sábado, fevereiro 21, 2015

TRÊS CRUZES

Três cruzes de madeira
rústicas como a morte:
uma alta, como os céus
outra tosca, como o pecado
outra inquieta, como a chance
que a quase morte
ainda lhe dá em vida.
Três cruzes punitivas
três corpos marcados
três sonhos domados
prestes a fenecer.
Cruzes romanas,
de onde nascem perguntas
pulsantes, humanas:
quem são os que morrem?
e por quê tal sorte?
de no Monte Calvário
terem pena de morte?
Três cruzes
erguidas caprichosamente
sombrias, doridas
no alto do monte
ali erigidas
para tal como a fonte
jorrarem sempiternamente
suas mensagens:
há uma cruz infiel
que não reconhece seu erro
e zomba de Jesus.
Há uma cruz arrependida
que não quer o desterro
porque enxergou a Luz.
Mas, isso se dá
porque há uma cruz superior
é a cruz curadora
onde o Filho de Deus
entregou-se por nós.
Três cruzes!
Madeiro sangrento, madeiro
da morte, madeiro do Fim.
Madeiro que prega!
Três cruzes de punição
mas só na do meio há Ressurreição.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
21 de Janeiro de 2015 (08h41min).


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