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quinta-feira, outubro 18, 2018

CANÇÃO ENGENHOSA


Eu sou adorador, gente!
Obreiro transcendental
de louvores eco-escatológicos;
cantador do Universo
onde gravita Deus...

Sinto mais forte que todos
a presença do Espírito,
que me toma por inteiro.
Quem louva como eu,
canta e louva pelo Espírito,
que fala por meio de nós.
E estrelas sibilam sons,
ondas emitem canções
e, vai-se ver, não é delas...

Reduzo tudo ao louvor,
mas o Absoluto é inesgotável!
Quem comigo não faz coro,
perto de mim não faz solo.
A Igreja que frequento é dos irmãos
e ela existe pela e na comunhão.
Nela, qualquer distância,
entre quaisquer duas pessoas,
sempre se chamará Amor!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
16/10/2018 (05h10min).

terça-feira, setembro 25, 2018

CANÇÃO CAPENGA


Capenga, penga, na capela
a canção do cantador...
Larga a capa, acende a vela
canta para o seu senhor.
O som vem à minha porta
entra em casa, faz morada.
Este é o som da alegria
é o som da madrugada...

Capenga, encrenca, na capela
quero eu ser escalado...
Pra cantar esta canção
não sou tão desafinado.
Vou cantar com emoção,
com os dedos, com a voz.
Capenga, penga, na capela
capengando el capellán.

La canción ya no será
tão capenga, penga, penga.
Quero colocar firmeza,
acabar com esta encrenca.
Vou acrescentar beleza,
tonalidade e harmonia.
Fazendo ecoar na noite
esta incrível melodia!

Estas canções que ouço
atravessando a fazenda
quando estou no terreirão...
São as canções do passado,
do presente e do futuro
da família em seu lidar.
São as canções para o gado
são a canções de ninar...

Outras vozes já cantaram
vozes várias, vozes mil.
Vozes que não sossegaram
e ecoam em meu Brasil.
Com galos da madrugada
ecoam vozes de cabra-macho,
gado, ovelhas, cães de guarda
junto aos cantos do riacho.

Não sei se é medo ou sofrença,
mas se não ouço as canções
quando eu lá vou visitar...
Este lugar que é da família
onde resiste um pomar
com suas frutas e cheiros,
seus sabores e temperos,
quase me ponho a chorar...

O passado traz lembranças
capenga, penga, na capela.
Retine no ouvido as canções
de um passado que se foi.
Recordo minhas andanças
não é emoção de lapela
são doces as recordações
como a guiar carro de boi...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
05/09/2018 (04h02min).

quarta-feira, junho 13, 2018

CANÇÃO DE FIM DE MAIO

Como és linda, manhã de maio, manhã de oração.
Linda como os crentes que carregam uma fé no andar.
O verdureiro da esquina testemunharia: são lindos!
A manhã, os crentes e o bom-dia da passarada.

Maio. Inverno próximo. A luz da aurora rompe a serração.
Se esta igreja fosse minha, ela não seria mais...
Não mandaria tapetar, não mandaria ladrilhar.
A igreja aguarda a eternidade de ruas de ouro.
É bom que ela seja – e continue sendo – de Deus.

Neste maio de muito vento, poucas flores, tantos amores
reencontrei o puro gosto da comunhão
quero dar vida aos simples grafemas
tecer laços com muitos poemas
para fortalecer teu jeito, igreja-herdade
de Deus “coluna e firmeza da verdade!”

Quero ter nos lábios uma canção...        Igreja
deixa eu ser feliz...               Adoração.
Os dias passam como um conto ligeiro,
como uma erva, como um vapor,
mas só o Amor, só o Amor é verdadeiro...

                        Se esta Igreja fosse minha,
                        eu nada iria acrescentar...
                        É bom que ela seja de Deus
                        é ela que nos pode orientar.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
28/05/2018 (04h49min).

sexta-feira, fevereiro 23, 2018

FLAUTA DOCE

A flauta doce rivaliza com o piano,
geme sua canção tirando do espírito
o sentimento que o menino traz na alma.

O pianista reeduca suas mãos
para fazer sobressair o choro da flauta doce.

Quando a flauta se sente protagonista,
o menino parece flutuar,
e percebe-se a presença de um doce espírito.

E as mãos seguram a flauta junto à boca
e o menino balança-se em revoluteios
leves como a brisa;
parecendo as ondas do mar
em suas curvaturas harmônicas.

Lembra o céu, lembra o mar!
Há mistérios na canção
que só o coração que busca pode sentir;
flauta doce aos ouvidos
de corações amargurados pela vida;
sons apaziguantes
cheios de uma divina melodia:
há uma canção de paz em teus gemidos,
há uma oração de gratidão em meus sentidos.

Josué Ebenézer – Rio das Ostras,
10/02/2018 (06h14min).

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

INSPIRAÇÃO POÉTICA

E nesta hora em que o silêncio anuncia a noite
e o que se ouve neste recanto são os sons da Natureza
a poesia encosta no meu ombro e faz carícias na alma
e um leve sussurrar de palavras, cochicha esperanças no meu coração.

A vida é simples e boa, quando pelas janelas da alma se enxerga o futuro.

A noite urbana é povoada de luzes;
aqui do meu recanto vejo ao longe,
os vaga-lumes tecnológicos.

(O teu sorriso, poesia, ilumina  minha noite rural.)

Quem é que pode conceber uma vida sem ti?
Se é possível a perfeição nesta vida,
ela estará bem próxima de ti, Poesia.

Aqui no meu recanto, tudo é harmonia e canção.
Canta o riacho que corre dia e noite sobre seixos ovais.
Canta a noite com sua orquestra divina.
Cantam as árvores com suas sibilações ao vento.
Cantam os pássaros no anoitecer e na alvorada.

Aqui no meu recanto, sinto uma paz que não sinto além.
Além do canto, tem perfume e tem flores;
tem a poesia dos pássaros voando;
tem da roça e do pomar, novos sabores;
tem alegria no olhar e seus frescores;
onde cantam bem-te-vis e azulões;
onde reina o gavião e tem coleirinhos;
onde minha alma voa com a passarada
para o infinito céu azul de anil do meu lugar.

Aqui no meu recanto, a comunhão é uma escolha.
As pessoas daqui são mais serenas
e as crianças são livres pra viver;
onde se busca viver de forma plena;
onde se abraça o sonho e não larga mais.
No meu recanto eu vivo a inspiração da vida.

E a lua lá do céu brilha soberana na escuridão
e escuta solene esta minha oração.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
24/01/2018 (17h48min).