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sexta-feira, janeiro 26, 2018

ELEGIA PARA UM SONHO EM OLARIA

A adolescência morre como o fim de um sonho.

Resta um sorriso tímido, sensível como ave,
neste coração onde toscas choupanas querem soçobrar.

E a adolescência morre como este sonho do meu lugar.
Sensivelmente suave.
É melancólica a morte de um tempo
onde o irrealizado traz saudades lacrimosas
e as amizades perdidas são pássaros soltos na floresta da vida.

Vaidade... o ser como vaidade do existir.

A existência risca o fósforo da adolescência
e a caixa da vida perde mais um palito.

Há lágrimas no meu olhar,
porque meu coração sente saudades
do não vivido que se foi
e tem medo do que ainda não veio...

Minha Olaria não possui mais fornos
e nela não crepitam mais tijolos na lenha.
Mas eu sinto que há muito que erguer
no edifício da minha vida.

Meu bairro tão sem alma, tão sem luz
eu já me fui em janeiro
para as surpresas do Rio de Janeiro...

Deixei para trás essa adolescência
e no Oceano da vida mergulhei,
Os círculos concêntricos formados
ainda espiralam incertezas.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
19/01/2018 (12h02min).

sábado, dezembro 31, 2016

ELEGIA DE FIM DE ANO

Porque hoje é o último dia
De um ano que vai-se embora.
Já sinto uma grande agonia
Neste ser que pede e implora.

Se não bastasse o sofrimento
Que impõe dor e a alma chora.
Como suportar este tormento
Que invade a paz e a deflora?

O Ano foi-se e a esperança
Com o cavaleiro e sua espora.
Sofreu as perdas desta andança
De tanto açoite a qualquer hora.

Sofreu os percalços de uma lida
Em que a fé, quase evapora.
Mas que ganhou uma sobrevida
Vindo à galope, sem demora.

Este Novo Ano que vida nova
Vai trazendo e ao Velho implora:
Que finde logo já que se inova
O calendário a partir de agora.

O Novo Ano traz um novo verso
Poesia linda, minh ’alma decora.
Que traga ventos, exato inverso
Sopro de vida que não descora.

O rublo sangue que corre na veia
Me leva em sonhos, mundo afora.
E enrodilhado nesta bela teia
Sou poeta grego numa bel ágora.

O Ano passou, secam-se lágrimas
A felicidade, o meu sonho escora.
Buscarei da vida novos paradigmas
Pois o Velho Ano o tempo já devora.

Choro não pelo Velho estar nas últimas
Mas o medo do Brasil viver diáspora.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
30 de Dezembro de 2016 (14h25min).

ELEGIA 2016

Ó povo brasileiro, por onde andará tua alegria
onde os sonhos e esperanças, em qual corcel cavalgam?
És o sustentáculo e a base dessa nação benfazeja
sentes o frio na espinha de um futuro que morre infante.

Teus heróis têm pés de barro, não sustentam um vintém
de altruísmo edulcorado: pirulitos roubados das crianças.
As manhãs são azáfamas de um frenesi sem tamanho,
as noites são os desesperos de barrigas vazias nos leitos.

Trabalhas de sol a sol e sentes o peso do mundo
e sentes a dor do tempo que morre no calendário
e sentes o envelhecimento da derme que se sacrifica
e o outono da vida que chega sem pedir licenças.

Trabalhas acreditando, mas a fé vai-se com a foice
que capina a esperança de teu coração brasileiro.
O país que te venderam quando aqui nascestes ontem
não é hoje o que prometeram e nem amanhã o será.

As riquezas desta terra, em que tudo que se planta dá,
até do subsolo roubaram, não só o ouro que Portugal levou.
É o mal que se instalou, nos escaninhos do poder
e fez brotar do cimento de Brasília, a vil corrupção.

Amas viver e te alegras com o pouco que se te dê;
e exaltas – na própria trama do existir – a cordialidade.
Mas não suportas mais, esta louca insensatez
de uma sórdida bandidagem vestida de colarinho branco.

Brasileiras e brasileiros, que caminham entre os mortos
apodrecidos na mente, no sonho e no coração;
as cadeias serão poucas para ajuntar esta gente
que não merece indulgência, precisa de punição.

Que a ferrugem corroa as grades e corrompa os corpos
dos que mataram com a caneta, por leis ou falta delas
os sonhos de brasileirinhos, a vida de meninos e meninas
a beleza das mulheres, o orgulho dos homens, as cãs dos velhos.

Que todos os miseráveis corruptos, devolvam cada tostão
que desviaram do trabalho, da saúde e da educação.
E experimentem o barro, a lama e a carestia,
a falta de esperança, o dente podre e a apatia.

Que o Brasil confesse agora, que uma geração se perdeu
que tentaram matar nossos sonhos, mas ele não morreu.
Que não se cale a Justiça, mesmo que Brasília exploda:
não é iconoclastia, os políticos é que saíram de moda.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
30 de Dezembro de 2016 (16h27min).