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quinta-feira, fevereiro 08, 2018

UM TREM NOTURNO QUE PASSA

Era uma noite de estrelas que assistia o trem
passando ligeiro nos trilhos da minha vida.

Sentado,
só um pensamento rompia o silêncio da alma.
(O trem soltava faíscas nos trilhos.)

Que noite aquela de menino sonhador,
Maria-Fumaça!
Vontade de pular dentro do vagão de carga
e sumir na cidade grande, depois da escuridão.

Era uma noite de estrelas
dentre tantas que beiravam a linha férrea...

Vontade incontrolável de ganhar o mundo...

O apito do trem anunciava a proximidade da estação...

Recolhi meu pensamento ao lembrar de mãe:
ela me procuraria em minha cama na manhã seguinte.

O trem foi embora mais uma vez.
O trem foi embora para sempre.
Eu nunca parti.
Fiquei até o fim dos dias da minha mãe.

Ficarei, também, até os meus...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
04/02/2018 (06h10min).

quinta-feira, junho 11, 2015

A MADRUGADA ESTÁ SILENTE COMO A PAZ

Nós entramos na madrugada sem ouvir o silêncio
a voz que vem do vazio, que vale uma viagem
para o infinito do ser, este âmago eterno.
Mas, com o tempo passando lentamente
fomos ensinados a ouvir a voz do coração
e cada um de per si foi descobrindo
que há vozes interiores e tão-somente
é preciso parar e ouvir com dedicação
o que nos diz o eu que se vai consumindo.
Cada um de nós precisa da madrugada
para ouvir-se e ouvir as falas do mundo
pra ter um encontro com o ego profundo
e fazer ao seu Deus tal fervente oração:
que o silêncio da alma e a paz tão esperada
e o equilíbrio da vida e o sentido do ser
se encontrem na busca da bel madrugada
que aponta um sentido divino ao viver.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

14 de Maio de 2015 (04h39min).

quarta-feira, abril 22, 2015

ORAÇÃO

Oração, por qual motivo?

Declarar a angústia – inquietação –
que rasga os órgãos por dentro?

Educar-me ao tempo da esperança
com confiança aprender a paciência?

Expressar a fé – domesticar medos –
e não ter segredos para um Deus invisível?

Nada distante de um salto no escuro
o que me separa das demais criaturas é a voz.

Palavras, silêncio, lágrimas
            mãos levantadas em prece
            joelhos dobrados
a alma genuflexa

Deus agindo
            e eu nem percebendo
            só vendo depois os resultados.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

12 de Março de 2015 (09h36min).

sexta-feira, agosto 01, 2014

GRANDES EMOÇÕES

O homem reserva-se a emoções
no silêncio da alma ou no clamor das multidões.
E o grito da angústia ecoa longe
e o silêncio da dor reverbera seco
nas batidas internas do pulsar febril.

Há quem saiba esconder o que sente,
há quem revele sem querer o que pretende
e o cão raivoso atravessa a rua
ou a borboleta multicor desintegra-se ao fim do dia.

Alguns são seres de voos curtos e vida breve;
outros, habitantes noturnos de esconderijos cruéis.
Uns sobrevoam a si mesmos,
no narcisismo ignóbil da borboleta azul
que não enxerga rival.
Outros fazem voos rasantes no coletivo
espargindo paz a quem apenas pede
um naco de felicidade.

O que nos motiva é o que nos domina.
Somos o que pensamos e o que sonhamos.
O Mestre já disse outrora:
– Onde estiver o vosso tesouro...
...aí estará a vossa emoção.

Não encontraremos respostas para as angústias do mundo
se não houver um desejo queimante no coração
de agir no hoje, pensar o amanhã
e viver as grandes emoções
da vida, intensamente com Deus...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

19 de Junho de 2014 (05h45min).