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sábado, outubro 06, 2018

OS ÚLTIMOS CRISTÃOS


“Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo.
E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14.7).

Saem tímidos de suas casas a ganhar
o hostil espaço público das avenidas:
largas para o pecado e para humilhar
o tênue fio que restou de suas vidas.

Formam o grupo mais unido e escasso
os últimos cristãos, assim rarefeitos.
Louvam a Deus, estão fora de compasso
pra sociedade que neles só vê defeitos.

Deus, que vê dos céus, seus corações;
que enxerga muito mais que a aparência
e sabe, dos adoradores, seu sofrimento.

Lhes preparou o Paraíso, fortes emoções,
que os livre deste mundo e a decadência:
é o Juízo Final, da Igreja o arrebatamento!

Josué Ebenézer – Niterói,
02/10/2018 (05h05min).



quarta-feira, fevereiro 28, 2018

CASA DA VIAGEM

Volta da praia.
O dia havia sido lindo em família.
Tão bom que resolvemos esticá-lo:
a noite já era nossa irmã.
Nada melhor do que estar com quem se ama.
Lugar de paz e de harmonia
é o lugar da família.
Ali a gente ouve os cantos do coração,
ali a gente encontra as respostas da alma,
ali a gente ouve histórias recontadas
e requentadas no forno da emoção.

Família é lugar bom de se estar,
mesmo quando trancafiados num carro
dentro de um engarrafamento enorme...
E era o que estava acontecendo.
Quem poderia imaginar que após dia tão intenso
haveria tais emoções para enfrentar?
Mas, nada que uma brincadeira de “adedanha” não resolvesse.
E lá fomos nós revisitar os verbos no infinitivo
seguindo a letra do alfabeto sorteada...

Brincamos à exaustão!
Até que, ao passar por um atalho de ruas de bairro
(para fugir do engarramento monstro de rodovia)
nos deparamos com um carnaval mixuruca
na pracinha daquele bairro.
Uma música da caixa de som de segunda,
uns poucos dançantes já sem ânimo
e umas duas dezenas de foliões com copos
de cerveja nas mãos, entornando suas esperanças...

A brincadeira de “adedanha” parou.
Um locutor de ocasião, tomou o microfone
e após algumas tentativas para acabar
com a chiadeira do paciente, anunciou:
– Ô mãe do Felipe, onde você está?
Seu filho está aqui perdido,
precisando de você...
Nada.
O locutor anunciou de novo e resolveu
incrementar o anúncio:
–  Ele deve ter 1, 2 ou 4 anos...
Perceba-se que o álcool já havia
comprometido sua capacidade de avaliação,
mas não seu senso moral. Emendou:
– Gente, vamos ter cuidado com nossas crianças.
Ô mãe do Felipe, onde você está?
Resolveu entrevistar o menino:
– Felipe, você mora onde?
– Na casa da viagem!
– Ele não é daqui gente,
o menino não é daqui!
Parace que o entusiasmo de estar
praticando uma boa ação
levou nosso locutor anônimo
à ter uma conclusão lúcida.

E aí a fila de carros seguiu
e lá fomos nós com o incômodo no coração.

Era perto da meia-noite.
Novos barulhos somaram-se ao do microfone sujo
e nossa angústia pelo Felipe se diluiu.
Antes de sairmos da praça
alguém falou respondendo à pergunta do locutor:
– Deve estar com algum homem por aí...

Fiquei pensando na resposta do menino
à pegunta: “Onde você mora?”
“– Na casa da viagem!”

A resposta do menino me fez concluir
Que, se a vida é uma viagem,
existe uma casa onde se mora
e outra que é a casa da viagem.
A casa da viagem é uma casa de passagem.
Hoje se está nela, amanhã não mais!
Fica-se um tempo, mas sabe-se que
haverá uma volta, um retorno ao lar.

Do ponto de vista espiritual
nossa casa da viagem é aqui na terra;
não importa qual:
se pequena ou grande;
se simples ou luxuosa;
se descuidada ou limpinha;
se própria ou alugada;
nossa casa daqui – e qualquer casa –
é nossa casa da viagem...

Viemos de Deus e para ele retornaremos.
Qualquer casa aqui da terra
será nossa casa de passagem.
Quem se fixa nestas paragens,
se esquece que tudo aqui é transitório;
só a eternidade é definitiva.
E é aqui nesta casa da viagem
que a gente escolhe Deus.
Precisamos estar preparados
para o retorno à Casa do Pai.

Deus abandonou seu Filho à própria sorte na cruz,
para que o prazer da vitória fosse
dos demais filhos que adotou em Jesus.
Mas ele sofreu junto.
–      Eli, Eli, lamá sabactâni!

É egoísmo não lembrar do Filho
ao se optar por dar uma voltinha inconsequente neste mundo.

