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quarta-feira, abril 22, 2015

FACETAS DE UMA MÁSCARA

Teus pés, passos silenciosos no escuro;
teu andar, pés que caminham desconfianças;
teu corpo, sombra que se esgueira como chuva rápida;
teus gestos, meticulosamente estudados para não se destacarem;
teus braços, alavancas que se movem com presteza;
tua respiração, vento que sopra suave sem balançar folhas;
e assim prossegues na vida,
transitando o cotidiano, sem dele fazeres parte;
és um sonâmbulo ser que caminha silente por entre gentes
poucos te encontram com outros;
tuas poucas palavras não chegam a construir um diálogo;
és um ser que não se apresenta
não és o que aparenta. És máscara!

Então, procuro no teu rosto os sinais do quem.

Teus olhos, bolas de game que se movimentam velozes;
teus lábios, finas articulações que pouco se mexem
e, quando o fazem, inexpressivamente;
teu nariz, estrutura pontiaguda acusatória;
tuas maças do rosto,
ícone despudorado da insignificância da palidez;
teus cabelos, corte rasteiro sem glamour;
teu sorriso, filete insensível de apatia sem dentes;
tua presença, sombra que se arrasta por entre gentes
em busca da invisibilidade.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

05 de Março de 2015 (05h45min).

quarta-feira, agosto 06, 2014

FUNIL HUMANO

Passos apressados
e os pés parecem
conduzir o corpo.
A mente não está ali.
Os olhos vagueiam
procurando o nada.
O corpo passeia pelo calçadão:
braços que esbarram braços;
olhos que fitam abraços
de namorados                                                      distantes
que se instalaram
no lugar do encontro.
A mente sucumbe ao marasmo
à mesmice
à rotina
da caminhada apressada
em meio a turba
que delimita o destino
construindo um funil humano
que desemboca
na grande Avenida.
Pra muitos a vida é:
uma pista engarrafada,
cercada de arranha-céus,
dominada por ruídos,
salpicada de luzes e cores
que engole a convivência
aniquila a comunhão
tritura a existência
e vomita solidão.

Josué Ebenézer – Niterói,
30 de Junho de 2014 (18h05min).


DESIMPORTÂNCIAS

Uma florzinha de erva, minúscula;
(que nasce entre paralelepípedos)
sintetiza a resistência da vida
na inamovível opacidade da mesmerização.


Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

19 de Junho de 2014 (05h55min).