quinta-feira, maio 08, 2014

ENQUANTO AGUARDO...

Enquanto aguardo no carro o que há de vir na vida
uma bandeira do Brasil enorme tremula o gasto do tempo
na rua transversal do eixo, onde eu estaciono e me deixo
ver a vida acontecer...

Emoldurada por densas nuvens brancas
que transitam lépidas em céu de azul vigoroso,
e sol de brilho forte nas alturas de Nova Friburgo,
a bandeira segue seu Norte...

E eu deixo meu pensamento
viajando com o vento, versejando o momento
passeando com as nuvens, a espera da burocracia.

E as estrelas parecem querer cair do círculo azul
e o losango amarelo esmaeceu
e a faixa branca – da ordem e do progresso –,
fala de uma ordem que não existe
e de um progresso que nunca vem
em país que já se chamou de futuro...

Mas eu não desisto nunca,
sou brasileiro, mesmo nesta espelunca
chamada “pátria amada, Brasil!”
Vou caminhando e sonhando
ainda torcendo, sem nenhum xingamento,
fazendo a minha parte, por mínima que seja.

Eu não vou dar de bandeja
pra quem tá na corrupção
em descompassos tamanhos
com os ideais da nação:
não vou entregar meus sonhos...

Vou refazer minha história
construir uma trajetória
de trabalho, esperança e fé.
Seguirei rumo ao infinito
crendo no Deus bendito
que há de honrar o seu servo
neste país tão disperso.

E vou erguer minha ponte
beber água dessa fonte
que ao futuro conduz.
Seguirei de cabeça erguida
e vou fazer despedida
de tudo que não convém
para seguir minha Luz.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

230 de Abril de 2014 (10h05min).

SOLILÓQUIOS

Desesperado ânimo de um desesperado amor,
indecifrável, ardente, nos campos do Senhor.
Na luta primeva que se abate em meu ser
entre carne e espírito, como será viver?
Neste imbróglio prenúncio de um campo de batalha
(renascerá o viço ou se fará mortalha?)
encontro forças no Espírito que sopra em mim seu frescor
este hálito de vida, do Cristo meu Salvador.

Há um soldado perverso, que me propõe o suicídio
da esperança e da fé sem que haja dissídio.
Numa ação individual no ventre que gesta a paz
– enquanto o mensageiro, que em voz suave e mansa,
assopra em meus ouvidos o retorno da bonança –
o encontro do indivíduo com aquele que refaz
o ser já destruído, em um outro, redimido.

Eu me desfaço em lágrimas, sudorese a pingar
colado no chão, saco e cinzas, no pó a desintegrar.
Eis que em mim sopro forte, do Vento que vem dos céus,
reconstitui o meu ânimo, e acende as labaredas
do fogo de Deus sobre mim e eu sigo as veredas
do justo que altissonante, têm no Pai o seu fim...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

29 de Abril de 2014 (09h37min).

CAMINHANTE DA ÁRIA...

Caminhante da ária
deixo a música curar tudo que propõe agonia.
Deixo as notas expandirem-se nos acordes da vida
e prossigo assim os meus dias.
O Vento Eterno não há de interromper
os seus passos ao meu lado.
Será sempre a força que fará desta dança
a existência total de minha jornada revolucionária.
E meus passos e contrapassos serão leves no percurso da vida,
pois o Eterno sopra o Vento da Esperança
que me conduz em nuvem mansa...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

29 de Abril de 2014 (09h20min).

COM A MÃO COLADA NO TEMPO...

Com a mão colada no tempo, chamo o vento;
um vívido ânimo, um sonho materializado.
E o corpo solto na fração da vida
limitado ao Norte do bom senso
a Noroeste do que ensinou o sábio:
“há tempo para todo propósito...”

Com os olhos mirando o infinito
me vejo numa nebulosa escarpada
e giro sobre o trêmulo horizonte
e gingo embalado pelas canções das rajadas fugazes.
Amo tudo o que se possa chamar de Esperança;
ainda que o fumegar da xícara de café se apague ao vento.

Sou o retrato de um mundo fracionado,
o instantâneo de uma terra apressada
a percorrer o mapa da existência
seguindo os presságios que o coração amante
atira como setas na atenção do Tempo.
E vou por este jeito trocando as horas
(ainda que os ponteiros girem sobre si mesmos),
construindo meu espaço, sem vãs repetições.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

28 de Abril de 2014 (21h43min).