Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidadania. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, maio 08, 2014

ENQUANTO AGUARDO...

Enquanto aguardo no carro o que há de vir na vida
uma bandeira do Brasil enorme tremula o gasto do tempo
na rua transversal do eixo, onde eu estaciono e me deixo
ver a vida acontecer...

Emoldurada por densas nuvens brancas
que transitam lépidas em céu de azul vigoroso,
e sol de brilho forte nas alturas de Nova Friburgo,
a bandeira segue seu Norte...

E eu deixo meu pensamento
viajando com o vento, versejando o momento
passeando com as nuvens, a espera da burocracia.

E as estrelas parecem querer cair do círculo azul
e o losango amarelo esmaeceu
e a faixa branca – da ordem e do progresso –,
fala de uma ordem que não existe
e de um progresso que nunca vem
em país que já se chamou de futuro...

Mas eu não desisto nunca,
sou brasileiro, mesmo nesta espelunca
chamada “pátria amada, Brasil!”
Vou caminhando e sonhando
ainda torcendo, sem nenhum xingamento,
fazendo a minha parte, por mínima que seja.

Eu não vou dar de bandeja
pra quem tá na corrupção
em descompassos tamanhos
com os ideais da nação:
não vou entregar meus sonhos...

Vou refazer minha história
construir uma trajetória
de trabalho, esperança e fé.
Seguirei rumo ao infinito
crendo no Deus bendito
que há de honrar o seu servo
neste país tão disperso.

E vou erguer minha ponte
beber água dessa fonte
que ao futuro conduz.
Seguirei de cabeça erguida
e vou fazer despedida
de tudo que não convém
para seguir minha Luz.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

230 de Abril de 2014 (10h05min).

domingo, novembro 03, 2013

AUTOBIOGRAFIA CIDADÃ



Eu tenho 14 anos.
Ando por ruas que me levam ao sonho.
Tem paralelepípedos se soltando nelas.
Às vezes eu tropeço e caio.
Sinto-me triste e solitário.
Culpo o governo e o descaso.
Mas não me acho em condições de fazer algo.

Eu tenho 16 anos.
Ando nas mesmas ruas que me fazem ver o sonho.
Aumenta o número dos paralelepípedos soltos.
Continuo a tropeçar e a ferir-me.
Sinto raiva e solidão.
Não acho que tenha feito algo errado.
Mas não consigo enxergar o novo caminho das pedras.

Eu tenho 18 anos.
Prossigo nas mesmas ruas do sonho.
Mas agora finjo não existirem pedras soltas.
Continuo tropeçando e caindo.
Às vezes xingo e me desespero.
Ainda culpo os políticos safados.
Mas não me libertei dos discursos de promessas.

Eu tenho 21 anos.
Ando nas mesmas ruas, mas já não vejo o sonho por ali.
As depressões em cada rua aumentaram.
E quando nelas me alojei, vi a lua por outros ângulos.
Já não tenho raiva: encontrei parceiros nos buracos da vida.
E já acho que estou errando se não mudo de postura.
Aderi, então, precocemente, ao voto consciente.

Eu tenho 51 anos.
Como o tempo passou...
Mudei de ruas e reencontrei o sonho.
Tive uma ideia: Vou ser candidato!

Josué Ebenézer
Nova Friburgo, 28 de Outubro de 2013 (11h05min).