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quarta-feira, novembro 30, 2016

AH, OS POETAS!

Os poetas são sensíveis
em seus reversos.

Os poetas se imitam
os poetas são de lua.

Os poetas são risíveis
vistos assim pelos versos.


Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

31 de Outubro de 2016 (17h03min).

domingo, dezembro 28, 2014

A FORMAÇÃO DA POESIA

Pressupõe-se que todos os poetas
sejam detentores dos mistérios dos céus,
das armadilhas do coração
e das inquietações do além túmulo.
Mas, não quero me ocupar do espírito do poeta
senão da matéria inorgânica
que dá origem e formação à poesia.
No âmago do poeta dá-se a formação da poesia
e o idioma apenas conduz as palavras
pelos caminhos da expressão.

Por que fazemos versos rimados
ou poesia livre
que desenham a beleza da moça na janela
e construímos metáforas com o sol
que ilumina as folhas verdes da bananeira impura?
E, por que os poetas do mundo precisam
de papel e palavras
para compor poderosos poemas
que irão contar suas histórias
e cantar suas emoções
em quintais nunca dantes visitados
que sorrirão sorrisos tímidos ou largos
como se deles se estivesse falando?

Impotente é o poeta ante o poema que o possui.
Poderoso é o poeta para o mundo que consagra sua canção.
O poeta é apenas canal da poesia
para um mundo sedento de expressão.
E, quando as torneiras-coração se abrem ao redor do Planeta,
jorra a poesia universal
de que é condutor o poeta
que fala a linguagem do Belo.

Imponente é a poesia que embeleza a vida.
O poeta utiliza-se das mesmas palavras
que constroem horrorosas sentenças judiciais.
Mas, as torna diferentes
ao emprestar-lhes os signos de um coração
que capta a alma humana.
E, como nas primitivas sociedades,
a poesia é o totem
que se ergue com palavras
para dizer que o ser humano e a vida
são mais que matéria.

Não são muitos que entendem isso
– somente aqueles que têm coração de poeta –
a formação da poesia no interior da vida.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
14 de Dezembro de 2014 (05h25min).


segunda-feira, outubro 27, 2014

OUVIDOS DE PAREDE

Escrevo para as paredes
que, já se disse, têm ouvidos.
O que é escrito vai para as redes:
versos egóicos, desinibidos.

Escrevo por causa das paredes:
hoje já não há poeta em solidão.
Se alguém descobriu minhas sedes
que dessedente o próprio coração.

Escrevo cercado por paredes
expondo este meu mundo interior.
Diria o sábio: - O que não vedes,
do poeta, traz a marca do amor.

Escrevo sabendo que as paredes
não limitam o meu Universo.
Aos outros, diria: - O que não ledes,
eu digo ao mundo em cada verso!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

23 de Agosto de 2014 (04h01min).

domingo, setembro 14, 2014

OS VERSOS DO MEU POEMA

Os versos do meu poema
não são para cantar
não são para ouvir.

O poema é um edifício
meio démodé
(rococó? gótico? jônico?)
meio verticalizado
na página de meu caderno
de notas esparsas
quais andorinhas que não voam só...

Tem que ser lido
– e entendido –
se preciso, fazendo cálculos;
subindo andar por andar
as escadas internas
para conhecer as entranhas
desse prédio chamado poema;
para degustar os sabores
e aguçar os paladares...

Mas, depois, é preciso subir
pelas escadas externas
(as de incêndio)
para perceber o colosso
da beleza arquitetônica do poema
na construção da forma
nos detalhes do acabamento
na beleza do conjunto.

Conteúdo e forma
sim, para marcar o tempo
acrescentar movimento
ao poema que é pra ser:
lido com a alma
entendido com o fígado
reconhecido com a cabeça
amado com o coração
enquanto o vento assobia
em meus ouvidos sensíveis
qualquer composição divina
de Johann Sebastian Bach.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
05 de Julho de 2014 (05min).