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quarta-feira, setembro 18, 2019

Breve poema do sacrifício diário


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SÉRIE – A VIDA É BREVE COMO UM POEMA ESCRITO NA NEVE - 158


Breve poema do sacrifício diário


se somos todos entregues à morte
e isso é algo de cada dia e todo dia
que diremos de quem teve a sorte
de na Cruz realizar santa Utopia
o sacrifício diário não chega perto
solidão que salva, Cristo é Servo

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
28/08/2019 (08h26min).




segunda-feira, dezembro 31, 2018

QUEM CUIDA DOS VIVOS TAMBÉM CUIDA DOS SEUS MORTOS...


Aos missionários que deixam sua pátria e família
e se lançam no cumprimento de sua missão
sem saber se voltarão para casa...

Repousa no triste solo –
da ilha dos irmãos Castro
e de Fulgencio Batista –
como uma rosa sem talo,
como bandeira sem mastro:
o “Cementerio Bautista”.

Cemitério missionário
onde foram acolhidos
os que a tudo deixaram.
Cada qual um perdulário
ao Espírito dando ouvidos
em Cuba a vida gastaram.

São aqueles que aceitaram
o apelo sacrossanto
de a vida consagrar.
São aqueles que partiram
deixando os seus em pranto
e se lançaram ao mar.

Ante o “Ide” de Jesus
por todo mundo e fazer
do perdido um cristão.
Acenderam sua luz
e a Cristo resplandecer
foram na escuridão.

Foi isso que contemplei
em lampejo missionário
estando eu em Havana.
Foi isto que vislumbrei
diante do cemitério
morto em meio à savana.

Mas o que está vivo em mim
e se acende até hoje
é o cuidado com os seus.
Esta mensagem é sem fim:
“Quem aos mortos, vida trouxe;
torna-os vivos para Deus.”

Quem cuida hoje dos vivos;
que apresentam compaixão
para ganhar o gentio.
Não os deixa esquecidos
quando a pátria do coração
se faz “sequidão de estio”.

As cruzes em cada túmulo,
espetadas bem no alto
e nas lápides, os nomes.
Para muitos é o cúmulo
do absurdo e um assalto
à vida e seus pronomes...

Mas, se a alma vale mais
que o mundo inteiro junto
como nos diz a Palavra.
Não será nada demais
acabar como um defunto
em meio à missão que salva.

Pousa ali no cemitério
naquelas ervas que crescem
em horas paralisadas...
O espírito missionário
enquanto ali adormecem
tantas vidas consagradas.

O lugar é um monumento;
uma homenagem às missões
levantadas nos desertos.
Abstrata cena de momento
em que avisto corações
que por Deus foram despertos.

Já vi nos campos do mundo
onde a fé se foi plantar:
creches, templos e escolas.
Mas pra mim foi mais profundo
um cemitério encontrar
em meio à tantas esmolas.

Se é ausência e presença
a cena ante meus olhos
do cuidado com os já idos.
Qualquer, que um pouco pensa
sabe que volta com os molhos
quem semeia aos sofridos...

Pode crescer o abandono
nos cemitérios distantes
onde estão homens de Deus.
Mas todos sabem que o Dono
dos mortos, vivos, errantes
nunca abandona os seus.

Preciosa é ao Senhor
a morte de cada santo
que em vida foi escada.
E se cumpre do Amor
(mesmo sepultos no manto):
“Depois de morto, inda fala!”

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
28/12/2018 (05h43min).

domingo, dezembro 31, 2017

POUCO CASO, POUCO…

Entre as árvores,
uns grilos cantores noturnos,
e a noite é suave...

A caminhar na praça, ele,
e a brisa fresca no corpo,
e o pipoqueiro
e mais ambulantes
e o carrinho de cachorro-quente,
e uma certa poesia em tudo:
e na noite, e na praça,
e nas árvores, e no coreto...

Arnaldo caminha indiferente:
nada vê, quer ser visto!
Mas, também, não se importa:
seu ego já lhe basta.
“Narciso acha feio
tudo o que não é espelho!’
Surge, dentro dele,
uma revolta interior.
Reclama que o mundo
não lhe dá valor.
Prossegue, passos largos,
enxergando só a si,
pouco se importando
que os indivíduos
se realizam no outro...

Da coruja, seu piado,
um chafariz iluminado,
uma bandinha tosca,
uma moça sai da toca
dirige-se resoluta a ele.
Que não gosta do que vê,
e não gosta do que ouve,
faz cara de pouco caso
nem dispõe-se a se deter.

A noite passa lenta,
como passam a vida
e os seus personagens...
O único automóvel
que apressado roda
naquela triste hora
é um ônibus imenso
azul como o céu.
E Arnaldo se precipita
à frente do lotação
antes que o breque
impeça seu cabelo black
power, desalinhar-se.
Estira-se inerte no asfalto
o corpo morto do Arnaldo
no aguardo do velório
que atraiu uma multidão.

