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segunda-feira, maio 18, 2015

DILEMA

Somos todos ao mesmo tempo
vítima e algoz
dessa batalha que se trava ao vento
e após
nossos pensamentos impuros
que resistem tenazes.
Somos feitos da clássica composição:
carne e espírito
que se digladiam no coração
e, mais que isto,
somos desnudados por nossas falácias.
Não fazemos o que queremos
ah, este bem que nos convoca!
e fazemos o que nem entendemos
ah, este mal que nos choca!
e, assim prosseguimos nesta mistura
impura
desafiados a abandonar a neutralidade
e a agir com ternura
nesta animosidade:
carne/espírito
fé/descrença
sonho/aridez
esperança/vazio
neste tanto faz tanto fez
alimentando por dentro
o esgrimista deste duelo
dor dilema dualidade
que queremos tornar vencedor.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

25 de Março de 2015 (05h49min).

terça-feira, abril 15, 2014

DIL(E)MA PETROQUÍMICO

Dilma
(presidenta)
responda
esse
dilema.

O que será?
Candidato
ou
candidata?

E ela
(a Dilminha)
se pergunta:
Haverá
candidaminha
ou
candidalula?

Que
candidatura?

A coisa
é mais filosófica:
aí, acho, que
tem que perguntar
ao que não sabe,
não viu,
não ouviu...

Resposta muda:

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

08 de Abril de 2014 (15h42min).

quinta-feira, abril 10, 2014

AVISO NO MURAL

No Mural da Igreja
– de longe –
vejo os cabelos grisalhos
do pastor
e o anúncio
:“Caravana do Arrependimento”.
Ao lado do cartaz,
um truque do destino
:um convite de casamento.
E a noiva é rica e bela.
A festa promete!
Mas, o convite é individual.

Daqui, de onde vejo o pastor,
a luminosidade
que entra pela janela
incide sobre seu rosto, seu olhar.
E os sulcos da idade
já começam a surgir.
Mas, o olhar perspicaz,
parece perguntar
:e você? O que vai escolher?

Assusto-me!
Eu?
Escolher?
A vida tem festa e testemunho;
lazer e trabalho;
sacro e profano...
Mas, que dilema é esse?
Tem-se que escolher, realmente?

Volto os olhos para o Mural.
O cartaz da “Caravana do Arrependimento”
está lá.
A foto do pastor domina o cartaz.
Seus olhos me veem.
Suo frio.
Coloco a mão no bolso.
Meus dedos tocam um
quadradinho  de papel couché
:tenho convite para a festa.

Subo os degraus da escada
me aproximo olhando para o cartaz.
Subo mais.
Estou agora perto do Mural.
Não importa onde esteja,
longe ou perto,
embaixo ou defronte,
à esquerda ou à direita...
Como a Mona Lisa eclesiástica
os olhos do pastor me acompanham.

Olhando-me, dali,
a toda hora,
o pastor indaga
:e, então, vai?
Examino as datas e horários
–     no cartaz e no convite  –
:não há dilema!
Festa e testemunho
irão me acompanhar
e eu a eles.

São datas diferentes.
Dá para estar nos dois.
Alívio.
Meu lado humano quer a festa.
Meu lado espiritual quer a evangelização.

Sorrio.

Prossigo o meu andar.
Subo as escadas.
Distancio-me do Mural.
Agora o vejo por cima.
O pastor continua a olhar-me
–     monalisamente –
e vejo, por fim,
uma última pergunta no seu olhar
:e se tivesse que escolher irmão?

Sinto a cutucada.
Fiquei sem resposta.
Mas, lembrei-me que era
a “Caravana do Arrependimento”.

Josué Ebenézer – Saquarema,

06 de Abril de 2014 (07h15min).