quarta-feira, abril 02, 2014

NESSA ESCOLA

Nessa escola não me encontrarás
onde os mestres já não mais são
e as cátedras ciências foram.
E tu estarás no pórtico
acreditando que vou aparecer
e teus olhos argutos
vasculham as escadarias
mas eu ali não estou...

Tu estarás convicto de minha presença.
Os livros debaixo do braço
enquanto brincas com a lapiseira nas mãos...

A noite chegará e o aprendizado:
de que a vida pode ensinar tal como os livros;
de que a fé pode abrir horizontes tal como a ciência;
em parte conhecendo, em parte sendo conhecido;
em parte aprendendo, em parte acreditando...

E eu te deixarei na escola aguardando o impossível
enquanto prossigo fazendo da terra, céus e mar
a estrada que me levará aos horizontes pretendidos...   

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

26 de Março de 2014 (18h45min).

IMPROVISO NA SACADA DE CASA

Vento forte em meu rosto
sulcos densos; peito e face.
Os cotovelos na amurada
batem esperas no queixo duro.

A espera do cair da tarde
e de que o vento que passeia
por entre os eucaliptos novos
traga respostas sibilantes...

Meus olhos vagueiam ariscos
quem sou no verão que venta?
O outono não se apresenta
saboreio petiscos frágeis.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

26 de Março de 2014 (15h50min).

ENTRE O SÁBADO E O DOMINGO

Entre Sábado e Domingo
repentino; oh, glória!
A vida ressurge,
abre-se a flor do pântano:
Rara, bela e sedutora.

O domingo chega
já não há mais flor
o ser é que está murcho
lábios emudecidos
já não há louvor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

26 de Março de 2014 (15h36min).

PERDA

Quanto dói
a partida de alguém,
a dor da despedida,
a flecha da separação,
a seta da morte que
atinge o alvo sem dó nem pena
sem atrasos ou adiamentos
na hora indigesta
no momento rude
em que os corações feridos,
lacrimejantes,
vertem abundantes pesares...

Quanto maiores os amores
mais amplos os temores
e a gente manifesta o pesar
deixando que a emoção suplante
– e até desbanque – do imo
qualquer sombra de razão.

Nesta hora,
em que aquele que foi descansa
e os que ficam pendem na balança
do alívio e do sofrer
é o Espírito que se avizinha
e em nosso coração se aninha
para a paz a alma ofertar.

E cada um de nós com mãos estendidas
recebe com gratidão
o conforto dessas despedidas
que começam em nossa urbanidade
e acenam um reencontro
para além, muito além, na eternidade.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

25 de Março de 2014 (14h05min).

POESIA PERSONIFICADA

Poesia personificada
é a moça da sombrinha vermelha
na chuva cinza diante de mim.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
25 de Março de 2014 (13h40min).