segunda-feira, maio 28, 2018

VIAGEM LUMINOSA


Solidão pensativa da vida
quando o lanche acaba em restos
e apenas meio dedo de refresco sobra no copo...

Lá fora a tarde avança para seu desfecho.
Meu ônibus espacial rompe as galáxias.

E me transporto aos ventos
das perguntas não respondidas
dos amores não vividos
da solidariedade não exercida
dos livros não lidos
do mutismo do sonho
enquanto a dança do relógio
não completa o ciclo da hora
e eu me faça triste e grave na solidão...

Sempre o silêncio da falta de respostas!

Lá fora a tarde avança
sobre as encostas da cidade vestida de abandono.

A noite há de aumentar o mistério!
A lua há de falar de amor
e as estrelas acenderão esperanças.
O sono trará o sonho
e a madrugada acolherá o esquecimento.
A mente que lembra adormecerá...

Mas é impossível negar que amei
a vida, amei amar...

Aprendo com o descanso a renovação
e que as manhãs são o beijo
luminoso da esperança.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
14/05/2018 (05h07min).

ORAÇÃO DAS MÃES BRASILEIRAS


Há uma insegurança nos céus da pátria:
são as mães brasileiras.
A maternidade habita o desejo.

Parece tão longe, tão longe o dia da paz.

Introspecção.
                        Que será dos filhos deste Brasil?

Alvorada silente, no Dia das Mães a nação sofre:

“Senhor, meu Deus, tenha misericórdia das mães deste país.
Senhor, meu Deus, cuide do futuro dos filhos da pátria...”

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
14/05/2018 (04h39min).

sábado, maio 12, 2018

AS SAUDADES DE MAIO


A Judith de Sousa Soares
                    (In Memorian)

As saudades de maio... o inverno na pele.
Ventinho frio na serra de ar puro e doce.
A saudade bate à porta, faz marolas de luz
e sinto o cheiro do verde que murchou antes.

Há uma santa inocência por entre as árvores
como o folguedo de crianças no pique-esconde.
O vento dribla os arbustos e o vestidos azuis
baloiçam ao vento, junto com a passarada.

Como é dorida em mim, esta minha órfã solidão;
a ausência de mãe, neste maio de saudades...

O meu ser volve no tempo e lembra aquelas mãos...
Aquelas mãos que afagam meu rostinho infante,
depois de devolver o cobertor ao meu corpo na cama.

Ah! Como este maio me traz
estas gratas recordações:
o olhar suave de mãe,
sua face bela e firme,
em rosto que a idade encrespou,
mas não roubou a ternura
nem o Bem que vem da alma!

Nesta terra serrana uma santa floresceu!

Maio saudosista, mas de pensamentos bons:
traz alegria relembrar esta mãe de sorriso fácil.

Fostes há pouco, completou apenas ano.
Mas é uma eternidade o vazio de sua voz
que da poltrona dizia que sempre orava por mim...

Nascestes para ser luz;
a luz mais bela que brota do Amor:
leve, límpida, luminosa;
luz com o brilho que da Rosa
emite aconchegante calor...

Os crentes vão passar nas domingueiras manhãs
pelas ruas de Olaria e as velhinhas também.
A caminhada lenta do tempo
traz a mim, sopro de um vento
que tem recordações de maio, mamãe:

– Tu continuas passando suave em meu amor!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
10/05/2018 (04h36min).

ESTIAGEM


Não há louvor nas vidas
há um seco caminhar estéril.

Um vento sudoeste assopra.
                                       Choro.

Perto se vê passarem os outros.
Até o choro das faces é de lágrimas secas.
Longe o céus cinzento e carregado
sinaliza, tão-somente, o clima tenso
de vidas sem sentido escondidas no breu.

No templo, o piano fechado é imune
aos problemas de acústica.

E os lábios semicerrados emitem sons
que passam longe de qualquer adoração.

Sonha-se acordado com nuvens dançarinas
a bailar pelo firmamento da esperança.

Mas é apenas sonho, o sol castiga.
Fustiga corpos que aniquilam-se vivos.
                                                            Medo.

Que bom estar cônscio das circunstâncias
e de que o Poço de Jacó ainda está ali.
Mas, o poço é fundo e o balde pesado...

Eu quero mais do que dessa água boa.
Qual a mulher samaritana à beira da vida
sou abordado por Jesus, a Água Viva:
sinto em meu coração o regar do Espírito!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
09/05/2018 (03h35min).