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segunda-feira, dezembro 31, 2018

INSTANTÂNEO ESPIRITUAL


Some na congregação
em meio ao povo crente
minha fé, minha canção.
Ah, como sou carente!

O povo canta bem alto
na ministração do louvor.
Sou tomado de assalto
por um ardente fervor.
Sou um arrepio de fé
leve expressão de alma ré.

No templo superlotado
as vozes em som profundo
sou um ser descontrolado
ensimesmado com o mundo.

Em mim mesmo absorto
arremedo de esperança;
um homem já quase morto
carecendo de bonança.

Enquanto o povo canta
em faces de pura alegria
o som mavioso da paz.
Percebo que ali subjaz
algo novo que encanta
e propõe Santa Utopia!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
30/12/2018 (10h10min).

quinta-feira, dezembro 27, 2018

OS PREGADORES


Aos
Sinceros pregadores da Palavra
destes brasis de Deus.

Nos templos do bairro, os eloquentes pregadores
da Palavra que arrebata são bons fornecedores:
olhos sem vida, ouvidos surdos, corações sem paz
se curvam ante o arrebatador púlpito que reflete...

na Palavra que é como espada cortante
na dimensão dos inquietos espíritos livres
na fisionomia dos que têm sede e precisam
ver jorrar águas abundantes da fonte da vida.
Visões turvas, pupilas embaçadas,
choros amargos de um não querer querendo
a interminável expectativa do oráculo,
a voz da sabedoria que seca lágrimas
ao Vento do Espírito que bate suave...

Os pregadores são eternos atalaias.
Eles precisam dar conta dos conselhos de Deus.
“Quem vem? Quem vai?” a congregação em ebulição;
gente que passa por ali em busca de paz.

E como ponteiros de relógio
esta gente está sempre avançando,
mesmo que andando em círculos
sem chegar a lugar algum.
Nem todo João de Deus é de Deus mesmo;
e disso já sabia quem conhece a Palavra.
Só os incautos são enganados;
os escolhidos, não!

                                Os pregadores são espelhos
em que o caráter de Cristo é percebido
e o fiel desfila suas angústias e pecados
nessa procissão humana de descortinar rituais
onde velhos monges, pastores jovens,
missionárias com mais dedicação que preparo
desfilam barbas, vestimentas e unhas pintadas
na explanação sincrética do texto sagrado
em horas que vêm e que se vão como pássaros
em pensamentos fugidios e escancaradas alegrias.
As horas não envelhecem – nem têm tempo –
simplesmente morrem, vida efêmera;
mas, para os pregadores, é sempre kairós.

Aos domingos, os pregadores vão iluminando vidas
nos cultos matutinos e nas celebrações noturnas.
Ágeis e sábios ou lerdos e repetitivos
folheiam o Livro Santo e fazem jorrar sóis
e espargem raios de luz nos corações trevosos
que deixam de ser cidades em ruínas
para constituírem-se em uma Nova Jerusalém.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
19/12/2018 (10h08min).

segunda-feira, outubro 15, 2018

POEMA PARA A OVELHINHA


Ovelhinha,
na multidão da congregação estás sumidinha...
Tens um jeito de cantar tão pessoal e raro
com os olhinhos bem abertos e agudo faro.

Mas, agiganta-se em teu peito de criança pobre
um louvor que vem de dentro e é tão nobre...
E tuas mãos se levantam na adoração
de tal forma que de ti tão pequenininha
se expande o teor de uma canção
que como pomba de paz, voa sozinha.

Glória, glória, aleluia, do teu mundo
fraco e forte, baixo e alto
teu louvor é tão profundo!

Como descobrir de onde vem tamanha fé?
Teu corpinho ali escondido, és tão franzininha
quando te rendes ao louvor mostras até
que és de Deus, a mais bela ovelhinha...

                           Ó crianças do meu Brasil:
                           do Oiapoque ao Chuí;
                           de Mossoró a Marabá.

                           Venham aqui, venham cá!
                           Com a doce ovelhinha,
                           que canta tão bonitinha,
                           venham, venham louvar!

Ovelhinha, a gente vê que há uma luz,
que emana de ti quando na congregação.
E, então,
parece que somes, mas aparece Jesus!

A Igreja louva a Deus.
E és a doce ovelhinha,
absorta em teu cantar.
Este poema é para ti
e pra quem mais louvar.
Nem grande ou pequeno,
apenas poema ameno,
é conversa do coração.
É simples pensamento,
uma verdadeira canção.
É o sopro do Espírito
e um querer louvação!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
05/10/2018 (05h09min).