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segunda-feira, dezembro 15, 2014

DIANTE DAS SOMBRAS

Diante das sombras que se movem
sobre um país em trevas
os cristãos acendem os archotes da esperança.
Mas o cenário é tremeluzente e melancólico.

Recorrem aos templos, aos ventos ou simplesmente cantam:
a harmonia das vozes ordena o caos.
Mas o caos está nos homens,
e a inquietação das sombras é o espelho d’água de Narciso.

Trava-se a batalha do ocaso
a ganância, a bebida, o vazio
a dança, a partida, o cio
a festança, a desdita, o frio.
A solidão do prazer
(à dois, à três ou mais)
a negação do ser
em vida que não satisfaz.
O alimento da morte é
um pão bolorento que de dia foi ao forno.

Diante das sombras
os cristãos acionam os interruptores:
as luzes das cidades do país se acendem,
mas o pecado não é interrompido...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

28 de Outubro de 2014 (05h10min).

sexta-feira, janeiro 31, 2014

CERTOS RUMORES

das vozes que se espalham
em todos os lugares e nenhum
e que ecoam
sem prisão
contra tudo e o nada
socando o vento
e o abraço
na lembrança de algo
que nada é
por uma pessoa
e seu jeito
e seus sonhos
emprestando o charme
e até roubando
o que tinha sido
(e o que poderia vir a ser)
e com palavras cruas
lâminas
rompendo certezas
destravando comportas
ligando pontos
espalhando sombras
e o caos
em línguas-labaredas
predatórias

:certos rumores

O NADA

Pra compor nesta manhã
um poema de alegria
minha matéria é o nada
o meu pensar é o caos
quem sabe no amanhã
ao se descobrir poesia
resvalando em versos meus
a minh’ alma libertada
contemple o passado errante
e já não ache o bastante
tais julgamentos ateus.

Procuro a matéria-prima
do poema Universal
que conte as dores do mundo
que cante a prima-dona
dos palcos do meu sonhar
que restabeleça o sentido
em cada verso urdido
nas frestas do coração
que navegue águas do mar
e mapeie zona por zona

as trilhas dessa emoção.