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sexta-feira, janeiro 26, 2018

ELEGIA PARA UM SONHO EM OLARIA

A adolescência morre como o fim de um sonho.

Resta um sorriso tímido, sensível como ave,
neste coração onde toscas choupanas querem soçobrar.

E a adolescência morre como este sonho do meu lugar.
Sensivelmente suave.
É melancólica a morte de um tempo
onde o irrealizado traz saudades lacrimosas
e as amizades perdidas são pássaros soltos na floresta da vida.

Vaidade... o ser como vaidade do existir.

A existência risca o fósforo da adolescência
e a caixa da vida perde mais um palito.

Há lágrimas no meu olhar,
porque meu coração sente saudades
do não vivido que se foi
e tem medo do que ainda não veio...

Minha Olaria não possui mais fornos
e nela não crepitam mais tijolos na lenha.
Mas eu sinto que há muito que erguer
no edifício da minha vida.

Meu bairro tão sem alma, tão sem luz
eu já me fui em janeiro
para as surpresas do Rio de Janeiro...

Deixei para trás essa adolescência
e no Oceano da vida mergulhei,
Os círculos concêntricos formados
ainda espiralam incertezas.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
19/01/2018 (12h02min).

sábado, novembro 01, 2014

APRENDIZADO

Até um certo tempo da vida
alguém é o que todos são:
desbravadores de sonhos,
acumuladores de conhecimento,
mineradores de respostas
em busca do ouro existencial.

(a não ser aqueles que a vida
– e não são poucos –
impôs o trabalho como forma
de encher a barriga
e não virar saco que não para em pé...)

Mas, chega um tempo
que alguém é o que a si mesmo se propôs:
se sonhou, sonhou
se realizou, realizou
se conheceu, conheceu
se encontrou respostas (ou, não!)
parou de fazer perguntas...

É que as linhas que escreveu
desde o ponto de partida
já se fizeram bem mais extensas
que o papel estendido à frente
para as linhas que escreverá
até o ponto de chegada.

E como isso inquieta!

Mais ainda naquele que não crê.

É quando, para muitos, agora,
bastará viver...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

11 de Setembro de 2014 (05h10min).