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quarta-feira, fevereiro 15, 2017

VERSOS RURAIS – VII

Montado no cavalo manso
da Fazenda do Encanto
percorro as terras lavradas
sob o olhar do patrão.
Vou trotando este remanso
tendo céu azul por manto
vendo as terras cultivadas
com afinco, dedicação.
Enquanto baloiço ao vento
na sela de meu cavalo
enxergo por um momento
peões no morro a cavá-lo.
Há esperança no ar
quando sai o lavrador
e se põe a semear
seu cultivo com amor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
10/02/2017 (04h28min).

VERSOS RURAIS – VI

A junta de bois puxa o arado
que nestas trêmulas mãos
ziguezagueia esperanças
em chãos de terras batidas.
Naquele instante difícil
sou o avesso da certeza,
mas trago no peito a fé
e um sonho no coração.
No horizonte onde um sol
tímido anuncia novo dia
enxergo o brilho da vitória
mesmo de mãos vazias.
É o resplendor da glória
que a lavoura me trará
e, creio, não será fugidia:
meu coração é terra fértil!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
10/02/2017 (04h13min).

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

VERSOS RURAIS – V

Uma enxada na mão
um poema no bolso
esperança no coração.
Seu Zé acorda cedo
sai com as ferramentas
assovia o seu enredo:
quer transformar o poema
em uma bela canção
retratar, da vida, o tema.

Como ele no lavradio
há outros que alimentam
um sonho nada arredio.
Enquanto cavouca a terra
e ajeita o chapéu de palha
sabe que a fé não erra.
Enquanto larga a semente
no solo já preparado
sabe que a fé não mente.

É feliz quem como o Zé
trabalha no sol a pino
e não larga a sua fé.
É feliz quem tem sorriso
e uma canção nos lábios
como quem vive Paraíso.
A semente a terra acolhe
para colheita de futuro
em vida que a fé recolhe.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
09/02/2017 (06h25min).

VERSOS RURAIS – IV

A sua relação com o campo
é quase simbiótica
não há ilusão de ótica
o campo é você, você é o campo
você já pisou muito
aquelas terras com os pés descalços
você já sentiu na derme
a sequidão da estiagem
e a umidade dos alagamentos
mas, em todos os momentos,
não deixou secar a esperança
em cada solo plantado
você marcou um encontro
com a saga da colheita
e crê, não haverá desfeita
pois no dia aprazado
se apresentará sorridente
você carrega nos olhos
o mapa da plantação
você carrega a esperança
nas dobras do coração
e sabe, de pronto,
a resposta para o onde
confiado de que Deus
vai prover o quando...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
08/02/2017 (06h11min).

VERSOS RURAIS – III

Você está no campo e olha
o horizonte infindo da lavoura
você delicia-se no lavor
esquecido da cidade
que ficou pra trás
são exatos dois alqueires
é terra preparada e semeada
seus trabalhadores cuidam
cada qual de seu torrão
sabe que a incerteza espreita
carrega a enxada na mão
na esperança da colheita
e leva junto a paz no coração
de alguém que crê tão-somente
num Deus que é sem fronteiras.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
06/02/2017 (06h01min).

quinta-feira, maio 08, 2014

TU, MEU DEUS!

Viestes-me ao encontro quando
escondido no silêncio de minha alma
e abandonado na esperança
já não enxergava horizonte. Ternamente,
em meio a tudo, as suas mãos não se detiveram
na periferia do meu ser. Solitário, na multidão,
senti o abraço do Espírito, e, o meu corpo ferido,
abandou-se ao aconchego, de que me fizestes objeto
no lugar secreto da comunhão.
Nos instantes da eficiente harmonia,
são suas mãos, que em paz, sinto a tocar-me.
E na noite da vida, angustiante existência,
a revolta esvaziou-se momentânea, até escutei,
os antigos LPs de Feliciano Amaral
replicarem canções da fé dos meus pais
e conclui que era possível uma paz duradoura.
Houve morte ou vida; indaguei atordoado.
Não havia alguém perto para compreender
meus pensamentos, entrar no meu imo,
interessar-se pelos meus desejos de mudanças.
Quem haveria de escutar-me na hora da dor profunda?
Tu, meu Deus! Meu coração batia forte na resposta interior.
Tu és o Pai de todas a luzes e meu coração irradia esta paz.
Eu era o recém-nascido, o Nicodemos pós-moderno
e aquele que haveria de resplandecer sua luz.
E para mostrar que sua graça é infinda
e seu amor não termina,
os olhos teus, meu Deu, me encontraram na agonia
e raiou em mim novo dia, em alma adormecida.
Senti bambearem-se minhas pernas
quando o Espírito soprou vida em meu ser:
Mas, fiquei de pé!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

01 de Maio de 2014 (10h30min).

terça-feira, abril 15, 2014

SO(L)UA

Depois do sol e da lua
            e o desencontro no horizonte
            e a solidão do espaço.

Depois do dia e da noite
            e a claridade ofuscante
            e a noite qual ébano tapete.

Entraram no sono e no sonho
            e o descanso presente
            e a viagem no sonho.

E o mergulho na esperança
            o submergir da agonia
            o emergir da paz.

Com os sentidos alertas
            e o êxtase envolvente
            e a chama que arde.

Se revoluciona o imo
            e quase é sol radiante
            e quase é lua vivaz.

E o intercâmbio de cheiros
            no suave perfume da rosa
            na concepção lúdica do amor.

São criaturas do dia e da noite
            a transitarem leves na horas
            e cumprirem a vida como passatempo.

São feitos um para o outro
            e quando um se apaga o outro acende
            e quando um se deita o outro levanta.

E nos encontros e desencontros
            do ver longe e não chegar
            do sorrir ao outro, iluminar.

O Criador entendeu esta chama
            e sol e lua platonicamente
            se encontraram no eclipse.

E no Calendário do Universo
            o mundo do amor pausa para assistir,
            no eclipse, o milagre do So(l)ua...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

12 de Abril de 2014 (16h56min).