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quinta-feira, fevereiro 08, 2018

UM TREM NOTURNO QUE PASSA

Era uma noite de estrelas que assistia o trem
passando ligeiro nos trilhos da minha vida.

Sentado,
só um pensamento rompia o silêncio da alma.
(O trem soltava faíscas nos trilhos.)

Que noite aquela de menino sonhador,
Maria-Fumaça!
Vontade de pular dentro do vagão de carga
e sumir na cidade grande, depois da escuridão.

Era uma noite de estrelas
dentre tantas que beiravam a linha férrea...

Vontade incontrolável de ganhar o mundo...

O apito do trem anunciava a proximidade da estação...

Recolhi meu pensamento ao lembrar de mãe:
ela me procuraria em minha cama na manhã seguinte.

O trem foi embora mais uma vez.
O trem foi embora para sempre.
Eu nunca parti.
Fiquei até o fim dos dias da minha mãe.

Ficarei, também, até os meus...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
04/02/2018 (06h10min).

terça-feira, março 18, 2014

SAUDADES DE ALGUÉM

Se saudade fosse doce
seria um rocambole de damasco;
se fosse um lugar
seria Nova Friburgo;
se fosse uma emoção barata
seria bala halls no céu da boca;
se fosse uma viagem
seria um tour pelo Sul do Brasil;
se fosse uma canção
seria “Coração de Estudante”;
se fosse um hino
seria “Noite de Paz”;
se fosse uma palavra
seria arrependimento;
se fosse uma iguaria
seria “filé à Oswaldo Aranha”;
se fosse uma fruta
seria cupuaçu;
se fosse um livro
seria a Bíblia;
se fosse um poema
seria “O Operário em Construção” de Vinícius;
se fosse uma cor
seria azul;
se fosse uma estação
seria o Verão;
se fosse um país
seria o Brasil;
se fosse um número
seria o sete;
se fosse um Salmo
seria o primeiro;
se fosse um presente
seria um perfume;
se fosse um poeta
seria Gióia Jr.;
se fosse um escritor
seria Rubens Alves...

Ah, mas o que é saudade?
Saudade é um sentimento
que acompanha os que vivem.
Saudade é uma emoção
que só carrega quem ama.
Quão bom é ter vivido o suficiente
pra sentir saudades...
Ai dos que saudades não têm!
Não viveram pra recordar,
Não viveram para amar.
Se saudade fosse uma pessoa
que na minha memória persiste
– e só coisas boas ressoa
com temas que se repetem
e partituras que se executam
de quem meu ser não desiste –
saudade teria um nome
de quem minh’alma tem fome
e rende eterna homenagem
:saudade chamaria Judith.

Por onde vou, saudade ecoa pelos ares.
É minha mãe: Judith de Sousa Soares...


Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
03 de Março de 2014 (21h15min - início).

04 de Março de 2014 (06h50min - término).

sexta-feira, outubro 18, 2013

O MELHOR PERFUME...



A Neidilene Silva
em seus quarentanos.


“Três palavrinhas só
eu aprendi de cor...”

A mãe
Que tinha uma coisa de se dar às suas crianças
se ria das peraltices dos meninos.

Então, num dia,
por detrás de um horizonte,
Deus acrescentou mais dois.

– Quem são?
– O que é?
Ainda não se sabia,
Mas isso exigiu exercício da fé.

Os meninos eram gêmeos.
Miguel e Matheus seus nomes.
E a casa não foi mais a mesma
com aqueles benvenutos...

O sossego foi enforcado no nascer do Sol...

Era manhã. Os raios iridescentes afugentavam o frio.

Um quarteirão de tempo adiante
se instalou nova surpresa
agradável.

Em noite de estrelas luzindo de amor
a servidão que dá acesso
ao ninho de amor do casal Oliveira da Silva
estremece suaves passos de sonho:
– Quem é que vem?
– Não vem ninguém?

Vem.

Lá do outro lado do sonho –
por dentro do espelho de Alice –
surge uma menininha e seu nome é Isabel.

“Três palavrinhas só
eu aprendi de cor...
DEUS É AMOR!”

Desce de Olaria um homem
e seu nome é trabalho.
Desce de Olaria uma mulher
(com cinco filhos a tiracolo)
e seu nome é Esperança!

E vão para a cidade.
e vão para os estudos.
e vão para o trabalho.
e vão para Conselheiro.
e vão para a Igreja...

Vão sim e vão sempre,
mas nada disso é em vão!

E aquela mulher,
no auge de sua maturidade
se assusta:
Por detrás dos montes
que fazem cordilheira simples
(de nascimentos e ocasos)
O Eterno ainda tinha surpresas:
E por ali ainda ecoava
a canção infante:

“DEUS É AMÔÔÔ...”

Aquela mulher que pulsava vida pra família
e pensava que sua vocação se chamava creche
é abalada por uma nova missão
que se chama eclésia!

“DEUS É AMÔÔÔ...”

Seus olhos enchem-se de lágrimas
quando o som da comitiva estrepitosa
irrompe toda arrumada na sala de casa
preparada que estava para o Culto na Congregação
tendo à frente o esposo de terno impecável
que assumia ares de pastor ao dizer:

– Vamos?

Ela hesitou, mas foi. Foi com fé!
Por que andar com fé ela ia sempre...

E nos cultos seguintes,
em que a família unida trabalha pelo Reino,
ela sentiu um perfume melhor
que qualquer um daqueles
provenientes dos cosméticos
que estava acostumada em anos de Salão de Beleza:

Era o Perfume de Cristo (2Co 2.15).
Definitivo.
E ela se rendeu!

Trá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá-lá...



Josué Ebenézer
Nova Friburgo, 06 e 07 de Outubro de 2013 (06h43min).