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segunda-feira, abril 21, 2014

EM ABRIL

Em abril o Prado se volta
para o sepulcro de Jerusalém.
A cantoria preenche o templo
de cânticos pascoais, como os pássaros
nos galhos das árvores matinais...

Os crentes fervorosos, que no templo se ajuntam,
buscam o refúgio da esperança
e compõem canções (ao amoroso Cristo)
coadjuvados pelas palavras
dos sermões da Ressurreição.

Não se questiona. É o tempo do refrigério,
que se apoia na certeza do túmulo vazio
e que insiste em galopar o ar
com as notas harmônicas
do coração sangrando a cruz,
do sentimento volvendo ao Calvário,
da humilhação levando a dor
e do terceiro dia da Ressurreição.

As mulheres conversam com anjos,
derramam lágrimas,
apropriam-se do alívio
e vão dar uma espiada na tumba vazia:
– Vivo está!


Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

15 de Abril de 2014 (19h48min).

domingo, março 23, 2014

A MÃO QUE ESCREVE VERSOS

Nestes dias tão difíceis
De vazio do pensar
Em que o homem agastado
Não consegue mais amar
Nem empatiza com a dor
De todo o que afastado
Precisa, sim, encontrar
Em meio a seres dispersos
Um pouco da paz serena
Da mão que escreve versos
Que extrai alívio da pena.

Nestes tempos exilados
Onde o homem solitário
Não encontra comunhão.
Em que a vida se esvai
Escorre por entrededos
Fugindo da palma da mão.
E o ser cheio de medos
E sentimentos diversos
Precisa de alívio e calma
Da mão que escreve versos
E traz a paz para a alma.

Nestes dias tão sofridos
De violência e temor
Os indivíduos perdidos
Da vida, não têm sabor.
Quando o horizonte se turva
E não há sonhos na curva
Pra se expandir e firmar
É preciso insistir e crer
Que de valores submersos
O mundo a paz há de ver
Da mão que escreve versos.

Em tempos de desespero
De angústia e ilusão
Em que a vida sem tempero
Caminha na contramão.
É a esperança que some,
A alegria que já não há,
É a droga que consome,
proliferação de gente má.
Faz surgir, Senhor, emersos
os poemas em seu Nome
dessa mão que escreve versos.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

19 de Março de 2014 (08h09min).