quinta-feira, fevereiro 19, 2015

PEDESTRES

Andem, os transeuntes anônimos,
não nas calçadas dos bulevares,
andem nas ruelas escondidas
onde transitam as palavras tristes
esquecidas dos escritores.

Encontraremos leitores
- aprendizes e cultos mestres -
para tirar tais palavras
da solidão do esquecimento?

Estas palavras caminharão um dia
felizes como as estrelas
que mesmo distantes e mudas
escrevem nos céus sua luz...

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

16 de Janeiro de 2015 (21h47min).

AS VIDAS

Vivam, la dolce vita,
no sentido do próprio corpo
ao encontro da própria vida.
Vivam em si mesmos, todos
todos os viventes do Planeta.
Em especial, os esquecidos
esquecidos da eternidade
pra onde foi a Palavra Viva.

Vivam os que querem vida,
os que remam uma vidinha
ou se entregam a um vidão.

Mas, não se esqueçam todos:
os apequenados da história
ou os inchados do orgulho
que a vida é transitória
seja feita de luxúria
ou considerada bagulho.

Por isso, busquem a vida
a vida que tem sentido.
Não é nada de vidinha
nem é nada de vidão.
É vida do ser remido
que tem alma arrependida
no Cristo que é Caminho
e também Verdade e Vida.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

16 de Janeiro de 2015 (17h23min).

ENTÃO É POESIA

“É construção verbal
e te dá prazer?
Então é poesia.”*

As palavras retratam
a estética do ler?
Então é poesia.

Alimenta a imaginação
faz bem ao coração?
Então é poesia.

É linguagem que emana
da arte humana?
Então é poesia.

É do mundo metafísico
expressão do narcísico?
Então é poesia.

É algo que transcende,
a alma no ser ascende?
Então é poesia.

É um estado da mente
vivido sensivelmente?
Então é poesia.

Quem escreveu diz que é
e quem leu achou também?
Então é poesia.

(*) Chacal. In: SANT’ANNA, ALICE. A poesia vai aonde o povo está: nas ruas de BH. O Globo. Rio de Janeiro, 12 de Dezembro de 2014. Segundo Caderno. P. 4.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

16 de Janeiro de 2015 (11h09min).

DEPOIS DO DILÚVIO

Voa, pomba branca, sobre as águas.
Distancia-te de mim o mais que puderes:
Do bater de tuas asas farei esperança
E, se der, me alegres com um galho em teu bico.

Depois, voe de novo e já nem tanto.
Rápido me mostres que a viagem acabou.
Quero libertar tuas irmãs em céus possíveis
E caminhar com as demais criaturas do novo mundo
No solo firme da promessa
Olhando para o alto
A contemplar teu voo,
Liberdade.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

16 de Janeiro de 2015 (06h).

COISA MINHA

Vivo geração avessa aos grafemas
Não sei porque tudo é assim
Ainda gosto de escrever poemas
Faço-os pra Deus e pra mim.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

15 de Janeiro de 2015 (16h30min).