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quarta-feira, maio 30, 2018

VIDA ESTAGNADA


O Espírito, soprando, faz a narrativa de uma vida vazia.

Coração de pedra,
a vida é um vulto disforme.

Ó cântico novo!

Vem da congregação – todo harmonia – hino de paz.

Momento de pedra.

Mutismo disfarçado
igreja
tão carismática...
Adora, esquecida do mundo, adora adora,
insensível
onde o rosto visível
do Onipotente?

Nem um desafino,
nem um batismo:
vazio vazio.

Ágape morto,
cadeiras vazias
cálices cheios.

(Vida estagnada...)

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
27/05/2018 (05h06min).

sábado, maio 12, 2018

ESTIAGEM


Não há louvor nas vidas
há um seco caminhar estéril.

Um vento sudoeste assopra.
                                       Choro.

Perto se vê passarem os outros.
Até o choro das faces é de lágrimas secas.
Longe o céus cinzento e carregado
sinaliza, tão-somente, o clima tenso
de vidas sem sentido escondidas no breu.

No templo, o piano fechado é imune
aos problemas de acústica.

E os lábios semicerrados emitem sons
que passam longe de qualquer adoração.

Sonha-se acordado com nuvens dançarinas
a bailar pelo firmamento da esperança.

Mas é apenas sonho, o sol castiga.
Fustiga corpos que aniquilam-se vivos.
                                                            Medo.

Que bom estar cônscio das circunstâncias
e de que o Poço de Jacó ainda está ali.
Mas, o poço é fundo e o balde pesado...

Eu quero mais do que dessa água boa.
Qual a mulher samaritana à beira da vida
sou abordado por Jesus, a Água Viva:
sinto em meu coração o regar do Espírito!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
09/05/2018 (03h35min).

quinta-feira, março 15, 2018

NO CULTO

Não ouço mais o suave louvor de teus lábios,
amigo, nem vejo a determinação dos teus braços
a se erguerem firmes na emoção da adoração.

Só vejo os lábios cerrados
e o rosto apagado sem expressão.

Percebo apenas as cinzas,
silêncio e cinzas,
monturos inexpressivos onde já houve fogo.

(Tua presença é destoante em meio ao crepito do Altar
espectro insignificante na fotocélula divina
em que os movimentos das almas que o rodeiam
denunciam sua passividade mórbida...)

Meu triste irmão, sei que estás
derrotado como um campo de várzea,
onde não há bola rolando,
nem há alegria de petizada eufórica:
esta algazarra recreativa da família.

Enquanto todos transitam na adoração
teu corpo inerte, expõe a paralisia da alma.

De que te servem: qualquer gesto meu,
a percepção do que sofres, e até
o encontro de olhares no culto;
se te desvias para o nada,
para o disfarce inútil do caos?

E o que dizer de um abraço,
de uma oração breve ou longa
de uma palavra boa, canção que entoa,
meus lábios para ti?
Se esta tua vida oblonga
– pobre irmão – está a diminuir?

És pura inadequação no culto
teu estado é o primeiro; o do pecado.
Sintas ao menos que te amo
e que todo o meu ser é contrição...

Não vejo a Estrela da Manhã em teus olhos,
nem lágrimas furtivas de arrependimento;
mas a secura e frieza do mármore,
lápide mortuária do vazio sem Deus,
em que a luz do Sol foi embora
e escrito está em letras garrafais:
AQUELE QUE MORREU ANTES DA HORA!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
08/03/2018 (05h44min).