Lembremos que a viagem um dia acaba
e que todos retornaremos para Casa:
Estás preparado para o Encontro com o Pai?

Josué Ebenézer – Rio das Ostras,
15/02/2018 (07h31min).
[Calcada em episódio vivido no fim da noite do dia 13/02/2018].

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

CANÇÃO DO MINUTO FINAL

Uma pedra caiu.
Outra, àquela se seguiu.
Não ficou pedra sobre pedra
e começou a tentativa de engano
– na penumbra do mundo –
apresentando-se como o Cristo.

O sol, como bola de fogo,
entrou na janela da sala à meia-noite...

Ouve-se falar de guerras.

Puxa-se o tapete das civilizações
e há muita poeira escondida...

Nação contra nação
reino contra reino
irmão contra irmão
fomes, pestes, terremotos...

Chove ainda uma chuva fina:
tudo é apenas o princípio das dores.

Ninguém se comunica
bradam-se gritos de desespero
parte-se o espelho enigmático
há pavor por todo lado.

Os cristãos são entregues ao tormento
muitos são martirizados
o ódio aos filhos de Deus se expande
por causa do Nome de Jesus.

Sucumbe o gênero humano:
silenciam-se as mídias tecnológicas...

Ilógica vida tecnológica
que destruiu a Humanidade.

O escândalo toma conta da urbanidade
a traição é a regra
e prolifera o aborrecimento.
E surgem falsos profetas
enganando a muitos com suas lábias.

A iniquidade se multiplica como febre amarela,
enquanto o amor esfria na destampada panela...

Mas, a perseverança subiu
como asa delta colorida
que numa tarde serrana
ganhou a atmosfera
dos corações onde não tem fim
a perseverança que salva...

O relógio da humanidade parou
estamos no minuto final do mundo.
Jesus voltou!
Veio como relâmpago
que se mostra do Oriente ao Ocidente.
Veio sobre as nuvens
com grande poder e glória.

Meu coração arde como em Emaús.
Um grupo de discípulos comigo
sente bater no coração
toda a angústia do Projeto de Deus!

O sol escurece,
as estrelas caem do céu
as potências são abaladas.
Miríades de anjos
fazem o cortejo do Rei.

É o minuto final.
Todos se veem, todos se ouvem.
E não há um ser em pé, um sequer:
todos os joelhos se dobram!

É o minuto final.
O alarido é santo, santo, santo.
E não há uma boca fechada, uma sequer:
toda língua confessa Jesus Cristo como Senhor!

De repente o silêncio.
O silêncio infinito!
Estamos nos segundos finais do minuto final.
Jesus acaba de separar os bodes das ovelhas
e, olhando em nossa direção, diz:

– Vinde, benditos de meu Pai,
possuí por herança o Reino
que vos está preparado desde
a fundação deste mundo!

Anjos e homens irrompem em
Glórias e Aleluias
e acordam no Paraíso...

Josué Ebenézer – Rio das Ostras,
09/02/2018 (07h27min).

sexta-feira, setembro 08, 2017

UM FIM DE SEMANA

Passamos os dias úteis
esperando pelos outros
que nos são mais desejáveis.
Seriam aqueles inúteis
e estes, dos fins de semana,
um paraíso, oásis?

As cabeças voejam
pés caminham autômatos
por entre salões, corredores
comércio, indústria ou cultura
compõem aberta sepultura
para quem o trabalho é ópio
que anestesia o prazer
e que anseiam pelo ócio
do breve fim de semana.

Você começa a segunda-feira
já carregando no bolso
a entrada do show do sábado.
Você passou pela porta
do escritório ou fábrica
mas seu coração não entrou.

Você carrega na terça,
um caderno em suas mãos
dentro uma fotografia
e o bilhete amassado
do evento edulcorado
que o tempo já levou.

Talvez não queiramos muito;
o pouco seja suficiente:
um guaraná brasileiro,
pequena fatia de pizza,
e alguém ali à frente
com um sorriso no rosto
e sinceridade no coração.

Tem gente que vive
três milheiros de fins de semana
pra descobrir que a felicidade
estava nas pequenas coisas
e nos dias que tornamos úteis
pela doce alegria de viver.
Mas, como o tempo é implacável
quase sempre não há chance
de sequer se arrepender.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
31/08/2017 (04h51min).

sábado, janeiro 17, 2015

QUANDO

Quando tudo se acabar:
A noite não mais virar dia,
A fonte deixar de jorrar,
As árvores não frutificarem.

Quando tudo se acabar:
Os bebês não mais nascerem,
Os velhos esquecerem de morrer,
O azul não pintar os céus de anil.

Quando tudo se acabar:
A semente não mais germinar,
As flores perderem sua cor,
A poesia abandonar os corações.

Quando tudo se acabar:
Estarei do outro lado, louvando, com Deus
Iniciando minha carreira de poeta-cantor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

09 de Janeiro de 2015 (05h53min).