Ele, agora, não podia
recusar nada ou ninguém...
Já era tarde demais.
Ou, melhor, noite demais,
chegou primeiro de janeiro!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
30/12/2017 (05h59min).

terça-feira, dezembro 20, 2016

VIVER NO PRADO, ÚLTIMO PASTO

não é a morte que me faz motivo
essa bandeira não vou desfraldar
quero uma lembrança, escultura viva
corpo e alma fértil, neste caminhar

antes, vou viver, aqui por onde estou
neste meu lugar, em que verdes campos
acenam esperanças e plantio certo
e colheita boa, junto a Deus eu vou.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
16 de Novembro de 2016 (07h43min).

sábado, agosto 29, 2015

FILHO PRÓDIGO BRASILEIRO




O filho pródigo voltou!
Do terreiro todos gritam
em forma de saudação
o retorno daquele
que não deveria ter partido.
Volta a casa do pai
que abre os braços feliz
esperando o arrependido.

Mas, o pródigo brasileiro
que partira deixando saudade
no auge da mocidade
encantado com o mundo
sem saber do vespeiro
dos gestos de insanidade,
esgotamento profundo...

O pródigo que subtraíra
o trocado de seu pai
tomando das economias
de uma vida de trabalho;
que fora rebelde ao extremo;
que vendera os bens da casa
em troca dos prazeres da vida;
que roubava pra fumar;
que jogava pra ganhar...
Nas cartas do baralho
na pedra do crack maldita
consumia sua própria vida
e punha tudo a perder.

Este pródigo brasileiro
consumiu a saúde do pai
exauriu o sentimento da mãe
deixou irmãos a ver navio.
Fez de sua casa um inferno
ao aprontar suas sandices
ao mentir, não se arrepender
e arrastar sua imundície
para dentro do sacro lar.

Perdeu-se a paz e a saúde;
o que restava de comunhão
o pródigo brasileiro explodiu
no inferno da preocupação.
A vida tornou-se vazia
o medo criou asas de morte
e sobrevoava a utopia
dos que riam da própria sorte.

Na selva do mundo sem Deus
o pródigo fez caminho próprio.
Comprou arma, matou gente,
em uma vida inconsequente
dominada pelas drogas.
Arrastou jovens pras trevas
ganhou fama no submundo
do crime e também das ervas.
O pródigo brasileiro se rendia
aos apelos da luxúria
e, em tudo o que fazia,
não se falava em penúria.

Largado à própria sorte
num mundo de perdição
escondido pelos morros
sob intensa maldição
o filho pródigo brasileiro
confrontando o sistema
montou o próprio esquema
de burlar, se defender.
Montou arsenal próprio,
recrutou rapaziada
trocava de namorada
como quem troca de roupa.
Tinha grande estrutura
que representava ruptura
com o Estado de direito
montando poder paralelo
de quem só gasta e não poupa.

Este pródigo brasileiro
preso, fugiu várias vezes:
comprava o carcereiro,
subornava os guardas,
tinha advogado de plantão
que usava os artifícios
de uma frágil legislação
para soltá-lo aos vícios.

Numa dessas, o pródigo
sentiu de perto o aperto
sonhou por certo o acerto
de a vida recomeçar.
Imaginou como estavam
os velhos no interior
na velha casa de bairro
que em meio ao vermelho barro
teve infância com amor.

Mas o pródigo em questão
sem tempo pra sentimentos
não agia pela razão;
só vivia os seus momentos
não ouvia o coração:
sua vida era só tormentos.

Voltou sim pra casa um dia
esse dia da utopia
do retorno ao velho lar.
É nesse cenário que ouvimos
o alarido marcante
de sobrinhos que nem conhecia.
“O filho pródigo voltou!”
era o que cada um dizia
enquanto a velha ia pro fogão
as irmãs, vassoura na mão
avisavam ao pai da novidade
ele que vivera em oração
(o que lhe fora eternidade)
pro retorno do filho pródigo
arrependido pra casa
ao sabor da comunhão.

No dia seguinte, a imprensa,
noticiou às mancheias
que o crime não compensa
mas corria intenso nas veias
do filho pródigo brasileiro:
marginal de ocasião,
bandido sem coração,
que voltou à casa do pai
matou irmãos e sobrinhos
eliminou a própria mãe;
o filho pródigo brasileiro
com um tiro bem certeiro
na testa do velho pai
que de braços abertos na estrada
aguardava com ânsia a chegada
do filho que de longe vinha.

O filho pródigo brasileiro
preferiu assassinar o pai
e não se ouviu mais o “ai”
(o gemido de tanta dor)
daquele que com amor,
este amor sobranceiro,
ao filho pródigo brasileiro
devotou-se com primor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
17 de Julho de 2015 (06h) – 22 de Julho de 2015 (05h54min).