terça-feira, janeiro 06, 2015

SINAL

Um altar
e o silêncio
da caminhada
íngreme
da vida.

A encruzilhada:
seguir
caminho próprio
ou consagrar-se
a Deus?

A dúvida cruel:
há fogo
há lenha
o altar está ali
há adoradores
mas, onde
a ovelha
do sacrifício?

Deus olha
pra você
o mundo olha
pra você
e, você,
olha pro chão.

Você olha
pro chão
insistentemente
amedrontadoramente
paralisadoramente
na hesitação
cruel do chamado.

Até que você
levanta o olhar
e encontra
os olhos de Deus
a lhe sorrir.
e você muda
e você fala:
- Eis-me aqui!

E, o altar
desaparece
e some
a lenha
mas, continua
a adoração.

E, o fogo
do Espírito
invade sua vida
e você conhece
o verdadeiro
sentido do amar
e há consagração.
Você é o
próprio altar!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

03 de Janeiro de 2015 (06h45min).

sábado, janeiro 03, 2015

MATEMÁTICA DE VIDA OU MORTE

Um é pouco,
dois é bom.
Se for só um
e alguém atacar
quem vai defender?
Se estiver frio
quem vai aquentar?
Dois é bom;
um ao outro ajuda
e ainda encoraja:
– Esforça-te!
Se forem dois
a alegria da união
leva-os mais longe.
Mas, quando um se vai
o que fica, se esvai
e a vida se esconde.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

02 de Janeiro de 2015 (10h).

ANTIGAMENTE, QUANDO OS GRANDES COROS AINDA

Antigamente, quando os grandes coros ainda
ouvíamos com a própria fé
e com lágrimas nos olhos subíamos as escarpas
e com risos nos rostos chegávamos aos céus
e com coração pulsante cantávamos os natais
seguindo sempre a direção de Deus
onde os filhos da fé brilhavam
na constelação espiritual dos remidos
e o manto negro dos céus se acendia das luzes de Deus
e as vozes corais ecoavam dos templos
e o sonho da Nova Jerusalém se materializava.
Agora: um telefonema para a agência de turismo
e, garante-se, o réveillon de Copacabana
buscando-se as luzes de fora, já que falta brilho interior.

Isso mesmo, ainda se tem luzes e músicas, porém...
Ressente-se a falta de organistas e pianistas
que interpretem a emoção do momento:
uma esperança o sonho a celebração.
Algumas vozes se levantam, mas o playback
insiste em agarrar no aparelho não convertido.
Os cantores possuem vozes plastificadas,
talhadas nas aulas de canto monocórdicas.
E, o vibrato, é pura técnica
já que o coração não vibra a fé.
E, ainda assim, a gente se emociona
e chora e sorri e abraça e beija
porque desaprendemos a cantar com a alma
mas o tema continua sendo o mesmo
e sobra, enfim, uma esperança
de que um dia, novamente,
os rios de água viva voltem
a fluir das cordas vocais dos coristas...

Quando se percorre a cidade
e se percebe toda ela iluminada
e as lojas, pequenas e grandes,
com enfeites de luzes e cores
na busca de um faturamento salvador de um ano magro
e, por ali, naquele comércio
umas coralistas velhas, vestidas de Mamãe-Noel
e parecendo onipresentes
no coreto na avenida no grande magazine
no Hall de entrada do shopping
e o povo frenético, transeunte apressado,
conversando tagarelices triviais
e o som ecoando das canções tardias dos natais
na festa sem fim em que se tornou o fim do mundo,
não só nestas épocas especiais
mas, o sumiço de cena, dos grandes corais
das peças grandiloquentes
“cum Sancto Spiritu; in gloria Dei Patris, Amen!”
do Oratório Elias, de Felix Mendelssohn
dos acordes sacros da música dos céus.

Tudo uma bajulação só, jogo de cena,
pastiche, comércio, coisa “pra inglês ver”
mas – os grandes corais que cantavam antigamente
“Os céus declaram a glória de Deus!”
e, eles próprios, cantando para a glória do Pai –


desapareceram.

Melhor chamar os gestores dessas igrejas
plastificadas e mandar trocar o roteiro...
Ah, que saudade de igreja de pastoreio de rebanho
que vontade de ouvir de novo um grande coro harmonizado.
Prefiro as notas tiradas do teclado da alma
e aquelas entoadas com as cordas vocais do coração.
Uma pomba branca voa nos céus
quando um coro espiritual canta pra Deus!

Um Ano Novo que chega.
O dia amanhece preguiçoso.
É só o começo.
Foi dada a largada pra mais um ciclo
e o solstício vai acontecer.
Há esperança.
Jesus é o Sol que se levanta
nos corações crentes a cada manhã.
Sim, tenho saudades dos coros de antigamente.
Mas, não do Jesus. Ele ainda está presente.

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,
02 de Janeiro de 2015 (07h17min).



VÃO CORRER COMO UM RIO

e aí minhas ideias e as palavras
vão correr como um rio – meu pensamento
            meu olhar meu sorriso
            mais pacífico
vão correr como um rio – em teu ser em teu ser
vão correr como um rio – em teus sonhos profundos
vão correr como um rio – em meu rosto meu rosto
            e as estrelas nos céus
que brilham distantes vão correr como um rio
vão correr como um rio – em tem olhar teu olhar tão sedento
vão correr como um rio – mais a fé a esperança e o amor
vão correr como um rio vão correr como um rio

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

31 de Dezembro de 2014 (19h58min).