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sexta-feira, agosto 18, 2017

GENTES

Ele disse
gente
e era como se fosse
uma interjeição qualquer
sem sentido prévio
apenas um conclamar
de ouvidos
um alerta simplório
para um falar coletivo

mal sabia
que eram muitas
as gentes
por trás daquele aviso
e vieram sonhos irrealizados
corações partidos
almas sequiosas
histórias interrompidas
ressentimentos guardados
nas gavetas do coração
quartos, livros, canções
passagens de navio e
bilhetes de Maracanã
e milhares de sofás
que acolheram beijos e abraços
e recolheram lágrimas
e esconderam separações

é possível olhar para as gentes
e não ver
o que a face encobre...

é nas gentes
que está o sonho e a esperança
que está a crença de criança
é no rosto
que se vê a aflição
que se descortina o coração
mas, preste atenção
há gente chorando
há rostos inseguros
há sofrimento
nas faces sulcadas pelo tempo
há devaneios
nas falas loucas
de bocas tortas
há punhais nas mãos
desconsolo e frustração
há dedos no gatilho
e há gente pronta
para disparar o fim
há gente indo
há gente vindo
há xingamentos e gritarias
há gente que se esconde
atrás das gentes
há quem dissemine a paz
há cultores do ódio
gente que ama
e gente cujos olhos
se inflamam de raiva
e espumam desesperos
há gente que se cria
no meio da multidão
há baderneiros
com paus e pedras
nas mãos
e pacificadores
que carregam bíblias
nos sovacos
bem perto do coração

os mistérios das gentes
promove o medo do encontro
mas, eu digo
(nesse meu coração-discípulo);
eu só penso nas novas gentes
que hão de nascer dessas gentes.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
04/08/2017 (04h27min).

quinta-feira, junho 19, 2014

TODAS AS PALAVRAS...

Todas as palavras cabem numa só.
E o que estou fazendo, a compulsar dicionários?
Todos os sonhos cabem numa vida.
E o que será da existência depois da partida?
Quem vai ler estes meus poemas temerários?
E de quem serão os sonhos idealizados?

Todos os sentimentos emanam de um apenas.
E o que estou fazendo, ao ter gavetas no coração?
Todas as matérias cabem num átomo.
Ou será que o Planeta Terra não é um ponto lá do espaço?
Quem vai amar depois do derradeiro dia?
E de quem serão os sonhos inacabados?

Toda existência se resume num objetivo.
E o que estou fazendo ao tentar entender o impossível?
Toda criatura converge para o seu Criador.
E o que farei da vida se não for viver para o amor?
Quem vai soletrar amar, quem vai partir feliz no adeus?
Aquele em quem a palavra amar-amor é o próprio Deus!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

09 de Maio de 2014 (14h05min).

terça-feira, abril 15, 2014

LÍRICO OLHAR

Que tenho eu a ver co’este cenário
se mãos que não as minhas construíram,
se cérebros mais pensantes arquitetaram,
tais cores celebrando um ideário?

Que tenho com esta paz que o outro sente,
que tenho com o amor que é perfume?
Não posso ser regado de ciúme
se a chuva que me molha é o amor.

Nada me obriga a outros sentimentos,
se o bucolismo destes meus momentos,
só eu posso enxergar com os olhos meus
e não conseguem ver; olhos ateus.

Se os olhos são espelhos de minh’ alma
que inquieta em mim vagueia amor
eu solto as rédeas desse alazão
nas cordas que hoje vibra o coração.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

08 de Abril de 2014 (16h33min).