domingo, setembro 14, 2014

OS VERSOS DO MEU POEMA

Os versos do meu poema
não são para cantar
não são para ouvir.

O poema é um edifício
meio démodé
(rococó? gótico? jônico?)
meio verticalizado
na página de meu caderno
de notas esparsas
quais andorinhas que não voam só...

Tem que ser lido
– e entendido –
se preciso, fazendo cálculos;
subindo andar por andar
as escadas internas
para conhecer as entranhas
desse prédio chamado poema;
para degustar os sabores
e aguçar os paladares...

Mas, depois, é preciso subir
pelas escadas externas
(as de incêndio)
para perceber o colosso
da beleza arquitetônica do poema
na construção da forma
nos detalhes do acabamento
na beleza do conjunto.

Conteúdo e forma
sim, para marcar o tempo
acrescentar movimento
ao poema que é pra ser:
lido com a alma
entendido com o fígado
reconhecido com a cabeça
amado com o coração
enquanto o vento assobia
em meus ouvidos sensíveis
qualquer composição divina
de Johann Sebastian Bach.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
05 de Julho de 2014 (05min).


BIO-POESIA

Tranco a sete chaves o segredo
da poesia que in vitro nasce
bio-poesia de um coração inquieto
que fecunda versos com sementes de amor

em quais dos cérebros ao meu redor
um outro poema nasceu natural?
o coração não envelhece, nem a fertilidade,
se poesia é estrada pavimentada de sonhos

e é do laboratório fecundo do pensamento
que palavras se unem em simbiose transcendente
para gestar o poema universal que povoa mentes
e alimenta as vidas dos que preferem ser felizes...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

02 de Julho de 2014 (19h39min).

PALATUM ANGELICUS

Meu poema-suco represa
dentro da taça de cristal
e o Sol lá fora iridescente
em raios que a poesia brilha

e as frutas espremidas
bagaceiam anjos sugados
pela luz que o suco-poema
dá sabor: lábios de Iracema

e o mundo sorve o poema da vida
no suco que lábios saboreiam:
é néctar que a alma absorve
deixando este copo vazio

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

02 de Julho de 2014 (19h31min).

POMAR POÉTICO

Minhas imaginações são de frutas adocicadas e o pomar
quase sempre
contribui com as cores das frutas e o arco-íris.

Germinam

textos
de polpas emolduradas

pelo cheiro

do primeiro fruto
poema-polpa à moda brasilis

cupuaçu e graviola

poema de viola
que meu coração canta
ao amanhecer do sabor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

02 de Julho de 2014 (19h23min).