quinta-feira, junho 19, 2014

OS POEMAS E AS HORAS

Reflito com meus botões: a mente
que pensa poemas
está fértil. Os pés deixaram o
gramado verde, aposentaram as
chuteiras e estão andando sobre
nuvens nas manhãs simbólicas
do Outono. Não há preguiça mais
medíocre que a de pensar.
Assim como planejo o cuidado
do vir a ser, transito palavras
nas vias do coração.
E elas levam, laboriosas,
meu sentimento ao mundo.
A mente que pensa poemas
não mente: as horas passam,
vão-se os dias,
mas a escrita que se semeia d’alma
colhe-se calma
no porvir.
A mente-poema alerta:
– Não tema!
As horas passam e, um dia,
o relógio trava:
quebra-se em cacos,
no éter sem gravidade da vida.
Não há mais giros no ponteiro.
Mas, os poemas ficam:
escritos em papéis soltos;
inscritos alhures nos corações presos
por suas palavras místicas...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

08 de Maio de 2014 (18h).

quarta-feira, junho 18, 2014

LÍNGUA

Língua do meu chegar ao mundo,
pátria do meu viver profundo,
passarela de cada sonho meu:
és o idioma que veste meu falar...
Língua que me convence a cada dia
que é possível a paz entre os homens
e necessário entre as gentes, harmonia
pra alcançar uma paz não só de nomes.

Língua que me absorve, me personaliza
que me faz transitar por toda cidade.
Língua que a vida em mim suaviza
e em meio à turba me dá identidade.
Língua que é poema, língua que é canção,
que caminha comigo como ave sonora.
Língua que do sentimento é expressão
e do fundo d’alma, passagem implora.

És força, ímpeto e fé quando língua-açoite
e és desafiada ante o mal não se calar.
Do homem destruído, tu afastas a noite
quando teu discurso faz o dia clarear.
Mas és língua-bandeira, a tremular branca
já que a paz é tua missão espargindo luz
és bandeira de paz que a vida abranda
e um vívido diálogo que a fé conduz.

Amo-te língua, idioma do meu nascer
que deu nome ao que meus olhos viram,
e nomeou emoções que as dermes sentiram
desvelando sentimentos, no imo a florescer.
Amo-te língua-mãe, língua-ama, língua-aio
que me fez sílaba, palavra, verso e frase
e me fez mensagem e me deu sentido
e assim vou caminhando, a mudar de fase
tornando-me um poema de Deus renascido!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

08 de Maio de 2014 (07h07min).

BRANDO

Tudo, nesta escuna, áureo poema
manso, sutil, descobrindo o mar
horizonte visto, alongando o ar
aves em bando, entrando em cena.

Poemalizamos, ó versos esparsos
música que ecoa, em livres palavras
eu, simples poeta; tu, poesia em lavras
és ouro na peneira de garimpos parcos.

Mas o mar é calmo, versos em candura
sem temor na popa, vela-verso ao vento
e a poesia flana pela proa em tempo
de sentir a paz, poema em brandura.

Respingos em brilho de Sol que se refaz...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

06 de Maio de 2014 (20h35min).

COMO VOCÊ CONSEGUE?

Já me perguntaram sobressaltados:
– Como você consegue escrever isto, cara?
– Você disse o que eu sempre quis dizer.
– Falou de um jeito que só você.
– Como consegue?

Mas já me surpreenderam também com esta -
depois de acrescentar uns detalhes
no labor poético de cada dia
da poesia minha, poesia nossa, para todos:
– Ah, é assim que se faz poesia!

E eu, quando perguntado “como consigo”
fiquei sem saber dizer até para comigo,
pois só sei que a poesia me toma de assalto
e sei que tem construir e tem pensar alto
mas não sei se consigo. Sinceramente.

E quanto à interjeição “é assim que se faz”
até hoje não me recuperei do susto
e nem sei se quem falou foi justo,
pois me pareceu total simplificação
do que é labor intenso, bem mais que inspiração.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

06 de Maio de 2014 (19h40min).