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quinta-feira, maio 10, 2018

ILUMINAÇÕES


A Sônia Petrini
 
Sem que se dê conta, chega a noite.

O breu assume o controle do espaço.

Mas a cidade resiste e promove uma rebelião
de milhares de colares de pérolas iluminadas.

Brilham na densa noite as casas em festa
vias terráqueas que salpicam luz no breu,
e quais indômitos faróis protegem-se da noite.

Até que pouco a pouco, apaga-se a resistência
e a cidade dorme sem as luzes artificiais:
Ah se não fora o Sol do Cristo
a iluminar por dentro os que dormem serenos...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
29/03/2018 (04h51min).


quinta-feira, fevereiro 01, 2018

INSPIRAÇÃO POÉTICA

E nesta hora em que o silêncio anuncia a noite
e o que se ouve neste recanto são os sons da Natureza
a poesia encosta no meu ombro e faz carícias na alma
e um leve sussurrar de palavras, cochicha esperanças no meu coração.

A vida é simples e boa, quando pelas janelas da alma se enxerga o futuro.

A noite urbana é povoada de luzes;
aqui do meu recanto vejo ao longe,
os vaga-lumes tecnológicos.

(O teu sorriso, poesia, ilumina  minha noite rural.)

Quem é que pode conceber uma vida sem ti?
Se é possível a perfeição nesta vida,
ela estará bem próxima de ti, Poesia.

Aqui no meu recanto, tudo é harmonia e canção.
Canta o riacho que corre dia e noite sobre seixos ovais.
Canta a noite com sua orquestra divina.
Cantam as árvores com suas sibilações ao vento.
Cantam os pássaros no anoitecer e na alvorada.

Aqui no meu recanto, sinto uma paz que não sinto além.
Além do canto, tem perfume e tem flores;
tem a poesia dos pássaros voando;
tem da roça e do pomar, novos sabores;
tem alegria no olhar e seus frescores;
onde cantam bem-te-vis e azulões;
onde reina o gavião e tem coleirinhos;
onde minha alma voa com a passarada
para o infinito céu azul de anil do meu lugar.

Aqui no meu recanto, a comunhão é uma escolha.
As pessoas daqui são mais serenas
e as crianças são livres pra viver;
onde se busca viver de forma plena;
onde se abraça o sonho e não larga mais.
No meu recanto eu vivo a inspiração da vida.

E a lua lá do céu brilha soberana na escuridão
e escuta solene esta minha oração.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
24/01/2018 (17h48min).

sábado, dezembro 30, 2017

A IGREJA ADORMECIDA

Noite.

A igreja, na escuridão, parecia mergulhada
nas brumas de uma garoa silenciosa...

Os céus se vestem de nuvens corredias
e espreitam os crentes.

Postes estáticos enfileirados na rua
são apenas suportes de lâmpadas mortas.

Parece que o breu se faz pastoso e denso.

Pessoas flutuantes adentram a igreja para a Vigília.

Faróis de automóveis se apagam com o passar do tempo
e nenhuma nota se faz ouvir das teclas do piano preto de cauda.

Recebo a visão de corpos que se inclinam ao chão
e aos poucos perdem a pose e se esparramam
no velho assoalho de madeira...

“Era uma vez...” – em certo lugar –
uma igreja adormecida
que desaprendeu a orar
que abdicou de amar
que perdeu a alegria da salvação
e o profundo valor da comunhão
e que precisa, urgentemente, acordar!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
28/12/2017 (05h51min).

terça-feira, janeiro 17, 2017

VERSOS SERRANOS – VII

A noite esconde as árvores
e as montanhas.
A noite silencia os pássaros.
Só os cães ladram
anunciando que humanos
estão acordados.
Noites furtivas da serra
– como palavras –
que escondem signos
por entre os seus fonemas.
Noites não capturam
o sentido,
a dor,
a cor da saudade
e a vaidade da vida.
A noite é boa
companheira para a poesia.
Mas, há insetos noturnos
que insistem em
musicar as palavras.
Noites são como
águas corredeiras
em leitos de rios cheios.
Só que não dá para pescar
sem a isca da Lírica
que cavalga as palavras poéticas...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
11/01/2017 (22h42min).

quinta-feira, junho 11, 2015

A NOITE ESTÁ SEM O BRILHO ESPERADO

Ele entrou na noite com a expectativa
de que finalmente chegara ao descanso.
Mas, que é a noite senão o findar
de um longo ou então um tão breve dia?
A noite lhe trouxe certa agonia:
a sensação frustrante do não alcançado,
pois o brilho da noite, este tão esperado,
as estrelas escondidas não ofereceram.
Sua existência pautada por um labor constante
e agora, agitada, neste cruel exato instante
que ele percebe que a noite chegou.
Sente vontade de engatar a marcha-a-ré
voltar ao passado, tomado de uma fé
de que se vivesse de novo,
se trilhasse diferente caminho,
sua noite não seria este vil estar sozinho:
a solidão dos que chegam ao fim da jornada
sem o amparo de alguém, alma despreparada
para o apagar das luzes, de uma vida que já não é...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

14 de Maio de 2015 (04h22min).

sábado, fevereiro 21, 2015

TREVAS

Tem-se no teto um manto tenebroso
horroroso, o dia nem é feto
abjeto – assombra, o breu malcheiroso

emerge da escuridão um sopro quente
um hálito, um bocejar do firmamento
e, no momento, tormento, o corpo sente

emerge do sopro quente um grito
um apito desenroscado na noite
agito, açoite, atropelo, atrito

tem-se no sopro quente uma chance
apenas um relance, soporífero
dormir, esquecer, perdoar, alcance.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
20 de Janeiro de 2015 (18h32min).