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quarta-feira, setembro 04, 2019

Breve antipoema da angústia


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SÉRIE – A VIDA É BREVE COMO UM POEMA ESCRITO NA NEVE - 151


Breve antipoema da angústia


ainda que pese minha consciência
das angústias que por aqui sofri
provocadas pela falta de paciência
não sei por que ainda não morri
escreverei um breve relatório
pra dizer da angústia, seu velório

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
19/08/2019 (09h55min).




quinta-feira, dezembro 27, 2018

OS PREGADORES


Aos
Sinceros pregadores da Palavra
destes brasis de Deus.

Nos templos do bairro, os eloquentes pregadores
da Palavra que arrebata são bons fornecedores:
olhos sem vida, ouvidos surdos, corações sem paz
se curvam ante o arrebatador púlpito que reflete...

na Palavra que é como espada cortante
na dimensão dos inquietos espíritos livres
na fisionomia dos que têm sede e precisam
ver jorrar águas abundantes da fonte da vida.
Visões turvas, pupilas embaçadas,
choros amargos de um não querer querendo
a interminável expectativa do oráculo,
a voz da sabedoria que seca lágrimas
ao Vento do Espírito que bate suave...

Os pregadores são eternos atalaias.
Eles precisam dar conta dos conselhos de Deus.
“Quem vem? Quem vai?” a congregação em ebulição;
gente que passa por ali em busca de paz.

E como ponteiros de relógio
esta gente está sempre avançando,
mesmo que andando em círculos
sem chegar a lugar algum.
Nem todo João de Deus é de Deus mesmo;
e disso já sabia quem conhece a Palavra.
Só os incautos são enganados;
os escolhidos, não!

                                Os pregadores são espelhos
em que o caráter de Cristo é percebido
e o fiel desfila suas angústias e pecados
nessa procissão humana de descortinar rituais
onde velhos monges, pastores jovens,
missionárias com mais dedicação que preparo
desfilam barbas, vestimentas e unhas pintadas
na explanação sincrética do texto sagrado
em horas que vêm e que se vão como pássaros
em pensamentos fugidios e escancaradas alegrias.
As horas não envelhecem – nem têm tempo –
simplesmente morrem, vida efêmera;
mas, para os pregadores, é sempre kairós.

Aos domingos, os pregadores vão iluminando vidas
nos cultos matutinos e nas celebrações noturnas.
Ágeis e sábios ou lerdos e repetitivos
folheiam o Livro Santo e fazem jorrar sóis
e espargem raios de luz nos corações trevosos
que deixam de ser cidades em ruínas
para constituírem-se em uma Nova Jerusalém.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
19/12/2018 (10h08min).