na alegria da vida missionária)

Vamos encher de cores esta soleira
e tapetar a entrada da casa de sandálias.

Em cada par de pés uma vida em suspenso.

Quem será que atrai esta gente
e faz pés tocarem assoalho de madeira
e movimenta passos no interior da casa
deixando desesperanças na soleira?

Vamos pescar sonhos.

Vamos cortar os laços da superficialidade.

As tuas mãos, missionária, são ágeis no labor
teus pés caminham esperanças no interior.

E por que teus pés caminharam
nas quentes tardes amazônicas
pés descalços rumam em direção a Deus.

“Amo muito casa cheia”, dizes
e teu sorriso se estampa no rosto
ganhando mais luzes e cores
que as sandálias no portão.

Já experimentastes o vazio,
a semeadura exaustiva,
o som da voz que clama no deserto,
no ímpeto de teu jovem coração.

Tuas morenas mãos afagam
cabecinhas índias de crianças.

O brilho de teu sorriso e de teus olhos
constrói um caleidoscópio de amor
ao se encontrar neste sereno ar
com rostinhos pedintes de paz.

Provas o gostinho doce de céu
nos paladares que o Espírito te faz sentir.

Tu sabes bem que quem quiser um Encontro
– especial encontro com Deus –
precisará deixar algo para trás.

O lugar onde tu habitas é santo
por que tua vida foi consagrada
e Deus está presente em teu coração.

Na tua boca floresce um jardim
construído do Verbo Vivo.
E há ali uma fonte
de onde jorram apenas bênçãos
em forma de palavras que tecem sonhos...

O Sol da Justiça brilha no teu olhar
e as manhãs são aquecidas do calor
que advém da comunhão com o Senhor.

Teus braços estão sempre abertos
para a experiência do acolhimento.
Tu enxergas no outro o Cristo
representado nestes tantos pequeninos.

Tu amas a casa cheia.

O lugar da tua moradia
é também o lugar da moradia de Deus.

És uma rosa no jardim de Deus,
és um recipiente do bom perfume de Cristo
aroma divino que atrai esta gente!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
11/12/2017 (06h25min).

domingo, outubro 08, 2017

O BEIJO DE JUDAS

Ao beijar Jesus,
Judas esqueceu no rosto do Mestre
os ensinamentos recebidos.

Foram incontáveis palavras
que se resumem na principal:
amor.

Que deve o Mestre fazer com elas?
Recolhê-las antes que o vento as carregue?
Limpar com as costas das mãos
a saliva-tinta da traição?
Decalcar o beijo com carbono
pra eternizar no papel tal loucura?
Tomar um banho apressado
ou entregar-se lépido
a qualquer dos rituais judeus de purificação?
Devolver com os olhos
faíscas de fogo
que queimem a contaminação do beijo
e derretam sentimentos?

Quem retribui o bem recebido
com o beijo da traição
não aquilata o favor obtido
nem o valor da gratidão.

É pequena a palavra amor
tem gosto de sangue da cruz
seus efeitos são transcendentais
personificam-se em Jesus.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
02/09/2017 (05h03min).

sexta-feira, setembro 08, 2017

UM FIM DE SEMANA

Passamos os dias úteis
esperando pelos outros
que nos são mais desejáveis.
Seriam aqueles inúteis
e estes, dos fins de semana,
um paraíso, oásis?

As cabeças voejam
pés caminham autômatos
por entre salões, corredores
comércio, indústria ou cultura
compõem aberta sepultura
para quem o trabalho é ópio
que anestesia o prazer
e que anseiam pelo ócio
do breve fim de semana.

Você começa a segunda-feira
já carregando no bolso
a entrada do show do sábado.
Você passou pela porta
do escritório ou fábrica
mas seu coração não entrou.

Você carrega na terça,
um caderno em suas mãos
dentro uma fotografia
e o bilhete amassado
do evento edulcorado
que o tempo já levou.

Talvez não queiramos muito;
o pouco seja suficiente:
um guaraná brasileiro,
pequena fatia de pizza,
e alguém ali à frente
com um sorriso no rosto
e sinceridade no coração.

Tem gente que vive
três milheiros de fins de semana
pra descobrir que a felicidade
estava nas pequenas coisas
e nos dias que tornamos úteis
pela doce alegria de viver.
Mas, como o tempo é implacável
quase sempre não há chance
de sequer se arrepender.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
31/08/2017 (04h51min).

CHAMA

como fazer você
voltar-se para mim?
o sonido incerto que clama
dessa voz que débil chama
é o que possuo enfim...

como mover você
em direção ao sol ardente
este coração incandescente
a anunciar que ama
posto que pura chama?

como levar você
a se aquecer neste fogo
a desviar-se da lama
não ser rasteira, qual rama?

sê labaredas, eu rogo!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
31/08/2017 (04h32min).

quinta-feira, setembro 07, 2017

MEMÓRIAS

Colecionamos memórias
e sempre tem algo junto
pra reforçar a lembrança

preenchemos álbuns
juntamos moedas, selos, garrafas
fazemos desta memorabilia
nosso lugar de recordação

gostamos de revisitar fotos
rever rostos antigos
e corpos que já não são
da gente mesmo ou de alguém

há até os que vão mais longe
e fazem de sua casa
um pequeno museu de acontecimentos

borboletas e lepidópteros
cartões postais e bilhetes
de passagens ou de jogos
anunciam que já se viveu algo

de numismática a filatelia
passando pela taxidermia
colecionamos loucuras

mas a emoção dos momentos
que só a gente viveu
se não viram monumentos
em tela, papel ou arte
registram-se na memória
que se desfaz com a morte

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
31/08/2017 (04h20min).

IGREJA

E se existisse
uma igreja
de santos

um culto
de arrebatados

uns cânticos
para celebrações
sem palavras

se existisse
um templo
sem portas de saída

um hinário
de partituras
do coração
que recolhesse
todas as loucuras
dos que atravessaram
com vida
o Vale da Sombra da Morte

se existisse
uma pregação sem púlpito
um pastor sem terno
um coral sem regência humana
estudo bíblico sem professor

se existisse
um ofertório
sem gazofilácio
sermão sem apelo
igreja sem Casa de Cultos
discípulo sem evangelização
Reino sem missões

se existisse
colheita sem semeadura
fé sem palavra de Deus
salvação sem arrependimento
vida eterna sem obras
Calvino sem Armínio

se existisse
morada nos céus
sem galardão

um culto silencioso
num templo sem luzes

seria o mesmo que acreditar
que existe Deus sem Jesus
que existe Cristo sem cruz.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
23/08/2017 (06h05min).