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quinta-feira, dezembro 29, 2016

VIAGEM BRANCA

a viagem é algo transcendentalmente
imaginário. Há cenário como lastro
que envolve a mente, sobretudo a fé,
e o chamado divino e as nuvens

o que é a ceifa sem a semeadura?
é um simples desejar irresponsável,
mas a viagem branca é a utopia
que vai se realizar logo ali à frente

quero atender este teu chamado louco
para ver os campos e sua branquidão
e enxergar o louro dos trigais floridos
que meu coração viu nesta viagem

Josué Ebenézer – Rio de Janeiro,
12 de Dezembro de 2016 (14h04min).

sexta-feira, dezembro 16, 2016

A MISSÃO DO DISCÍPULO

Assim é o discípulo; sonho dele é multiplicar.
Conhece bem sua missão e põe-se a trabalhar.
Esvaziar-se a si mesmo, secar por dentro, até.
Virar o deserto pelo avesso, com sua oração de fé.
Sabe que precisa gostar muito de gente
- e mesmo que não goste -, ele por si já sente
que é preciso, então, logo aprender a gostar:
na sua vida o verbo, mais que perfeito, é amar.
Quando ele seca seu ego através das lágrimas
é como, do velho homem, homenagens póstumas.
Deus rega o solo e devolve-lhe um rio jorrando
que do seu interior verte, enquanto segue amando...
O discípulo aprende a ser com o seu Mestre
seguindo-lhe os passos, como bom pedestre.
(Ele não imita para superar, senão para sonhar,
pois a vida é, antes de tudo, o próprio caminhar...)
Para quem se acostumou a ficar no bem raso,
o discipulado é um mergulho para tirar atraso.
Descer às profundidades de Deus, suas riquezas:
a sabedoria, a ciência e tantas outras belezas!
E o discípulo descobre o quão insondável
são os juízos de Deus; caminho inescrutável.
E nos campos brancos para a ceifa divina
o discípulo vê o sonho, que sua alma anima!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
09 de Novembro de 2016 (12h19min).

quarta-feira, dezembro 04, 2013

DIVINAS MULHERES



No começo era o campo pronto para a ceifa...


E chegaram as mulheres e entenderam o recado.
Ai – o que era um simples começo – não teve jeito de parar.
E elas se juntaram e conversaram.
Houve planejamento e trabalho.
E a terra revolvida se encheu da glória do Senhor.

Certo dia, num tempo não muito distante daquele,
Senti-me transportado para
As terras onde as mulheres trabalharam.
E ali um zelo de Deus tomou conta de mim.
E quando retornei outra vez
Havia árvores frondosas naquele lugar,
Carregadas dos frutos do amor.

As mãos calejadas da irmã Marta
Agora estavam unidas em prece pelo povo.
Enquanto isso, as mais jovens das moças
Cuidavam dos frutos.
E havia viço e prazer
E mais adiante, outras mãos experientes tiravam
Acordes das nuvens
Enchendo o ar de uma musicalidade divina.

O tempo passou.
E eu cresci junto com aquele labor.
E os campos já não eram tão brancos
E já não eram todos
E já não eram tão campos.
E algumas mulheres já não eram mais
E no rastro das pioneiras vieram outras
E em meio à pequena multidão havia paz.

Saí de novo daquele convívio
E fui para outras terras
E por onde andava,
Por selvas e desertos,
Acompanhavam-me as vozes daquelas mulheres
E o trabalho daquelas mãos.

Percorri mundos.
Acumulei cabelos brancos.
Construí os sonhos do passado.
Mas te digo uma coisa com certeza:
No exemplo daquelas divinas mulheres
Revolvi os novos campos brancos para a ceifa
Desenvolvi a esperança
E vi a glória de Deus se manifestando nas terras dos homens...


Nova Friburgo, 02/12/2013 (22h30min).