quarta-feira, março 26, 2014

VIAS TRANSVERSAS

Eu jamais imaginei
um poetar militante;
um transformar das letras
companhia íntima.

Se foi acaso
ou os livros do Velho
na estante; não sei!
Só sei que aquilo se fez Colmeia
com poesias-abelhas
zumbindo ao meu ouvido.

Depus flores no jardim dos sonhos
plantei e cultivei um
lindo pomar-jardim.

Cresci.
E junto comigo, extensão de mim,
raízes poéticas me prepararam
para a colheita.

Foi assim que por vias transversas
começou a brotar em mim poesia
que a vida logo se encarregou de colher;
aos poucos.

Foi assim!

Josué Ebenézer – Nova Friburgo,

25 de Março de 2014 (07h58min).

EM BUSCA DA POESIA

Procurava a poesia
e o ar que soprava me revestia de ânimo.
Mas, as palavras eram poucas,
e lhes faltavam a alta costura
que desenvolvesse um tema
e construísse um poema
cercado por clássica moldura.

Procurava a poesia
e havia liberdade
para que a construção dos versos
alcançasse estilo
e superasse as dúvidas
do isto ou aquilo
e me fizesse equilibrista
para que a busca da forma
não suplantasse
o verter da poesia do coração
que sonha e que espera em Deus.

E continuava esta busca
e me banhava nos rios dessa linguagem
e me envolvia no riso dessa aragem
e não havia gramática
que servisse de ponte plena
para extrair de cada grafema
a sonoridade do amor
na voz dos substantivos
ou em certa musicalidade
que só os corações poetas entendem.

E na busca dessa poesia
gastei livros e consumi cadernos
e derramei tintas multicores
espichadas em linhas pautadas
juntando palavras com emoções
e aconchegando versos próprios
em mangas de camisa ou
mesmo ternos bem cortados
alisando meu bigode
e coçando a cabeça
boquiaberto diante da inspiração...

E nesta busca intensa da poesia
a cada verso nascido de um átimo de paz
me redescobria inteiro em ritmo de jazz:
é verso e sonho palavra e ritmo
ação e movimento liberdade ao relento
e os versos traziam consigo um sonho sem igual
uma benevolência tamanha ao imo
e os ventos do Espírito sopravam
um jeito novo de andar, de ser e viver
mostrando em palavras esculpidas com o sangue
que poesia é vida, que se extrai até do mangue
quando o ser permite por ela ser tocado
quando o coração ama e se sente amado...

Josué Ebenézer – Rio Bonito,

24 de Março de 2014 (17h38min).

O POETA

O poeta é um jardim
em forma de dicionário.

Josué Ebenézer – Rio Bonito,

24 de Março de 2014 (15h35min).

NAQUELES TEMPOS

Naqueles tempos andavas sério
carregando no peito uma esperança
e trazias sempre nas mãos um manual qualquer...
Querias aprender as coisas da vida
e corrias olhares em direção
a perfumes vários que seguiam passos miúdos...

Naqueles tempos lias todos os jornais, revistas
e livros que te chegavam às mãos.
Querias rodar o mundo não apenas
ao volante de teu velho bólido conversível,
mas na direção dos teus pensamentos.

Mas aqueles tempos se foram
e tu estás agora na varanda de casa
com uma xícara de chá quente em uma mão,
um poema bíblico em outra
e um sorriso largo no rosto envelhecido...

Josué Ebenézer – Rio Bonito,

24 de Março de 2014 (15h30min).