domingo, janeiro 07, 2018

CULTO

Dobram-se joelhos...         Erguem-se preces...

Em cada assento um coração contrito freme.

Giram pensamentos nos remoinhos dos desejos.

Esta reverência, é gosto-canção de espiritualidade...

Há lábios que balbuciam frases, há cochichos da alma.

Há corpos silentes na entrega do sagrado.

Sobe aos céus um puro louvor que enche o templo,
onde um clarão ilumina corações cheios de paz,
enquanto uns choram de emoção incontida, outros cantam;
todos louvam e o culto é farol no mar da vida;
o culto cura, liberta e santifica;
é oásis no deserto, ouro de escol;
quem entrou vaga-lume agora sai farol...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
03/01/2018 (05h08min).

A LAREIRA

A lareira não foi acesa neste Natal de calor breve.
Decorando a sala ela sorri de sua limpeza:
a lareira de tijolinhos vermelhos sem lenha,
sem fuligem, sem aquecimento...
Enquanto a chuva mansa bate lá fora,
a lareira zomba do Natal sem chama.
Natal sem fogo é como pipoca murcha: sem graça!

Lareira.

Lareiras em salas de casas de lugar frio
não são só objetos de decoração;
como também não o são,
os natais de árvores, bolas, presentes,
em que, o menino-Jesus, entre as gentes
é glorificado de coração.

Mas, lareira digna tem torre e chaminé
e tem papai noel entalado no exercício da fé
e tem fogo crepitando entre as lenhas que em brasa
jogam fumaça pra fora pra expulsar qualquer dor
pra fazer limpeza em casa de tudo que não se abraça
de tudo que no Natal, não representa o Amor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
02/01/2018 (05h16min).

sexta-feira, janeiro 05, 2018

MEU RECANTO

Paisagem mínima, na construção
desse meu lugar de sonhos...

Espaços preenchidos...

Minimizações...

Afloramentos, preenchimentos,
especulações de ocupação e olhares.
O conforto está nos olhos
e no bem estar que a convivência traz...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
01/01/2018 (08h47min).

quinta-feira, janeiro 04, 2018

SANTA CHUVA

Por entre os edifícios da cidade
que grossos pingos vertem estas nuvens?

É a chuva tão esperada!

Há um cinza dominante nestes céus
e o firmamento despenca sobre a terra...

Cheiro de terra molhada.
Rolos de água, disputando bueiros.

Há quem preocupe-se!
Nem sempre os humanos
estão preparados para tanta bênção...

Sobre o que orávamos?
Pode ser maldição o que se pediu
como chuvas de bênçãos?

O tempo de estiagem, a seca nos pastos,
a baixa preocupante dos reservatórios,
a morte dos animais, o racionamento indesejado...

Falta d’água: ralo seco na pia.

Na dor, clama-se pela utopia;
quando da resposta, a murmuração...

Não pensar, não refletir.

Deixa a chuva molhar todo o corpo.
Chama a chuva para uma dança tribal
e saia pelo asfalto celebrando a fertilidade.

Santa chuva,
que rega, que banha, que revitaliza,
que molha, que faz germinar o sonho:
eu quero dormir esta noite ao som de Bach
tocado pelos pingos de chuva na janela...

As milhões de gotas de chuva
podem ser as lágrimas tristes de Deus
pelo afastamento do homem em seu pecado.

As milhões de gotas de chuva
também podem ser as lágrimas alegres de Deus
pela aproximação do homem em suas orações.

Santa chuva:
resposta a sequidão moral da humanidade!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
31/12/2017 (06h17min).


quarta-feira, janeiro 03, 2018

ANO NOVO

Teos, pra que serve mesmo o movimento de translação da Terra?
O Ano Novo chegou para mim e eu não sei o por quê...

Chegou, e traz junto a poesia do novo;
a claridade interna do caminho inteiro, mas...

É jornada que se inicia e não se sabe onde vai chegar.

Os passos do ano novo são cronometrados dia a dia.
Ele levanta a cabeça e segue firme sem euforia.

Mas, na vida, que parece angustiada,
os sonhos estão murchos neste cacho,
as uvas escondem o riso forçado
que, para se ver, tem que ser provocado.

Pra que serve mesmo o movimento de translação da Terra?
Se eu preciso ser curado? Tudo vai se repetir e eu...

Vem, amigo, ler comigo
– no tempo que se faz moço kafkiano –,
o poema do renascimento deste novo ano...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

02/01/2018 (05h03min).

CULTO DE FIM DE ANO

No templo repleto há um calor que incomoda.

Os músicos da orquestra e seus instrumentos,
a equipe de louvor e a ministração,
todos preparados...            todos bem à postos...
e o povo sonhando, acariciados pelo vento
dos ruidosos ventiladores que sopram esperanças...

Ecoam os primeiros acordes da adoração,
convocando o povo à celebração.

A claridade de Deus ilumina
os corações sequiosos, esmagando frustrações...

No templo desperto há louvor e gratidão;
batismos lembram frutos colhidos no pomar do Senhor;
celebração da ceia ergue o Memorial do Cristo;
e a reflexão pastoral convida a presença de Deus.

Tem um ano abençoado
quem busca a Deus de coração.
No Culto de Fim de Ano experimenta-se a comunhão...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
01/01/2018 (09h31min). 

terça-feira, janeiro 02, 2018

SMARTPHONE

...e esse smartphone:
como  escarnece, geme, fere;
meu ser simples, sério, sensível;
que roda qual esteira de fábrica.

O martelar no teclado...
dançam os dedinhos
sobre os caracteres:
a vida em tela plana.

...dúbias imagens
como bailarinas em cada pé
minh’alma flutua leve
nas pontas dos dedos da fé:
como jardins de aromas novos
e novas cores no pomar.

Espocar de fogos...
redes virtuais,
textos esporádicos
imagens atrevidas
mudas como estrelas
brilhos incontidos
vida solitária.

...smartphone envolvente
primavera virtual
muleta delirante
um tipo de culto
missa medieval,

Ápice da comunicação
mesmo estando visível
quem tem smartphone
vai célere pro claustro:
sai fora da comunhão...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
30/12/2017 (23h49min).

segunda-feira, janeiro 01, 2018

HORA DO ALMOÇO

O centro da cidade se agita em profusão.

Os escritórios fecham as portas
e as calçadas e praças se enchem de transeuntes.

O formigueiro humano desenha passos no chão.

E alunos colorem.
            De uniformes a urbes.
                                    Se enfeita de juventude.

O comércio se reinventa.
É preciso atender a clientela.
sem esquecer a poesia da panela:
cores e sabores beijam as curvas dos pratos...

O tempo. É curto o tempo. O tempo restante.

Conversas. Compras. Contas.

Faça-se a radiografia do asfalto
e seu nome será pressa.

Fazer das nuvens patins,
e navegar no alto dos sonhos.

A cidade não dorme,
o descanso fica para a noite:
e há a expectativa do Rio Bengalas
que sereno desliza
sob o olhar das Catarinas...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
30/12/2017 (14h32min).