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sábado, janeiro 31, 2015

CONSIGO MESMO...

Ouvi os sapos da lagoa coaxando na noite
e disputando minha poesia. Eram enigmáticos.
Alguns sons eram indefinidos
como o azul marinho do breu.
E formavam um grande coro
na fantasia da lagoa prateada
iluminada pela lua afônica.

Ouvi-os submersos às margens da lagoa
enquanto a garoa da noite
regava meus sonhos poéticos.

Ouvi os sapos da lagoa entre os arbustos
de minha poesia que não virou canção.
Ouvi os sons dos sapos e do silêncio.
A noite tragara o pensamento carrancudo
e libertara a poesia branca do coração.
Elos de mistério e revelação entre as sombras:
cada qual escondia no vazio o clamor da poesia.

Ouvi-os barulhentos. Revoltosos.
E num som grave, rascante, eu me escutei.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

14 de Janeiro de 2015 (21h15min).