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quinta-feira, janeiro 18, 2018

CÃOPOSIÇÃO POÉTICA…

Foi um acontecimento de emoção
em uma viagem: a bel Natureza
insiste com sua doce inspiração
a me encantar com sua beleza!

Ó, que destreza! preciso pra tanto ver...

Águas que vem, rios que passam,
árvores que propõem refrigérios.
A fauna nativa, mais que pássaros,
me envolve em seus mistérios...

Águas da Fonte regam minha inspiração...

Calmo respiro e presto quero compor.
A lua de noite, o sol na enseada,
gentes morenas me enchem de amor.
Faço da Poesia minha namorada.

E a lua na noite reflete o meu espírito.

Meu sonho vai por Natureza à dentro;
estou extasiado com tamanha Arte.
Não escrevo, a Poesia Viva é o centro
do meu olhar: está por toda parte.

E o céu tão perto, a Arte divina da Criação!

Volto pra casa, depois de idílico poema,
com apenas um texto escrito no bolso.
Mas, com alma lavada, a poesia é o tema
que desde cedo, com prazer me envolvo.

Já tão distante, ainda te vejo, ó Natureza!

Só não imaginava que iria encontrar
outra Poesia Viva em meu caminho.
O travesso Will, nosso canino do lar,
fuçou meus papéis: peralta cãozinho.

Meu dog de estimação fez sumir a canção...

Mas, quem disse que me abati, com isto, afinal.
Perdi o poema escrito, não volta a inspiração.
Will será agora, o cão mais charmoso, original:
Poesia Viva que me segue, minha cãoposição!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
15/01/2018 (08h47min).

terça-feira, janeiro 17, 2017

VERSOS SERRANOS – VI

Aprendi a fazer poemas sobre a serra
sentindo o vento no rosto
e o baloiçar das folhas nas árvores

quando começo a escrever
as palavras se aproximam
e se dão as mãos

a natureza é tão unida
quanto o idioma
esta última flor do Cão Sentado

eles se reinventam
ao sabor dos tempos
combatendo a degradação

aprendi a fazer poemas
sentindo o cheiro da graviola
aberta ao meio e revelada

sentindo o cheiro da terra
encharcada de sonhos
após chuva de verão

sentindo as palavras cobertas
das caldas de sorvetes
dessas frutas suaves da estação.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
11/01/2017 (06h35min).

sexta-feira, dezembro 16, 2016

À SOMBRA DO JATOBÁ

Descansando sob as sombras do jatobá
vem o Espírito e sopra uma visão
neste outono singular, frutos maduros
e frágeis folhas largadas pelo chão.

A humanidade despenca em meu pensar
na angústia seminal de quem não tem
o domínio do amanhã, na liberdade,
que as sombras movimentam em ilusão.
Onde a realidade, mais além do fecundar
deste solo em que folhas apodrecem
e o gado faz dos frutos, alimento
enquanto as sombras simplesmente vão?

Caiam as folhas e se façam novas sombras
e mudem meu mundo de forma proposital.
Meu jatobá será, então, meu alimento
e debaixo de suas copas sentirei o Vento
soprar em mim suas boas diretrizes.
O mover do Invisível está em mim
e como as árvores creio em suas raízes.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
10 de Novembro de 2016 (05h51min).