domingo, julho 06, 2014

INCERTAS HORAS

Na Grécia – onde nunca estive
(e não sei se estarei)
exceto pelo sábios
que me fizeram visitá-la,
que a descortinaram ante meus pensares –
Platão apresentou-me o mito da caverna,
o fio de luz de realidades
até então desconhecidas...

Recordo-me que ainda não tinha
completado meus quinze anos
quando o real tomou de assalto
o lugar dos sonhos eclipsados.
E eu, relutante, tinha dúvidas
sobre o ficar no mundo
dos pés no chão ou seguir voando.

O pensamento,
o gosto travado na boca obtusa,
o sol de meio dia:
no transatlântico obeso
nas águas turvas
no leme desgastado
de tanto navegar sem ter onde ir.
Tudo estava cheio de uma meiguice majestática...

Palavras longas carregavam emoções
e o píer-ponte, entre o mar e as pedras,
chacoalhava as ideias cor de jambo
de uma vida abrupta e feliz
quando finalmente decidi escalar
o paredão escarpado e
me envolver com o mundo lá de fora
das outrora sombras do viver
sem medo do mar encapelado...

Josué Ebenézer – Niterói,

16 de Maio de 2014 (21h55min).

RENASCER

a música preenche os poros
                                                            o violino
príncipe da melodia

imagens cortantes em olhos d’alma            miragens
e o Vento açoitam meu ego   
                       
–     imagens
percepções de ossos num vale
                                                            eu (desmontado)
ossos sem vida no vale da deserção
cenário de batalha espiritual
ausência de flor
um leito de rio seco (ao longe)

a música se agiganta
relâmpagos no templo
arde
(meu coração em febre)
e a fé que nasce

a vida volta
os músculos põem de pé o esqueleto

os olhos estrangeiros
assistem o reverdejar do vale
a flor renasce

vem de longe e se aproximam
as águas que recobrem o rio

(o Príncipe da Paz
tocou canções pelo Vento
em meu espírito atento)

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

12 de Maio de 2014 (06h03min).

IN-PAGANISMO

Eu nunca passei um dia no paganismo.
Sou um cristão de fato.

Não foi do acaso
a Obra de ter nascido em lar evangélico.

Cantei “três palavrinhas só, eu aprendi de cor”,
ouvi poemas de Myrtes Mathias “de coração para coração”,
frequentei classes várias de Escola Bíblica Dominical.

Cresci.
Minhas raízes se aprofundaram
e tornei-me um batista antes mesmo do batismo.

Foi assim que eu, democraticamente,
cristianizei minha existência,
estabeleci os parâmetros da minha estrada.

Mas, o que mais me surpreende e conforta
é que o Espírito em mim
nunca passou um dia no ostracismo.
Sou batizado no Espírito.

Tem sido assim!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

10 de Maio de 2014 (12h55min).

POETA-PÁSSARO

O poeta é um pássaro liberto
desde a gênese do pensamento.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

10 de Maio de 2014 (12h40min).