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quinta-feira, fevereiro 08, 2018

UM TREM NOTURNO QUE PASSA

Era uma noite de estrelas que assistia o trem
passando ligeiro nos trilhos da minha vida.

Sentado,
só um pensamento rompia o silêncio da alma.
(O trem soltava faíscas nos trilhos.)

Que noite aquela de menino sonhador,
Maria-Fumaça!
Vontade de pular dentro do vagão de carga
e sumir na cidade grande, depois da escuridão.

Era uma noite de estrelas
dentre tantas que beiravam a linha férrea...

Vontade incontrolável de ganhar o mundo...

O apito do trem anunciava a proximidade da estação...

Recolhi meu pensamento ao lembrar de mãe:
ela me procuraria em minha cama na manhã seguinte.

O trem foi embora mais uma vez.
O trem foi embora para sempre.
Eu nunca parti.
Fiquei até o fim dos dias da minha mãe.

Ficarei, também, até os meus...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
04/02/2018 (06h10min).

terça-feira, março 18, 2014

NA PADARIA

Na padaria, o pão.
E o cheiro, o aroma,
do trigo assado.
E o forno quente exalando
a fornada do meio da tarde...

Na padaria, a rotina.
Do dia que se vai
e o lanche da tarde quente
que chega anunciando solerte
o fim do expediente.

Na padaria, para breve.
A noite com suas estrelas,
o pensamento com suas querelas,
a maturidade num apito de trem
que desaparece na curva.

Na padaria, o sonho.
O trem já não apita mais,
embora a fumaça persista
em outras chaminés
:história para outros cafés!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

12 de Março de 2014 (16h05min).