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quinta-feira, junho 11, 2015

VASO DE PORCELANA CHINESA

O vaso acompanha minha poesia.
O vaso de bênçãos que quero ser,
o vaso de flores de minha janela,
o vaso sanitário das madrugadas serenas...

O vaso acompanha minha poesia.
Para ele sigo ao aviso do organismo
e as madrugadas espreitam
a sombra que carrega vazia
os cadernos e canetas
nas madrugadas pernetas
de minha frágil poesia.
           
Sou como um grande vaso.
Do botão pode florescer rosa
ou de uma forma indecorosa
expelir dejetos com atraso.

Poderei ser bênção pros outros
e arrancar sorrisos marotos
se minha poesia oferecer luz.
Poderei oferecer uma paz
dessa poesia que subjaz
no Verbo que me conduz.

Um dia farei despedida dos vasos.
As flores já terão murchado,
meu corpo não mais funcionará,
na eternidade sou um abençoado.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
14 de Maio de 2015 (09h28min).


domingo, julho 06, 2014

PARA UM AMIGO...

Minha ovelha morreu. Não sei o que dizer.
O corpo não resistiu a tanta intervenção.
Foi abscesso, originário de um cisto, que esquisito.
Me disseram que poucos resistem à invasão de bactérias
quando o intestino é um grosso.
Aprendi na carne que amigo também morre
e que a conjugação desse verbo
pode ser em primeira pessoa,
sem necessariamente ser a minha partida.

Eu vi um povo triste chorando a morte do amigo.
E meus olhos procuraram mãos sujas de sangue.
Mas não havia culpados. E por que culpar alguém?
Quando é vero que a vida um dia termina
e não sabemos, de antemão, quem vai, quem vem?
A tristeza que os olhos exprimem é um pouco da morte em mim.
E há uns adjetivos que se infiltram no meio do discurso.
E a gente sabe que emoção não sofre do mal de decurso
de prazo. Ela chega sempre na hora certa. Então, não há atraso,
que venha a justificar o não comparecimento da angústia.

Quanto tempo demora uma lágrima para secar?
Como se consegue engolir o choro e falar?
A voz embargada trai a tentativa de segurar a emoção.
E o poema chorado é mais que declaração de amor:
é um misto de suavidade e dor,
é sensação que se aprende vivendo,
é um trem que surge apitando na esquina da serra
pedindo insistente para passar pelos trilhos do coração.

Já rimei irmão com separação
e também já rimei abrigo com amigo.
Mas quando percebi as lágrimas quentes descendo a face
e quando o pranto, para espanto de muitos,
tomou conta do meu ser, eu entendi o provérbio bíblico:
“há um amigo mais chegado do que um irmão”.

O que me consola neste momento
- com capacidade de afastar tormento -
é a certeza de vida eterna:
Ele já foi! Um dia estarei lá com ele!


Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

01 de Junho de 2014 (19h).

quarta-feira, abril 02, 2014

PERDA

Quanto dói
a partida de alguém,
a dor da despedida,
a flecha da separação,
a seta da morte que
atinge o alvo sem dó nem pena
sem atrasos ou adiamentos
na hora indigesta
no momento rude
em que os corações feridos,
lacrimejantes,
vertem abundantes pesares...

Quanto maiores os amores
mais amplos os temores
e a gente manifesta o pesar
deixando que a emoção suplante
– e até desbanque – do imo
qualquer sombra de razão.

Nesta hora,
em que aquele que foi descansa
e os que ficam pendem na balança
do alívio e do sofrer
é o Espírito que se avizinha
e em nosso coração se aninha
para a paz a alma ofertar.

E cada um de nós com mãos estendidas
recebe com gratidão
o conforto dessas despedidas
que começam em nossa urbanidade
e acenam um reencontro
para além, muito além, na eternidade.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

25 de Março de 2014 (14h05min).