sexta-feira, janeiro 31, 2014

DOIS RIOS CALMOS

dois rios calmos
que se encontram
no declive da vida
à beira estrada
à beira sonho

são vidas que
vertem límpidas
velozes
no tempo rarefeito
dessa estação do amar

são águas
que passam fluidas
ligeiras
na pressa do leito
segue o curso do mar

são lágrimas vertidas
sofridas
enquanto o percurso
vai como o vento
seca o rosto choroso

dois rios calmos
que se encontram
e formam a cachoeira
luminosa

nas curvas do coração

A LUZ

Eu busco a luz
de uma manhã que ainda não veio;
espero a claridade
de um sol que ainda não chegou;
abro os olhos
para um horizonte que ainda não acordou...

Mas a luz mesmo
que eu preciso e que procuro;
o sol que me sonha
e me preenche os pensamentos;
a claridade que há de iluminar
cada recanto dos dias meus...

Estão dentro de mim
– e não despertarão –
se eu próprio não acionar
o interruptor da fé
que se encontra

do lado de dentro do meu coração!

NO OCO ESPAÇO...

No oco espaço
da oca dor
a árvore
desemboca
cheia de seiva
carregada de
flor-esperança.


DE MATÉRIAS...

De matérias inexistentes
o nada como partida
a poesia se esculpe no ar

dos meus sonhos não sonhados.

O NADA

Pra compor nesta manhã
um poema de alegria
minha matéria é o nada
o meu pensar é o caos
quem sabe no amanhã
ao se descobrir poesia
resvalando em versos meus
a minh’ alma libertada
contemple o passado errante
e já não ache o bastante
tais julgamentos ateus.

Procuro a matéria-prima
do poema Universal
que conte as dores do mundo
que cante a prima-dona
dos palcos do meu sonhar
que restabeleça o sentido
em cada verso urdido
nas frestas do coração
que navegue águas do mar
e mapeie zona por zona

as trilhas dessa emoção.