sábado, agosto 29, 2015

VIVER E SONHAR



Chame o poeta de nefelibata
e este será o veredicto,
sentença fatal,
que poderá aprisionar a poesia
com as sete chaves do preconceito.

Se há no meio da plebe
os que em parte sonham
e os que em parte vivem
e neles a parte que sonha
escapa, sutil, da realidade
e a outra parte que vive
se esfola na aridez do viver...

No poeta é diferente:
a parte que sonha alimenta a vida
e a parte que vive nutre o sonho.

A poesia revitaliza a existência
e os passos do poeta sobre a Terra
são passos seguros de paz
que deixam pegadas-guias
pra serem seguidas também.

A vida do poeta é intensa
não se mede pelo tanto de anos
que passou por este mundo.
Mas, pelos sonhos e planos
que tornaram a vida extensa
em seu sentido profundo.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
23 de Junho de 2015 (05h03min).


POIESIS



A vida alimenta a poesia
e a poesia alimenta a vida.
O poema é a refeição dos
corações inquietos de significação.
A poesia revela o escondido
e esconde o revelado.
Pra alcançar a revelação
é preciso sensibilidade.
Pra ter acesso ao escondido
é preciso possuir a chave.
Só acessa a poesia
quem está com o sonho em dia.
Pra alimentar, o poema precisa se nutrir.
O poema se nutre do silêncio
e, também, das falas do cotidiano;
o poema se nutre da dor
e também da inquietação;
mas, acima de tudo, do amor
e da paz do coração...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
23 de Junho de 2015 (04h49min).


O POEMA E O POETA



Há poema que é pra ser lido
há outro, pra ser ouvido.

Poema que se lê no silêncio do papel
fala coisas que não se ouve no barulho da existência.

Poema que se ouve no acento da declamação
tira do assento o poeta que amplia a percepção.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
23 de Junho de 2015 (04h34min).

POEMA MUDO



P

Poema que não fala
que insiste em se calar
é poema que não trata
da matéria da existência
que é preciso expressar.

O meu poema da vida
é um grito de libertação.
Seu silêncio do papel,
a página de mim escrita,
que se lê com o coração.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
22 de Junho de 2015 (20h40min).